domingo, 22 de Novembro de 2009

A incompetência venceu o profissionalismo!

Aquando da eliminatória do FC Porto frente ao Sertanense, tinhamos aqui referido que, mais do que escolher um possível adversário, nos interessava que o sorteio da próxima eliminatória nos reservasse novo jogo no Estádio do Dragão, precisamente para evitar que o FC Porto tivesse que jogar num estádio sem condições. Assim, foi com apreensão que recebemos a notícia da visita do FC Porto a Oliveira de Azeméis.
E não é que depois do sorteio nos ter colocado perante a possibilidade de jogarmos na "horta" da Oliveirense, e depois do FC Porto ter alertado atempadamente para a falta de condições do estádio, ainda tivemos que aturar a indiferença da Federação Portuguesa de Futebol (limitou-se a emitir um comunicado 24h antes do jogo!) e o provincianismo da Oliveirense e do seu presidente.
Completamente ridículo o discurso do Sr José Godinho quando diz "compreender" e "concordar" com a posição do FC Porto, relativamente às más condições do campo, e depois nada fazer para alterar o local da partida (como se o Estádio de Aveiro, a primeira alternativa colocada, fosse o único com melhores condições que o Estádio da Oliveirense!). Aliás, o Sr. José Godinho chegou ao cúmulo de dizer que retirou as cadeiras do estádio para garantir maior segurança. Inacreditável! Este senhor, só por ser portista, julga que tem legitimidade para colocar em causa os direitos do FC Porto. «Eu até sou portista», diz ele!
Assim, chegamos à conclusão que a Oliveirense e o seu presidente só queriam protagonismo. Fizeram-no à custa do FC Porto mas... conseguiram! Será que se promoveu o futebol ao permitir que o jogo pudesse ser disputado num relvado em péssimo estado e num estádio sem condições para receber uma qualquer equipa da primeira liga?
Sejamos realistas, a Oliveirense nem sequer se preocupou em realizar uma boa receita ou em proporcionar aos espectadores boas condições, a única motivação do clube foi a de tentar eliminar o «tetracampeão» a qualquer custo, nem que para isso fosse necessário jogar onde o gado pasta!
O mais ridículo é que os responsáveis da FPF e da própria Oliveirense resolveram colocar toda a responsabilidade em São Pedro. "Se não chover haverá condições minímas para o jogo se realizar", foi o que fomos ouvindo ao longo da semana. Ao que isto chegou! Um clube que já foi duas vezes campeão da Europa e tem um orçamento para o futebol superior a 80 milhões de euros vê-se obrigado a estar sujeito à meteorologia!
A Oliveirense tentou obter os seus 90 minutos de fama à custa da balbúrdia que, de quando em vez, vem ao de cima no futebol português. Agora, esperemos que o FC Porto tome uma posição perante os oportunistas que tudo fizeram para manter o jogo no Estádio Carlos Osório (se aquilo é um estádio, o campo de treinos do Olival é uma catedral!).
Quanto ao maior responsável pela organização da competição, a FPF, nem uma palavra se ouviu do seu presidente. Mais uma vez, o Dr Gilberto Madaíl preferiu "assobiar para o ar". O habitual quando é preciso tomar decisões e assumir responsabilidades!
Perante tudo isto, é fácil concluir que o maior prejudicado pelo adiamento do jogo foi, naturalmente, o FC Porto. Com um calendário apertadíssimo, é lamentável que a equipa portuguesa com mais prestígio e responsabilidade na Europa tenha que se sujeitar aos caprichos desta gente. Depois não se admirem que o FC Porto coloque a possibilidade de apresentar a equipa júnior ou, numa decisão mais drástica, não comparecer ao jogo.
Felizmente, daqui a 4 dias vem aí a 'Champions', o nosso 'habitat' natural!

«Curiosidades FCP» - O adeus de Sérgio Conceição

Hoje, o ‘Paixão pelo Porto’ presta homenagem a Sérgio Conceição, o último de uma geração de amigos e ex-jogadores do FC Porto (que incluía, entre outros, Vítor Baía, Jorge Costa, Fernando Couto, Folha e Domingos) a dar por terminada a carreira de jogador. Este ex-extremo-direito do FC Porto e da Selecção nacional foi um dos jogadores que ficou ligado ao único «pentacampeonato» da história do futebol português.
Sérgio Conceição representou 10 (!) clubes ao longo da sua carreira, no entanto, o FC Porto e a Lazio foram os únicos aos quais acabou por regressar. Penafiel, Leça, Felgueiras, Parma (Itália), Inter de Milão (Itália), Standard de Liége (Bélgica), Al Qadisiya (Emirados Árabes Unidos) e PAOK (Grécia) foram os outros clubes que o dedicado e corajoso ex-jogador do FC Porto representou.
Além de ter sido um excelente profissional, Sérgio Conceição também será para sempre recordado como um homem de perfil genuíno e autêntico. O estilo frontal e irreverente que sempre cultivou ficou bem demonstrado numa das últimas entrevistas que concedeu à imprensa portuguesa. Recordamos aqui essa entrevista (publicada no jornal “i”) e aproveitamos também para recuperar algumas fotos e curiosidades que marcaram a sua carreira.
- Faz hoje 11 anos que se estreou no estrangeiro. Qual a diferença de 1998 para 2009?
- Já foi há tanto tempo, mas não senti o tempo passar. Ou seja, sei que foram 11 anos e também sei que os aproveitei bem. Estive em grandes equipas. E a estreia ninguém esquece, não é? Foi pela Lazio, em Turim, e marquei o golo da vitória (2-1) sobre a Juventus aos 90'+3. Naquela altura, a Supertaça decidia-se no estádio da equipa campeã. A Juventus, nesse caso. Está a ver? Uma diferença de 1998 para 2009: este ano, a Supertaça italiana jogou-se fora de Itália, em Pequim.
- Foi o herói do jogo mas a imprensa italiana trocou o seu nome...
- É verdade! Entre Sérgio e Flávio Conceição, vai uma grande diferença. Eu sou português, ele brasileiro. Eu jogava em Itália, ele em Espanha (Deportivo). No dia seguinte, quando li isso, fiquei... Imagina? Mas demonstrei o meu valor aos italianos ao longo dos tempos. Na Lazio, fui campeão nacional, levantei a Taça das Taças. Joguei no Inter, o que por si só já é uma vitória, e também no Parma, que ficou em segundo lugar naquele ano (2000-01). Sou Sérgio e eles (jornalistas) já sabem disso, à conta de vitórias.
- Naquela altura, em 1998, trocou o Porto por Roma. Sentiu a diferença?
- Muito, muito, muito. Foi difícil. Não a adaptação à língua, à comida, ao país e aos costumes. Foi difícil sair do núcleo do FC Porto, onde tudo é uma família, que comia junta, pelo menos uma vez por semana.
Quando cheguei à Lazio, percebi logo que o ambiente era mais frio. Era cada um por si. Atenção que isto não é uma crítica. É normal em toda a parte do mundo - e já andei por muitos clubes (Lazio, Inter, Parma, Standard, Al Qadisiya e PAOK). A família do FC Porto é que é diferente, para melhor.
- Escolha onze jogadores com quem jogou no estrangeiro. Comecemos pela baliza.
- (sem hesitar) Buffon. Convivi com ele um só ano no Parma e deu para perceber a qualidade futebolística e humana. Comparo-o ao Baía. Sabe o que tinha o Buffon dentro do cacifo no Parma? Nem vai acreditar! Um poster dos adeptos do Carrarese, o clube da sua terra (Carrara). Ia ver os jogos deles nas folgas.
- Na defesa.
- Na direita, Zanetti, 'il capitano' do Inter. Que classe, dentro e fora do campo. No meio, Cannavaro e Nesta. Fui companheiro deles no Parma e na Lazio, respectivamente. A Itália concorda com esta dupla. Na esquerda, quem há-de ser? Quem há-de ser? Meta aí o Córdoba (central colombiano do Inter). É boa gente. Atenção: Thuram (Parma) é suplente.
- E os três do meio-campo?
- Outra pergunta difícil. Matías Almeyda, o argentino. Fomos juntos da Lazio para o Parma, em 2000. Depois, o Roberto Mancini, que jogou comigo na Lazio e até chegou a ser meu treinador, e o Verón, também da Lazio. Deste meio-campo, só o Almeyda é boa gente. Mancini era sensacional mas nunca gostei dele. Tinha cá umas manias... Ao Verón também ninguém lhe ensinava nada, mas não era boa onda. Um filósofo, bem-falante, mas nada bom companheiro. Desses três, dois não prestam para nada e só jantaria com o Almeyda. No banco, Seedorf e Pirlo (ambos Inter, hoje ambos Milan). - Falta o ataque.
- Escolho Vieri, Ronaldo Fenómeno e Boksic, que andava sempre lesionado mas quando jogava, vai lá vai. Tinha cá uma força. Deixo de fora, Adriano, Salas, Crespo...
- E quem treinaria esta equipa?
- Tive tantos bons. Cúper, responsável pela minha chegada ao Inter, Malesani, Sacchi. Escolho o Sacchi, que treinou o Parma, por tudo aquilo que representa para o futebol mundial, por tudo aquilo que ainda é para os italianos. É o Sacchi, definitivamente.
- E o Eriksson?
- Sim, pensei nele. É um 'gentleman'. Mas prefiro o Sacchi. Com Eriksson, joguei a época inteira e fui suplente na final da Taça das Taças. Sabe porquê? Porque ele gostava muito do Mancini e este andava quase de braço dado com o Mihajlovic, ao ponto de ter sido seu adjunto no Inter. Ora, o Mihajlovic era o melhor amigo do Stankovic, agora no Inter. Nessa final, adivinhe quem jogou? Stankovic, pois claro! Eu, banco! Eriksson é um 'gentleman' mas não alinho com pessoas que fazem panelinha com os outros. É igual ao Scolari.
- Então?
- Agora, não tenho tempo para isso.
- Para isso, o quê?
- Para o Scolari. Se lhe contasse coisas sobre ele, nunca mais saía daqui.
- Diga só uma, então.
- Só uma? Não posso! Não consigo! Como é que vou falar de um homem que chegou a Portugal, saiu daí sem ganhar nada e ainda é bem-visto? Dou valor é ao Queiroz, que ganhou dois títulos mundiais com os juniores. E também ao Humberto Coelho. Bolas, com ele, ganhávamos a dar espectáculo. Mas alguém duvida de que o Euro-00 foi o expoente máximo da geração de ouro? Alguém duvida? Não brinquem comigo!
- Com Scolari...
- Estive nove meses, mas a primeira reunião dos capitães - eu, Couto, Figo e Rui Costa - foi suficiente para o entender. Chamou-nos à parte e disse-nos que estava ali para treinar a Selecção e dar o salto para um grande europeu. Mas estamos a brincar ou quê? Mas que é isto? Um homem na Selecção, que deve ser um privilégio, o maior privilégio, e ele só pensava em sair para um grande da Europa. Mas brincamos ou quê? Falava em seriedade e disciplina. Aliás, afastou carismáticos, como Baía e João Pinto, com base na disciplina. Isso é tudo muito bonito, mas ele não aplicava a regra. Nos almoços da Selecção, a mesa dos jogadores é sempre maior que a dos treinadores, porque há mais jogadores que treinadores. Com o Scolari, não! A nossa tinha 18/20 pessoas. A dele era maior. Mas estamos a brincar? Mas estamos onde? Ele levava os amigos brasileiros, os amiguinhos da Nike. Sim, porque ele é patrocinado pela Nike e entre um jogador da Nike e um da Adidas, escolhia sempre o da Nike. Mas depois, lá vinha com a lengalenga da disciplina. Então mas eu, que nasci em Coimbra, em Portugal, deixo-me ficar? Numa situação destas, deixo de agir? Mas estamos onde, pá? Que é isto? Ele ganhou o quê? Foi a uma final em casa e perdeu-a (Euro-04). Mas há mais.
- Quem?
- O Dr. Merdaíl. Disse Merdaíl? Enganei-me. É Madaíl, Madaíl. Depois do fiasco do Mundial-02 (Portugal eliminado na fase de grupos por EUA e Coreia do Sul), escondeu-se atrás de uma carcaça, atrás de um campeão do mundo (o Brasil venceu esse Mundial-02, com Scolari a seleccionador). Isso é atirar areia para os olhos dos outros. Desculpe lá, mas apetece-me partir a loiça toda. Nasci aí, em Portugal, e não aceito que arruínem o nosso futebol.
«10 Curiosidades»:
- ganhou a Bota d’Ouro do campeonato belga, depois de ser considerado o melhor jogador da época 2004/2005;
- estreou-se na Selecção nacional em Novembro de 1996, num jogo em que Portugal ganhou (1-0) à Ucrânia;
- fez um «hat-trick» no jogo em que Portugal derrotou a Alemanha, no Euro 2000;
- em sua homenagem existe o Estádio Sérgio Conceição, em Taveiro, Coimbra;
- foi lançado pelo actual treinador do Benfica, Jorge Jesus, na estreia do Felgueiras na Primeira Divisão, em 1995;
- foi titular numa Lázio campeã de Itália, e onde despontavam nomes como Alessandro Nesta, Sensini, Fernando Couto, Simeone, Almeyda, Nedved, Stankovic, De la Peña, Mihajlovic, Boksic, Mancini, Vieri, Véron, Marcelo Salas ou Ravanelli...
- protagonizou um caso polémico de agressão a um árbitro, que lhe valeu uma punição de alguns meses quando representava o Standard de Liége;
- passou 11 anos da sua carreira a jogar no estrangeiro;
- no jogo de estreia pela Lazio, foi o grande responsável pela vitória sobre a Juventus, na Supertaça italiana, marcando o golo da vitória aos... 93 minutos!
- o seu treinador preferido é o italiano Arrigo Sacchi;
Em cima, recuperámos algumas fotos que ilustram alguns momentos do percurso de Sérgio Conceição enquanto jogador. Destaque para 3 fotos: onde surge com a Bota d'Ouro (melhor jogador do campeonato belga); ao lado de Michel Preud'homme, no dia da sua apresentação como jogador do Standard; e na última, a despedir-se dos adeptos do PAOK, com uma vénia!

sexta-feira, 13 de Novembro de 2009

À espera do FC Porto 2009/10

Fez na passada semana (dia 5 de Novembro) um ano que o FC Porto venceu (1-2) em Kiev, em jogo da 4ª jornada da Liga dos Campeões 2008/09, e afastou definitivamente os receios que colocavam em causa o percurso da equipa no início da época.
Um ano depois, o que mudou? Pouco, mas o suficiente para haver agora muito mais dúvidas sobre o valor da equipa do que havia há um ano atrás. Naquela altura, o futebol que o FC Porto praticava também não entusiasmava (a equipa vinha de 3 derrotas consecutivas!) e parecia não haver saída para a depressão que se seguiu às derrotas com Dinamo de Kiev, Leixões e Naval. A solução para regressar às vitórias passou por 3 jogadores: Lucho Gonzalez, Lisandro Lopez e... Pedro Emanuel (Raúl Meireles tinha razão quando dramatizou a sua saída)!
A cumplicidade entre os dois argentinos garantiu os golos, enquanto que a voz de comando do central português garantiu o equilíbrio defensivo (apesar de durante esse período Pedro Emanuel ter sido adaptado a defesa-esquerdo). Foi com esses alicerces que o FC Porto 2008/09 entrou numa dinâmica de vitória que só terminou no Jamor, na final da Taça de Portugal.
Este ano, Jesualdo Ferreira está convencido que esse "renascimento" voltará a acontecer e que «a equipa atingirá patamares superiores». No entanto, os pilares do FC Porto 2008/09 já cá não estão. Resta o inconformismo de Bruno Alves e... pouco mais!
Além disso, o tempo não corre a favor de Jesualdo Ferreira, pois a concorrência está mais forte do que na época passada, ou seja, a margem de erro é agora muito menor.
Neste momento, é no meio-campo que residem os maiores problemas do FC Porto 2009/10. Para essa zona do campo, a falta de soluções (e de qualidade!) é gritante. Freddy Guarín, Mariano Gonzalez e Tomás Costa (custaram mais de 3 milhões de euros cada um!) não têm capacidade para fazer esquecer um jogador como Lucho Gonzalez. Ainda assim, é um pouco incompreensível que, no seu conjunto, a equipa (e o treinador!) não consiga camuflar a saída de 'El Comandante'.
Actualmente, Belluschi (em baixo, na foto, ao serviço do Olympiakos) é o único que pode retirar o meio-campo do FC Porto da vulgaridade. Mesmo sendo um jogador fisicamente frágil (os barcelonistas Messi, Xavi e Iniesta também são!) e que é "obrigado" a desgastar-se em tarefas defensivas, o médio argentino pode ser muito útil se jogar no seu 'habitat' natural, naquela zona próxima da área adversária onde melhor pode aplicar o seu remate fácil e precisão de passe.
Curiosamente, foi com o ex-jogador do Olympiakos em campo que o FC Porto realizou as melhores exibições da época até ao momento (vitórias sobre Nacional, Leixões, Sporting, At. Madrid e Olhanense). Sendo assim, para quê insistir nos "pesos-pesados" Freddy Guarín e Mariano Gonzalez?
Mesmo sabendo que o FC Porto não tem o hábito de recorrer ao mercado de Inverno para resolver problemas imediatos, essa solução começa a ganhar cada vez mais consistência (fala-se de Quaresma, para nós um "remendo" caro e com caprichos difíceis de tolerar!).
A titularidade de Belluschi (Valeri, em défice físico, ainda não conta) não vai resolver todos os problemas da equipa, pois o argentino não pode substituir de uma assentada 4 jogadores: três que garantiam qualidade superior (Lucho Gonzalez, Lisandro Lopez e Cissokho) e um que garantia o carisma e o equilíbrio no balneário (Pedro Emanuel).
Há uma responsabilidade a assumir - e não apenas da parte do Professor - de quem é «tetracampeão» e realiza boas campanhas na 'Champions'. Neste momento, é fácil concluir que o FC Porto não se reforçou à medida das suas ambições e prestígio.

«Curiosidades FCP» - A estreia da dupla Futre-Gomes no 'México 86'

Aproveitando a presença de Portugal no «play-off» de acesso ao próximo Campeonato do Mundo, recordamos hoje a estreia da dupla Futre-Gomes no «onze» inicial da Selecção portuguesa que disputou a fase final do Mundial 'México 86'.
O seleccionador nacional de então, José Torres, começou por utilizar apenas Fernando Gomes na frente de ataque de Portugal, com o Bi-Bota d'Ouro a ter o apoio de 5 (!) médios: André, Sousa, Carlos Manuel, Diamantino e Jaime Pacheco. Curiosamente, e apesar de terem sido ambos utilizados logo no jogo de estreia na competição, frente à Inglaterra (de Bobby Robson), Futre e Gomes não se cruzaram no relvado do Estádio Tecnológico (Monterrey), pois o antigo nº 9 do FC Porto cedeu o seu lugar precisamente a Paulo Futre, aos 73 minutos de jogo, um pouco antes de Carlos Manuel apontar o único golo dessa partida (vitória de Portugal, por 1-0).
No segundo jogo, Futre e Gomes voltaram a não ter oportunidade de jogar em simultâneo, pois Torres optou por fazer exactamente a mesma substituição que tinha efectuado no jogo frente à Inglaterra. A única diferença é que a troca entre Gomes e Futre se deu logo ao intervalo.
Gomes ficou no balneário e Futre ficou sozinho na frente de ataque portuguesa. Nessa ocasião, a troca acabou por não resultar, pois a Polónia (de Mlynarczyk) venceu essa partida (1-0, golo de Smolarek, aos 68 minutos), que marcou a primeira derrota de Portugal na prova.
A estreia no «onze» da fantástica dupla do FC Porto ocorreu no último jogo de Portugal na competição, frente à Selecção de Marrocos. Nesse jogo, disputado em Guadalajara, a mais de 1600 metros acima do nível do mar, o seleccionador nacional optou por retirar do «onze» um centro-campista (Diamantino) e colocar Paulo Futre ao lado de Fernando Gomes.
Apesar de um empate ser suficiente para garantir a qualificação das duas selecções para os Oitavos-de-final, Portugal deixaria fugir a possibilidade de avançar para a fase seguinte ao ser derrotada (1-3) frente à frágil selecção marroquina.
Lamentavelmente, as derrotas portuguesas na prova não tiveram apenas como causa os maus desempenhos em campo, pois o célebre 'caso Saltillo' (uma rebelião, seguida de ameaça de greve, que marcou a estadia dos jogadores portugueses na cidade mexicana de Saltillo) terá condicionado toda a preparação da equipa para o jogo decisivo frente a Marrocos.
Além de terem ameaçado fazer greve se os prémios de jogo não fossem aumentados, os jogadores portugueses também se queixaram de serem obrigados a fazer publicidade para empresas (a Adidas e a cerveja Cristal, entre outras) que tinham contratos com a Federação e não receberem qualquer remuneração adicional em troca.
Apesar da polémica, todos os jogadores portugueses mantiveram o propósito de participar nos 3 jogos da 1ª fase. Contudo, a dupla Futre-Gomes só seria utilizada no «onze» inicial de Portugal no jogo que marcou o adeus da Selecção ao Mundial.
Segundo relatos da época, José Torres pretendia que Futre assumisse o papel de «arma secreta», ou seja, o seleccionador deixou logo bem claro que a dupla do FC Porto não teria muitas oportunidades de repetir no México as exibições que encantavam os adeptos portistas na liga portuguesa e na Europa. Mais tarde, veio-se a saber que a dupla Futre-Gomes não jogava junta para se obter um equilíbrio entre os jogadores dos 'três grandes' e evitar conflitos no balneário.
De facto, é um pouco inexplicável que Futre e Gomes não tenham sido utilizados mais cedo no «onze» da Selecção. A dupla do FC Porto coleccionava golos na liga portuguesa e havia sido fundamental nos dois títulos (1984/85 e 1985/86) que o FC Porto conquistara durante a fase de qualificação para o 'México 86'.
Depois do regresso a Portugal, José Torres acabou por se demitir e ser substituído por Rui Seabra, enquanto que a maior parte dos jogadores que ameaçaram fazer greve foram excluídos dos jogos seguintes da Selecção, incluindo os jogos de apuramento para o Campeonato da Europa de 1988.
Felizmente, a dupla Futre-Gomes ainda teve oportunidade de realizar mais uma época ao serviço do FC Porto. A extraordinária cumplicidade entre os dois jogadores foi fundamental na caminhada que levou o FC Porto à final da Taça dos Clubes Campeões Europeus, em Viena.
Em cima, recuperámos duas fotos onde surgem Fernando Gomes e Paulo Futre em acção nos jogos frente a, respectivamente, Inglaterra e Marrocos.
Em baixo, recuperámos o «onze» que defrontou a selecção marroquina no último jogo de Portugal no 'México 86'.
Em cima (da esq. p/ dta): Frederico, Jaime Magalhães, Oliveira, Álvaro e Vítor Damas;
Em baixo (da esq. p/ dta): Inácio, Jaime Pacheco, Sousa, Fernando Gomes, Paulo Futre e Carlos Manuel;

domingo, 8 de Novembro de 2009

O Rei vai nu!

Pela primeira vez nesta época estive tentado a mudar de canal durante uma transmissão televisiva de um jogo do FC Porto. Motivo: a equipa não conseguia construir uma jogada com princípio, meio e fim. Foi só biqueirada prá frente!
«A onda está a crescer» e «a equipa vai atingir patamares superiores», foram estas as principais frases a reter do discurso de Jesualdo Ferreira nas últimas conferências de imprensa que antecederam os jogos do FC Porto. Percebe-se que o Professor queira motivar e contagiar os jogadores com este tipo de discurso. No entanto, a equipa neste momento parece precisar mais de treinar e ganhar automatismos do que ouvir um discurso optimista do seu treinador. Ou seja, talvez Jesualdo Ferreira se deva antes concentrar naquela que é a sua grande aptidão e virtude, o treino diário! E mesmo assim isso pode não ser suficiente, pois como se viu hoje, até uma equipa do meio da tabela, como o Marítimo, tem um meio-campo mais criativo que o do FC Porto.
E adivinhem a quem recorreu hoje o Professor para tentar mudar o rumo dos acontecimentos? A Mariano Gonzalez! O FC Porto tinha apenas 45 minutos para alterar um resultado que lhe era desfavorável e recorreu a um jogador com fisionomia de guarda-redes de Andebol. Está tudo doido!
Tal como tinhamos referido após o jogo frente ao APOEL, a vitória do FC Porto a meio da semana ficou mais a dever-se às fragilidades do seu adversário do que a uma suposta evolução no jogo da equipa. Aliás, a derrota (0-3) do Belenenses nesta jornada da Liga prova que a exibição e o resultado (1-1) da semana passada no Dragão se ficou totalmente a dever ao futebol cheio de equívocos do FC Porto. E quando se pensava que esse jogo tinha marcado a pior exibição da época, eis que a equipa nos brinda com um jogo a roçar a mediocridade. Agora sim, Lucho Gonzalez está mesmo a deixar saudades. E pensar que 'El Comandante' foi vendido por apenas 18 milhões de euros! O 'Paixão pelo Porto' não exagerou quando dramatizou a sua saída. Mas mais grave do que isso é o facto do FC Porto não ter encontrado um substituto que possa assegurar a posse de bola a meio-campo (mas continuamos a julgar que Belluschi tem esse perfil).
Neste momento, o lugar (3º) que a equipa ocupa na tabela classificativa começa a ser lisonjeiro tendo em conta o (mau) futebol que tem apresentado. O FC Porto joga feio!
A verdade é que começam a ser demasiados pontos desperdiçados para quem quer discutir o título com um Benfica cheio de entusiasmo e um Sp. Braga super-consistente.
Este FC Porto só melhora o seu jogo se for ao mercado de Inverno contratar um ou dois jogadores que se sintam à vontade na posse da bola. Com um meio-campo cheio de "operários" e com pontapé prá frente não vamos lá!
Positivo:
- o inconformismo de Bruno Alves;
Negativo:
- Jesualdo Ferreira (aquela inovação táctica de colocar, em simultâneo, Falcão e Farías dentro da área é a melhor solução que o Professor tem para oferecer?);
- a postura do FC Porto durante a primeira-parte;
- Sapunaru (nunca teve a ajuda de Guarín!), pelos inúmeros cruzamentos que permitiu aos seus adversários;
- Hulk, por insistir em não querer aprender os 'timings' de prender/largar a bola;
- Rodriguez e Guarín, por recorrerem demasiado à força e ao individualismo quando o jogo pedia lucidez e clarividência;

«Curiosidades FCP» - A estreia de Cubillas no 'Argentina 78'

O 'Paixão pelo Porto' vai continuar a recordar determinados momentos da carreira de alguns jogadores que representaram o FC Porto. Hoje, recuamos à estreia de Teófilo Cubillas no Campeonato do Mundo de 1978, disputado na Argentina. Apesar de nessa altura o perúano já não representar o FC Porto (Cubillas deixou as Antas dois anos antes, precisamente numa altura em que a sua selecção iniciou a disputa das eliminatórias sul-americanas de acesso à competição), a sua passagem pelo clube foi tão marcante que manteve os adeptos do FC Porto atentos à sua carreira.
Com a ajuda de uma crónica de um jornalista perúano, vamos recordar o jogo de estreia de Cubillas naquela competição. O Perú defrontou a favorita selecção escocesa (de Kenny Dalglish!) logo na 1ª jornada da prova. Aqui ficam alguns excertos do texto do cronista perúano que assistiu a essa partida:
«Estábamos concientes que algo muy importante se estaba desarrollando en la Argentina, Perú volvía a participar en un Mundial de fútbol después de ocho largos años, en un partido contra Escocia televisado para todo el mundo. Debo ser sincero: fui al estadio de Córdoba totalmente convencido de que Escocia le ganaría a Perú.»
«...Paulatinamente se fue parando Kenny Dalglish en su rotación por el frente del ataque y Teófilo Cubillas comenzó a tomar confianza, haciendo un juego más corto en base a paredes con Cueto y La Rosa.»
«...Todo el mundo vio y se dio cuenta que Teófilo Cubillas era el hombre de más peso en el equipo peruano. No entiendo cómo el señor Mac Leod no hizo algo por anularlo.»
«...La solvencia de Quiroga, el talento de Cubillas, la inteligencia de Cueto, la frialdad de todo el equipo. Perú asombraba al mundo futbolístico otra vez, como ya lo había hecho en México 70.»
«...Y dejo para lo último al mejor jugador del campo: Teófilo Cubillas. Hizo todo. Desde generar fútbol hasta concretarlo en gol. Podría escribir muchas líneas sobre él y su actuación. Pero creo que hay una frase que lo define mejor: volvió a ser el Cubillas del 'Mundial 70', un jugador de toda la cancha que hasta ahora cumplió la mejor actuación que he visto en este Mundial.»
«...Teófilo Cubillas es su nombre. 29 años. Del Alianza Lima. Y lleva en su espalda el número que desde siempre ha venido identificando a los grandes: el 10. Entero, fuerte, sereno, imaginativo,...»
«...Y el hamaque, la finta, la pisada, el toque, la viveza para estar paradito alli donde no hay nadie, la firmeza para aguantar el choque. Todo. Hasta el remate maravilhoso del segundo gol. Hasta el derechazo impecable, sorprendente, poco menos increible del tiro libre que se convirtió en el tercero. Es peruano. Es latinoamericano. Pero es del mundo porque juega al fútbol. Teófilo Cubillas es su nombre.»
Depois de vencer (3-1) a Escócia, a Selecção do Perú empatou (0-0) com a Holanda e venceu (4-1) o acessível Irão, terminando a 1ª fase da competição no primeiro lugar do Grupo 4. No entanto, a aventura perúana terminaria logo na fase seguinte, pois o Perú seria sorteado no mesmo grupo das super-favoritas selecções do Brasil e da Argentina. Como consolação, os perúanos viram Teófilo Cubillas sagrar-se um dos melhores marcadores da prova, com 5 golos (o ex-nº 10 do FC Porto só foi superado pelo argentino Mario Kempes, que apontou 6 golos na competição).
Em cima, nas fotos, recuperámos alguns momentos da estreia de Cubillas nesse Mundial. A 1ª foto capta o preciso momento em que o ex-nº 10 do Perú ultrapassa o guarda-redes Alan Rough e empurra a bola para a baliza escocesa, concretizando o segundo golo do Perú nessa partida («La pose dominante de Teófilo Cubillas con el arquero Rough en el suelo. Sus dos golazos le dieron una victoria resonante al Perú»);
Na 2ª foto, o perúano surge abraçado aos seus companheiros após o magnífico livre directo que marcou e do qual resultou o terceiro golo do Perú nessa partida; E na última foto, vemos o histórico ex-jogador do FC Porto a trocar de camisola com o mítico Kenny Dalglish, no final do jogo.
Aqui ficam os «onzes» e os marcadores dessa partida:
Estádio Olímpico de Córdoba (37 927 espectadores), 3 de Junho de 1978
Árbitro: Ulf Eriksson (Suécia)
Perú: Ramon Quiroga, Jaime Duarte, Rodolfo Manzo, Hector Chumpitaz, Toribio Diaz, Jose Velasquez, Cesar Cueto (Percy Rojas aos 82'), Juan Munantem, Teofilo Cubillas, Juan Oblitas e Guillermo La Rosa (Hugo Sotil aos 62');
Escócia: Alan Rough, Martin Buchan, Stuart Kennedy, Thomas Forsyth, Kenneth Burns, Bruce Rioch (Archie Gemmill aos 70'), Don Masson (Lou Macari aos 70'), Asa Hartford, Kenny Dalglish, Joe Jordan e William Johnston;
Golos: Joe Jordan aos 14', Cesar Cueto aos 43', Teófilo Cubillas aos 72' e aos 77';

terça-feira, 3 de Novembro de 2009

O regresso da ave de rapina!

São 4 épocas de Jesualdo no Dragão e 4 qualificações consecutivas do FC Porto para os Oitavos-de-final da Liga dos Campeões. E desta vez, foi logo à 4ª jornada. Nada mau!
A jornada de hoje da 'Champions' acabou por ser bem generosa para o FC Porto. Além de não ter realizado uma grande exibição (o resultado foi bem melhor!), o FC Porto ainda viu o At. Madrid empatar com o Chelsea (o efeito Quique Flores ainda não é suficiente para derrotar os londrinos), ou seja, esse resultado garante-lhe a qualificação para a próxima fase e, ao mesmo tempo, deixa-lhe margem para discutir o primeiro lugar do grupo com o Chelsea.
Hoje, a exibição do FC Porto não foi muito diferente das dos últimos jogos. Houve um pouco mais de entrega e alegria, mas isso terá ficado mais a dever-se às características da competição e ao perfil do adversário do que às alterações que Jesualdo promoveu no «onze». A máquina continua pouco oleada! O que não deixa de ser irónico é que, mesmo assim, o FC Porto já está qualificado para os Oitavos da 'Champions' e mantém o objectivo do 'Penta' bem ao seu alcance, ou seja, continua a haver margem para melhorar.
Quanto ao APOEL, apesar de ser uma equipa demasiado previsível para competir numa prova como a 'Champions', mostrou que é uma formação organizada e unida. No jogo de hoje, só não criaram mais dificuldades ao FC Porto porque os níveis físicos da equipa não o permitiram. O APOEL só durou 60 minutos!
Agora, o FC Porto pode colocar todas as energias na discussão da Liga portuguesa e enfrentar o Chelsea sem qualquer pressão adicional.
É curioso que, durante o 'reinado' de Jesualdo Ferreira, o FC Porto tem discutido sempre a liderança do grupo com equipas inglesas. Na época passada e em 2006/07 discutiu o primeiro lugar do grupo com o Arsenal, enquanto que em 2007/08 o adversário foi o Liverpool. E a verdade é que o FC Porto não se tem dado nada mal com essa discussão, pois foi duas vezes primeiro classificado do grupo e apenas uma vez segundo (em igualdade pontual com o Arsenal). Desta vez, será o Chelsea a pôr à prova o (bom) hábito dos «tetracampeões».
Mas também haverá outros motivos de interesse na visita dos londrinos à Invicta, pois além de possibilitar o reencontro com 5 (!) jogadores (Hilário, Ricardo Carvalho, Paulo Ferreira, Bosingwa e Deco) que já representaram o FC Porto, esse jogo também vai marcar o regresso de Deco ao Dragão com a camisola de outro clube vestida (estamos certos que o público lhe vai dispensar uma grande ovação!). Por tudo isso, venha daí o Chelsea!
Positivo (+):
- o espírito de sacrifício de Raúl Meireles;
- a lucidez e serenidade de Sapunaru a defender;
- a confiança e forma física de Guarín;
- Falcão, não só pelo golo mas também pela contagiante entrega ao jogo;
- a forma autoritária como Bruno Alves e Rolando defenderam;
- a entrada de Tomás Costa;
Negativo (-):
- a falta de eficácia de Hulk na finalização;
- as dificuldades do meio-campo do FC Porto em servir os avançados;

«Curiosidades FCP» - O FC Porto de Fernando Riera

Hoje, nas «Curiosidades FCP», vamos recuar a uma das épocas do longo jejum de 19 anos que o FC Porto atravessou sem vencer o campeonato nacional. Recordamos a época 1972/73, que ficou marcada por nova tentativa de, através de mais um treinador conceituado, devolver o FC Porto aos títulos.
Nessa época, o escolhido da direcção já liderada por Américo de Sá foi o chileno Fernando Riera (em cima, na foto). Este carismático técnico sul-americano chegou ao FC Porto depois de já ter orientado outros dois clubes portugueses, o Belenenses e o Benfica (levou o nosso maior rival a uma final da Taça dos Clubes Campeões Europeus, em 1962/63).
No FC Porto, a «travessia do deserto» já se prolongava por 13 anos (desde o título com Béla Guttmann, em 1958/59) e as experiências com técnicos conceituados sucediam-se sem qualquer sucesso. Otto Glória, Flávio Costa, Elek Schwartz e Tommy Docherty, entre outros, foram alguns dos treinadores que entretanto tinham passado pelo clube sem conseguirem o tão desejado título nacional. Assim, as esperanças dos adeptos portistas viraram-se para o homem que orientava o Boca Juniors (Argentina).
Riera havia sido o primeiro futebolista chileno a jogar na Europa (Stade de Reims e FC Rouen) e a sua experiência como técnico era uma garantia para os responsáveis do FC Porto, que estavam dispostos a oferecer cerca de 1000 contos por ano ao chileno para orientar a equipa.
No entanto, para reconquistar o título, ao FC Porto não bastava contratar um técnico conceituado, pois necessitaria também de superar o Benfica, de Humberto Coelho, Toni, Simões, Nené, Artur Jorge e Eusébio, entre outros.
Para responder a esse fortíssimo plantel encarnado, o FC Porto também teve necessidade de ir ao mercado. Flávio (em cima, na foto) tinha chegado ao clube na época anterior e, nessa altura, era uma das estrelas da Selecção do Brasil. O avançado brasileiro havia sido contratado ao Fluminense, por 2375 contos, um valor altíssimo para a época, mesmo para os mais abastados clubes europeus. Ainda assim, a sua influência foi notória, sagrando-se o melhor marcador do FC Porto no campeonato, com 21 golos, e formando com Abel (em baixo, na foto) uma das melhores duplas de ataque do FC Porto durante toda a década de 70.
A época do FC Porto começaria de forma auspiciosa com uma surpreendente dupla vitória sobre o Barcelona, em Setembro, na 1ª eliminatória da Taça UEFA. Na 1ª mão, o FC Porto superiorizou-se aos catalães com uma vitória por 3-1 (2 golos de Abel e 1 golo de Flávio), enquanto que no segundo jogo, o 'Barça' seria surpreendido no 'Camp Nou' com nova vitória do FC Porto, desta vez por 1-0 (golo de Abel).
No entanto, tudo mudou quando o FC Porto visitou a Luz, a 5 de Novembro de 1972. Depois de estar a vencer por 0-2, o FC Porto permitiria que o seu maior rival desse a volta ao marcador e vencesse por 3-2! No final, Fernando Riera não continha a insatisfação com o trabalho do juiz da partida: «só fomos derrotados pelas incongruências do árbitro!».
Depois disso, o FC Porto nunca mais se encontrou, acabando por perder preciosos pontos que o Benfica, de Jimmy Hagan, tratou de aproveitar. Ainda assim, ficou a consolação do FC Porto ter sido a primeira equipa a obrigar o Benfica a perder pontos na prova. Foi na 24ª jornada, quando os benfiquistas visitaram as Antas e não foram além de um empate (2-2).
Depois do descalabro no campeonato (o FC Porto terminaria a prova no 4º lugar, atrás de Benfica, Belenenses e Vit. Setúbal), seguiu-se a eliminação das provas europeias. Apesar de ter eliminado o Barcelona e o Brugge, nas duas primeiras eliminatórias da Taça UEFA, o FC Porto deixaria a competição nos Oitavos-de-final, com uma dupla derrota frente ao Dynamo de Dresden, da ex-RDA.
Consumada a eliminação das provas europeias e o afastamento precoce da luta pelo título, para o 'FC Porto de Fernando Riera' sobrava apenas a Taça de Portugal, que terminaria em Maio, com uma embaraçosa eliminação nos Quartos-de-final da prova, frente ao Farense (1-0).
No final da época, acabou por haver muito pouco que o FC Porto pudesse recordar. De consolação, sobrou apenas a fantástica cumplicidade que a dupla Flávio-Abel conseguiu atingir. No campeonato, estes dois avançados foram responsáveis por 38 dos 56 golos que o FC Porto apontou na prova (Flávio marcou 21 golos e Abel apontou 17).
Uma curiosidade: Abel e Flávio foram responsáveis por todos os golos que o FC Porto marcou naquela edição de 1972/73 da Taça UEFA. Abel marcou 3 golos ao Barcelona, 3 golos ao Brugge e 1 golo ao Dynamo de Dresden, enquanto que o seu colega de sector marcou por uma vez ao Barcelona e por duas vezes ao Brugge. No total, a dupla de ataque do FC Porto apontou 10 golos naquela edição da prova. Notável!
Apesar da época do FC Porto ter sido sofrível, também foi nesse ano que o clube começou a ver o talento de Pavão reconhecido no estrangeiro. Algo surpreendentemente, o Manchester United colocou o centro-campista do FC Porto na lista de futebolistas que eram hipóteses para substituir o carismático Bobby Charlton (julgo que nos dias de hoje, o perfil de Pavão seria certamente muito apreciado pelo actual técnico do United, Sir Alex Ferguson).
Quanto a Fernando Riera, deixaria o FC Porto no final dessa época para representar o Deportivo da Corunha. Bela Guttmann, o responsável pelo último título, foi o escolhido para substituir o chileno.
Em cima, na foto, recuperámos um dos «onzes» que Fernando Riera utilizou naquela época.
Em cima (da esq. p/ dta): Guedes, Pavão, Valdemar, Rolando, Gualter e Rui;
Em baixo (da esq. p/ dta): Celso, Abel, Flávio, António Oliveira e Malagueta;

sábado, 31 de Outubro de 2009

É só pontapé prá frente!

Há umas semanas atrás, tinhamos aqui referido que, perante o favorável calendário que lhe estava reservado (com 6 jogos no Dragão e apenas 1 fora de casa!), não haveria desculpas para o FC Porto não entrar numa dinâmica de vitória. Isso foi uma realidade, pois nesses últimos 7 jogos o FC Porto conseguiu 6 vitórias e apenas 1 empate. No entanto, a qualidade de jogo do FC Porto foi diminuindo à medida que este pequeno ciclo de jogos se aproximava do fim. Além disso, a equipa nunca conseguiu realizar uma daquelas exibições de "encher o olho" (apesar de, durante esse período, a vitória sobre o At. Madrid ter sido importante e inequívoca).
Curiosamente, a única partida que o FC Porto realizou fora de casa (vitória em Olhão, por 0-3) foi aquela em que a sua dinâmica de jogo foi mais constante e também foi aí que o FC Porto se sentiu mais confortável com os seus princípios de jogo. Ou seja, o FC Porto 2009/10 vai continuar a expor alguns dos seus defeitos nos jogos realizados no Dragão e a guardar grande parte das suas virtudes para os jogos fora de casa. Nas épocas anteriores resultou! E agora?
Hoje, no jogo frente ao Belenenses, a equipa pregou mais uma rasteira no discurso do «processo de crescimento» em que Jesualdo Ferreira tem insistido durante as suas conferências de imprensa. Foi o pior jogo da época até ao momento!
Mas o que aconteceu hoje não foi nada que não se adivinhasse depois das fraquinhas exibições frente ao APOEL e frente à Académica. O FC Porto andava-se a pôr a jeito!
Os optimistas vão dizer que nas últimas épocas o FC Porto atravessou sempre estes períodos de indefinição e que, ainda assim, conseguiu chegar ao fim em primeiro. No entanto, além de nesta época as circunstâncias serem completamente diferentes, também não é admissível que a equipa mostre tantas dificuldades para vencer um adversário que se apresentou no Dragão com 3 defesas adaptados (Mano, Diakité e Barge) e que viu o 'patrão' da sua defesa (Rodrigo Arroz) sair do jogo lesionado ainda durante a primeira-parte.
Ainda assim, tudo isso seria atenuado se o FC Porto tivesse criado oportunidades de golo e estivesse a jogar bem. O futebol que a equipa está a praticar é demasiado básico, especialmente nos jogos disputado em casa. Inadmissível numa SAD com um orçamento para o Futebol superior a 81 milhões de euros!
Julgo que, tal como na época passada, o jogo do FC Porto só vai ser empolgante em alguns jogos disputados longe do Estádio do Dragão. Apesar do nosso próximo jogo na Liga ser na Madeira, frente ao Marítimo, e de se realizar após mais uma desgastante jornada europeia (em Chipre, frente ao APOEL), é provável que o FC Porto se sinta mais confortável a jogar no 'Caldeirão' do que se sentiu nos últimos jogos realizados no Dragão frente a equipas demasiado defensivas.
Ainda assim, jogar fora de casa não será suficiente para vencer. Pelo que vimos hoje, alguma coisa vai ter que melhorar para ser possível derrotar os cipriotas e os madeirenses. Não basta despejar bolas para a área e esperar que Farías ou Falcão resolvam!
Positivo (+):
- a constante entrega ao jogo de Bruno Alves;
- Farías, pelo golo de difícil execução;
Negativo (-):
- o "chuveirinho" do FC Porto durante todo o jogo (foi quase um 'salve-se quem puder' com tanta bola bombeada sem qualquer nexo e convicção!);
- a táctica do FC Porto na segunda-parte (que confusão!);
- aquela pequena desatenção de Álvaro Pereira, que colocou Lima "em jogo" no lance do golo do Belenenses;
- Jesualdo Ferreira, o maior responsável pelo actual futebol trapalhão e cheio de equívocos tácticos do FC Porto (alguém acredita que a equipa está a crescer?);

O «cromo do dia» - Fernando Gomes

O Armando Pinto voltou a aceitar o meu desafio e desta vez enviou-me um texto sobre o "outro Fernando Gomes do FC Porto", o ex-basquetebolista e actual administrador da SAD. Aqui fica o texto e algumas fotos de Fernando Gomes enquanto basquetebolista do clube.
"Fernando Soares Gomes da Silva, antigo e carismático basquetebolista do FC Porto, integrou a célebre equipa portista do tempo de Dale “Flash” Dover, em cujo ano da “revelação desse Flash”, a equipa foi sucessivamente vencedora do Campeonato Regional da ABP, Campeonato Metropolitano e Campeonato Nacional – formando conjunto com outros valores como Esteves, Babo, Benjamim, Leite, Gaspar, Portela, Manuel António, José Manuel, Ivo e Assunção.
Nascido em 21 de Fevereiro de 1952, praticante desde Juvenil na modalidade, como atleta do clube, começou o Fernando Gomes do “basquete” (como se dizia popularmente, então para distinguir do futebolista que já despontava nos juniores), por se distinguir ainda nas camadas jovens e ainda muito jovem ascendeu ao plantel sénior.
Tornou-se inicialmente conhecido e valorizado como “base” da equipa de basquetebol azul e branco, sobretudo na década de setenta, havendo então atingido posição de relevo na modalidade, a pontos de ter merecido honras de internacionalização, algo nesse tempo pouco habitual entre atletas da camisola listada das nossas cores alvi-anil…
No seu percurso como basquetebolista, foi galardoado em 1971 com o Troféu Pinga (distinção clubista, antecedente do Dragão de Ouro).
Foi um dos atletas de atracção no festival de inauguração do Pavilhão Gimnodesportivo das Antas, em 1973 - em cujo programa houve imposição de faixas aos campeões das diversas modalidades, entre as quais o basquete de Dover e Gomes - tendo ele integrado uma equipa universitária que defrontou a representação do FC Porto nessa jornada festiva, na materialização desse velho anseio que era o clube possuir casa própria para as modalidades amadoras, na chamada Cidadela Desportiva das Antas. Algo aí tornado possível com a contribuição associativa, cortejos de oferendas e diversas outras iniciativas de angariação de meios (entre os quais um sorteio monumental, a que respeita imagem de um bilhete respectivo, adquirido nesse tempo pelo autor destas linhas).
Gomes da Silva, como também era referido, foi campeão nacional em 1971/72, 1978/79 e 1979/80, nos títulos conquistados pelo FC Porto nessas eras, tal como em 78/79 esteve também na conquista da Taça de Portugal, pelo clube das Antas.
Economista formado, entretanto, exerceu funções como quadro superior na área administrativa do FC Porto, tendo depois, desde 1994, passado a Vice-Presidente da Direcção, bem como mais tarde passou a integrar o elenco de administradores do FC Porto – Futebol SAD.
De permeio, em 1996, recebeu o Dragão de Ouro respeitante à categoria de “Dirigente do Ano”. Como, em representação do clube, em 2004, foi nomeado membro do Comité Interclubes da UEFA."
Fontes: Jornal “O Porto” e livro “FC Porto – Figuras e Factos / 1893-2005”.
Armando Pinto
Em cima, na foto, recuperámos o plantel de Basquetebol do FC Porto da época 1971/72.
No 1º plano (da esquerda para a direita): Esteves, Alberto Babo, Benjamim, Alfredo Leite, Fernando Gomes e Gaspar;
No 2º plano (da esquerda para a direita): Dale "Flash" Dover, Portela, Manuel António, José Manuel, Ivo e Assunção;

terça-feira, 27 de Outubro de 2009

O pior meio-campo da 'era Jesualdo'?

Ao contrário do que se tem escrito e comentado, não é a ausência de Belluschi que está a condicionar o jogo do FC Porto. O mau futebol que a equipa apresentou nos últimos jogos é apenas consequência de uma opção (de Jesualdo ou da SAD?) por centro-campistas com características que um plantel de um clube como o FC Porto não deveria privilegiar.
O que têm em comum jogadores como Fernando, Freddy Guarín, Tomás Costa, Raúl Meireles, Mariano Gonzalez ou Cristian Rodriguez? São todos dedicados, é um facto, mas nenhum deles tem criatividade para, na posse da bola, poder servir com qualidade os avançados.
Sobram Belluschi e Valeri. O primeiro, quando inserido no actual quadro de jogadores que constituem o meio-campo do FC Porto, destaca-se naturalmente. Mesmo não sendo um típico nº 10, o ex-jogador do Olympiakos já parece quase imprescindível. Pudera, perante a força e músculo dos seus colegas de sector... Quanto a Valeri, nos poucos minutos que foi utilizado deu a sensação de ser um jogador inteligente na posse da bola, mas o argentino é, neste momento, um jogador sem ritmo e preso de movimentos. Ou seja, a sua intensidade de jogo ainda não se ajusta à do futebol europeu. Quando Belluschi não joga, o meio-campo do FC Porto torna-se vulgaríssimo. Nessa alturas, só correndo mais do que o adversário é que o FC Porto consegue "agarrar" no jogo. Um mau sinal, pois a 'inspiração' dos jogadores deveria ser suficiente para derrotar determinado tipo de adversários. Não é suposto um meio-campo de uma equipa como o FC Porto necessitar de utilizar a força e correr quilómetros para se impor ao seu adversário.
Com um meio-campo de músculo e 'transpiração' nunca vamos ver o FC Porto produzir grandes espectáculos quando actua no Estádio do Dragão. Perante adversários bem posicionados e extremamente defensivos, como se revelou a Académica no último Domingo, e sem um homem, como Belluschi, que possa efectuar um passe de ruptura ou garantir a posse da bola, os avançados do FC Porto bem podem desesperar por 'bolas para golo'.
Nessas circunstâncias, quem poderá servir a frente de ataque do FC Porto? O musculado Freddy Guarín? O desengonçado Mariano Gonzalez? O vulgar Tomás Costa? O "ausente" Raúl Meireles?... E pensar que o FC Porto já teve, em simultâneo, jogadores como Anderson, Ibson e Lucho no seu plantel!
O FC Porto de Jesualdo Ferreira já nos habituou a ser uma equipa que privilegia o futebol prático e sem aqueles rendilhados que, por vezes, só atrapalham o futebol de transições rápidas que o Professor aprecia. O problema é que no passado, além de ter tido centro-campistas que aliavam força e técnica (como Lucho e Anderson), o FC Porto não tinha a concorrência que esta época o Benfica lhe está a oferecer. Ou seja, em anos anteriores, aqueles empates no Estádio do Dragão, quando o FC Porto defrontava adversários demasiado "fechados", raramente faziam mossa, pois o FC Porto possuía sempre uma "almofada" pontual que lhe dava margem para desperdiçar pontos em sua casa.
Actualmente, o FC Porto já não se vai poder dar a esse luxo. Para quebrar barreiras defensivas demasiado densas é preciso criatividade. Não basta lançar Ernesto Farías a 20 minutos do final do jogo e esperar que o golo chegue aos trambolhões.
Talvez seja chegada a altura do FC Porto rever a sua política de contratações no que a centro-campistas diz respeito. Neste momento, só Belluschi se sente à vontade na posse da bola. Quanto aos outros, é só "partir pedra"!

A «foto do dia» - As 'caricaturas' do FC Porto 1955/56

Aproveitando a entrevista que os adeptos do Flamengo realizaram com Dorival Yustrich, e aqui publicada na semana anterior, hoje recordamos a equipa do FC Porto que venceu o campeonato nacional de 1955/56, numa altura em que o FC Porto era orientado por aquele carismático técnico brasileiro.
Na foto, surgem as caricaturas de alguns jogadores que contribuíram decisivamente para o regresso ao FC Porto aos títulos. O autor do 'cartoon' recuperou os 13 jogadores que Yustrich mais utilizou durante aquela campanha (os habituais suplentes Carlos Duarte e José Maria também foram muito utilizados nessa época).
Em baixo, pode ler-se: «Equipa de honra de Futebol do FC Porto - 1955/56, Glorioso Campeão Nacional»!

domingo, 25 de Outubro de 2009

Sofrível!

Aquele minuto 58', altura da entrada de Farías em campo, marcou o jogo de hoje. Apesar de se terem ouvido muitos assobios (a plateia do Dragão preferia a saída de Mariano Gonzalez em vez de Cristian Rodriguez), essa substituição foi fundamental, não por ter entrado Farías (a propósito, a sua postura continua irrepreensível!), mas por ter tido como consequência a alteração do sistema táctico ('4-3-3') com que o FC Porto iniciou o jogo.
Foi o ofensivo '4-2-4' que permitiu ao FC Porto quebrar aquela muito bem posicionada barreira defensiva da Académica. Essa foi uma opção com algum risco por parte de Jesualdo Ferreira, porque a Académica estava muito bem no jogo. Mas alargar a frente de ataque era a única solução para compensar a autêntica exibição aos trambolhões que o FC Porto estava a realizar. A partir daí surgiram os golos, que terminaram no período de compensação com a 'Briosa' a levar do Dragão uma inglória, mas justa, desvantagem de apenas um golo: 3-2!
Agora o jogo. Não era propriamente esta a exibição que esperávamos do FC Porto perante o último classificado da Liga. Hoje, voltou a não dar prazer ver o FC Porto jogar. A primeira-parte, então, foi miserável! Foram os piores primeiros 45 minutos da época. Nesse período, o FC Porto jogou sem pressão, sem criatividade, sem alegria,... Enfim, um primeiro tempo para esquecer. Nem um remate com convicção!
Mais uma vez, ficou notório o que tínhamos referido ainda antes do início da época. Sem um nº 10 com qualidade de passe e criatividade, o FC Porto tem muitas dificuldades em quebrar barreiras defensivas demasiado densas.
O desgaste da jornada europeia não pode ser usado como desculpa. Aliás, na primeira-parte a Académica nem precisou de realizar uma exibição rigorosa a nível defensivo, pois bastou-lhe colocar um grande número de jogadores em frente à sua área e jogar com as linhas muito próximas.
Se já tinhamos notado a ausência de Belluschi no jogo frente ao APOEL, isso hoje foi ainda mais evidente. O esquema que o Professor utiliza, privilegiando os centro-campistas com mais músculo do que criatividade, continua a ter muitas virtudes (os resultados das últimas épocas provam-no!), mas o FC Porto fica com o seu jogo de ataque mais condicionado sempre que defronta adversários demasiado "fechados" (Belluschi, volta depressa!).
Hoje, frente a Académica, o FC Porto demorou mais de 60 minutos para criar uma oportunidade clara de golo. Notou-se algum cansaço mental na equipa (natural depois do jogo da 'Champions'), mas isso deveria ter sido compensado com uma fluidez de jogo de uma equipa que já leva mais de 3 meses de trabalho pela frente. O FC Porto recorreu à 'transpiração' num jogo que pedia 'inspiração'.
Agora, será muito importante o FC Porto vencer os 3 jogos seguintes. Como nas próximas jornadas o nosso maior rival terá de disputar dois jogos complicados, frente a Sp. Braga (fora) e Sporting (fora), seria importante o FC Porto vencer os jogos que vai disputar, durante esse mesmo período, frente a Belenenses (casa), Marítimo (fora) e Rio Ave (casa).
Positivo (+):
- Mariano Gonzalez (terá sido apenas um intervalo nas constantes más exibições que vem realizando?);
- a perseverança e motivação do utilíssimo Ernesto Farías, que teima em marcar golos decisivos;
- a mudança táctica do FC Porto, para um arriscado, mas ambicioso, '4-2-4';
- a exigência dos adeptos, que assobiaram (e com razão!) a exibição do FC Porto;
Negativo (-):
- aqueles primeiros 60 minutos de jogo, com um FC Porto irreconhecível;
- o jogo desastrado de Hulk;
- a péssima qualidade de passe do FC Porto (foi apenas cansaço mental?);
- a lesão de Fucile, que passava um excelente momento de forma;

«Curiosidades FCP» - O 'tridente' Cubillas-Gomes-Oliveira

Hoje, recordamos um trio de jogadores que constituiu um dos melhores 'tridentes ofensivos' da história do FC Porto e do futebol português: Teófilo Cubillas, Fernando Gomes e António Oliveira.
Este trio de ataque foi determinante no futebol ofensivo que o FC Porto privilegiou a meio da década de 70, ou seja, imediatamente antes do clube regressar aos títulos, em 1976/77.
Apesar de Oliveira e Cubillas já representarem o FC Porto em 1973/74, foi apenas na época seguinte que se lhes juntou Gomes. Ou seja, a época 1974/75, além de ter sido especial para o miúdo Fernando Gomes (aos 18 anos já era titular do «onze» do FC Porto), também foi marcante para aquele trio de jogadores. Foram duas épocas e meia em que Cubillas, Gomes e Oliveira jogaram juntos na frente de ataque do FC Porto, desde o início da época 1974/75 até meio da época 1976/77, altura em que Teófilo Cubillas deixou o FC Porto para regressar ao "seu" Alianza Lima, do Perú.
O 'tridente' Cubillas-Gomes-Oliveira começou por ser utilizado no FC Porto pelo técnico brasileiro Aymoré Moreira, que acabou por não comandar a equipa até final da época, sendo substituído por Monteiro da Costa já muito perto do final do campeonato. Nesse ano, o FC Porto foi 2º classificado a apenas 5 pontos do Benfica. Ainda assim, o FC Porto igualou o seu maior rival em número de golos marcados na competição (62), tendo o trio Cubillas-Gomes-Oliveira contribuído com mais de metade daquela soma (35 golos).
Fernando Gomes, logo na sua época de estreia nos séniores do FC Porto, marcou 14 golos no campeonato, enquanto que Oliveira e Cubillas apontaram, respectivamente, 12 e 9 golos. De referir também que o surpreendente Lemos, com 13 golos, também foi importante para aquela marca de 62 golos apontados pelo FC Porto na liga.
Na época seguinte (1975/76), o trio Cubillas-Gomes-Oliveira atingiria o seu melhor registo a nível da concretização. Curiosamente, foi nesse ano que o FC Porto registou a sua pior classificação na liga durante o período em que aqueles três jogadores representaram o clube.
Nessa época, o FC Porto, de Branko Stankovic (até à 18ª jornada) e Monteiro da Costa, foi 4º classificado no campeonato. No entanto, aquele trio de jogadores foi responsável por mais de 60% dos golos que o FC Porto marcou na prova. Cubillas (28 golos), Gomes (10 golos) e Oliveira (7 golos) foram os maiores responsáveis pelo FC Porto ter sido o 2º melhor ataque da competição, com 73 golos.
Tal como já tinha acontecido com Lemos no ano anterior, nessa época houve um novo "intruso" na tabela de melhores marcadores do FC Porto no campeonato: Seninho, com 10 golos.
Por fim, a época 1976/77. Esse ano, apesar de ter ficado assinalado pelo regresso do FC Porto aos títulos depois de 9 anos de jejum (conquistou a Taça de Portugal, com José Maria Pedroto), também ficou marcado pela separação do trio Cubillas-Gomes-Oliveira.
Infelizmente, o nosso ex-nº 10 optou por regressar ao Perú a meio dessa época, acabando por já não estar presente na final da Taça de Portugal (salvo erro, Cubillas ainda participou nas primeiras eliminatórias da prova).
Nessa época, e apesar de não ter conquistado o campeonato (foi 2º classificado a 10 pontos do Benfica), o FC Porto seria o melhor ataque da prova, com 72 golos (impressionante média de 3,8 golos marcados nos jogos disputados nas Antas).
Fernando Gomes (26 golos), António Oliveira (11 golos) e Cubillas (7 golos) voltaram a ser determinantes na frente de ataque do FC Porto no último ano em que os três, em simultâneo, representaram o clube.
No total, este fantástico 'tridente ofensivo' foi responsável por 124 (!) golos do FC Porto no campeonato nacional, e em apenas 2 épocas e meia. Notável!
Na Europa, este trio também deixou a sua marca. Neste particular, merecem destaque duas eliminatórias que o FC Porto disputou na Taça UEFA durante aquele período. Em 1974/75, os ingleses do Wolverhampton foram eliminados pelo FC Porto logo na 1ª eliminatória da prova, com dois golos de Cubillas (um em cada uma das mãos da eliminatória) e outro de Fernando Gomes, enquanto que em 1975/76, o Avenir Beggen seria a maior vítima da cumplicidade entre Cubillas, Gomes e Oliveira. O FC Porto venceu os luxemburgueses por 7-0 e o jogo ficou marcado pelos golos daquele 'tridente' de jogadores («hat-trick» de Cubillas, 1 golo de Oliveira e 1 golo de Gomes).
A saída de Cubillas, a meio da época seguinte, colocaria um ponto final naquele extraordinário 'tridente ofensivo'. Provavelmente, com o perúano na equipa teria sido mais fácil ao FC Porto conquistar o título na época seguinte (nota: em 77/78, o FC Porto foi campeão nacional em igualdade pontual com o Benfica). Ainda assim, o seu substituto, o brasileiro Ademir, acabou por fazer esquecer o génio perúano ao tornar-se o 3º melhor marcador da equipa no campeonato, com 12 golos (foi ele o autor do golo do empate naquele super-decisivo clássico que o FC Porto disputou nas Antas, frente ao Benfica).
Quanto à dupla Gomes-Oliveira, em 1977/78 manteve a mesma cadência dos anos anteriores, apontando, em conjunto, 44 (!) golos no campeonato.
Em cima, na foto, recuperámos um «onze» do FC Porto, da época 1976/77, onde surge aquele fantástico trio de jogadores.
Em cima (da esq. p/ dta.): Teixeirinha, Freitas, Celso, Simões, Tibi, Teixeira;
Em baixo (da esq. p/ dta.): Taí, Octávio, Gomes, Cubillas, Oliveira;

quinta-feira, 22 de Outubro de 2009

Ter Hulk ajuda muito!

Este era um daquele tipo de jogos que deixava os adeptos do FC Porto algo apreensivos, não tanto pelo valor do adversário, pois o APOEL é de facto inferior ao FC Porto, mas pela postura pouco cautelosa que o FC Porto poderia colocar em campo. Um FC Porto demasiado convicto da sua superioridade poderia colocar em causa a vitória no jogo de hoje.
Antes do jogo, recordei-me daquela estranhíssima derrota (2-3) frente ao também acessível Artmedia, da Eslováquia. Nesse jogo, o FC Porto, de Co Adriaanse, subestimou o seu adversário e foi derrotado por 2-3 (depois de estar a vencer por 2-0)!
Felizmente, o 'FC Porto de Jesualdo' é bem mais consistente e compacto do que aquela imprevisível e romântica equipa comandada pelo técnico holandês. Na Europa, o 'FC Porto de Adriaanse' era capaz do melhor e do pior: venceu o Inter de Milão, por 2-0, e perdeu com os eslovacos, por 2-3! Por isso, honra seja feita a Jesualdo Ferreira, que tornou o FC Porto numa das equipas mais difíceis de derrotar na prova.
Hoje, o FC Porto soube dar a melhor resposta depois de ter ficado em desvantagem no marcador numa altura em que já estava por cima no jogo. Na 'Champions', jogando em casa ou fora, é sempre complicado correr atrás do prejuízo. O FC Porto deu a volta e venceu 2-1!
Mas apesar do APOEL ser uma equipa solidária e organizada, a desvantagem do FC Porto no marcador ficou mais a dever-se a alguma apatia que a equipa mostrou na primeira-parte do que às virtudes do adversário, que não possui jogadores que possam desequilibrar um jogo.
Ainda assim, no início da segunda-parte houve necessidade do FC Porto fazer 20 minutos de constante pressão para chegar definitivamente à vantagem. Durante esse período, o APOEL foi asfixiado!
No entanto, essa correria do FC Porto só foi premiada com um golo, mas a vitória nunca esteve em causa, mesmo depois da expulsão de Mariano Gonzalez. Neste momento, já nem sabemos o que condicona mais o jogo da equipa, se a ausência de Belluschi ou se a inclusão de Mariano no «onze». Apesar de ser na posição de médio-interior direito que melhor disfarça os seus defeitos (é lento no transporte da bola e pouco esclarecido), Mariano Gonzalez está muito longe de poder oferecer aquilo que se pede a um titular do «onze» do FC Porto.
Ainda assim, no jogo de hoje o FC Porto nunca esteve dependente da entrada no «onze» do jogador 'x' ou do jogador 'y', pois o APOEL é uma equipa demasiado previsível, principalmente quando ataca. De facto, só um At. Madrid em sub-rendimento é que não consegue vencer os cipriotas no Vicente Calderon. Mas atenção, porque o APOEL não vai querer sair da prova de mãos a abanar. O FC Porto não pode subestimar o seu adversário quando se deslocar a Nicósia.
Esta época, nos jogos europeus disputados em sua casa, o APOEL foi derrotado pela margem mínima (0-1), frente ao Chelsea, e venceu os dois jogos que realizou nas eliminatórias de acesso à fase de grupos (2-0 frente ao Partizan de Belgrado e 3-1 frente ao Copenhaga). É preciso respeitar os cipriotas!
No início da competição, tinhamos referido que o objectivo do FC Porto passava por chegar a Madrid, na última jornada, com a qualificação para os Oitavos-de-final garantida. Agora, isso pode ser uma realidade já na próxima jornada. Para isso, o FC Porto necessita de vencer em Nicósia e esperar que o At. Madrid não vença o Chelsea.
Positivo (+):
- Hulk, marcou 2 golos e começa a fazer das suas arrancadas uma imagem de marca;
- o jogo massacrante (para os adversários!) de Cristian Rodriguez;
- Fernando, que foi autoritário a defender e exuberante a sair para o ataque;
- a pressão altíssima do FC Porto no início da segunda-parte;
- o resultado do At. Madrid, que deixa o grupo partido em dois: os primeiros, Chelsea e FC Porto, e os últimos, At. Madrid e APOEL;
Negativo (-):
- Mariano, claro!
- o excesso de confiança do FC Porto na primeira-parte;
- aquela pequena imprecisão de Falcão (fez um óptimo jogo!) que, na resposta a um cruzamento de Hulk, podia ter dado o terceiro golo ao FC Porto;

«Curiosidades FCP» - A homenagem da torcida do Flamengo a Dorival Yustrich

O 'Paixão pelo Porto' vai continuar a recordar um dos técnicos mais carismáticos de sempre da história do FC Porto: Dorival Yustrich.
Hoje, publicamos uma entrevista efectuada ao ex-treinador do FC Porto por um 'blog' (butecodoflamengo.blogspot.com) de adeptos afectos ao Flamengo. A torcida do clube do Rio de Janeiro ainda hoje não esquece Yustrich, um dos mais marcantes e conceituados guarda-redes (e também treinador) de toda a história daquele clube brasileiro.
Apesar das referências ao FC Porto serem muito breves (na entrevista, Yustrich recorda apenas o regresso do clube aos títulos, em 1955/56, e também se associa à conquista da Taça de Portugal de 1957/58, apesar do FC Porto, no Jamor, já ter sido orientado por Otto Bumbel), a iniciativa dos adeptos do Flamengo merece o nosso elogio e apreço.
Aqui fica a entrevista (em português do Brasil) e algumas fotos de Yustrich enquanto guarda-redes do Flamengo (reparem que era um 'keeper' altíssimo!):
Natural de Corumbá, Mato Grosso, Dorival Knippel herdou esse sobrenome porque por parte de pai descendia de avós alemães. E aos 6 meses de idade, apenas, foi trazido pelos pais, ao Rio e entregue aos seus tios, que passaram a criá-lo e educá-lo.
Ao atingir os 7 anos, o menino Dorival já era órfão de pai e mãe. Começou a estudar no colégio 'José de Alencar', no Largo do Machado, onde completou o primário. Depois fez os dois primeiros anos ginasiais, no Ginásio Lafaiete e os restantes como interno do Instituto João Alfredo.
- Yustrich, quando foi que você deixou de ser o Dorival Knippel para se tornar simplesmente o Yustrich que hoje o Brasil inteiro conhece?
- Aconteceu aos 15 anos quando, trocando de posição, comecei a jogar como goleiro (guarda-redes) pelo Andaraí.
- E a origem do apelido?
- Pouco antes tinha passado pelo Rio uma equipa argentina com um goleiro que o meu técnico, Hermógenes, achou que eu parecia. Fosse pelo porte, fosse pelo facto de que resolvi usar também um boné de pano parecido com o que ele usara, naquela época. Não importam os detalhes, pois o importante foi que o apelido pegou e eu passei a ser Yustrich para todos e para sempre...
Sócio do Flamengo desde menino, ainda da época da Rua Paissandu, Yustrich foi escuteiro rubro-negro e aos 13 anos tornou-se 'center-half' titular do quadro infanto-juvenil. Nessa época, era 'pivot', jogava no meio do campo e ainda nem pensara em se tornar o goleiro que mais tarde conquistaria o campeonato de 1939 pelo Flamengo e alcançaria também a façanha do primeiro tricampeonato rubro-negro. Durante todo o tempo em que defendeu o Flamengo, Yustrich teve a dirigi-lo apenas dois técnicos: Flávio Costa e Doris Kruschener e nos 8 meses de Vasco da Gama, seu único treinador foi Ondino Viera.
O que pouca gente sabe é que Yustrich chegou a cursar até ao terceiro ano de Agronomia.
- Enquanto eu cursava Agronomia, Heleno de Freitas fazia Direito. Ambos estudávamos em Niterói e ele se formou, mas eu tive que desistir e mudar afinal de profissão.
- Porquê?
- Porque depois do 3º ano eu teria, obrigatoriamente, que me transferir para completar o curso em Viçosa. E como jogava futebol no Rio, preferi não ir e cursei, então, a Escola Nacional de Educação Física da Praia Vermelha, pela qual me diplomei.
- E o início da sua carreira de técnico? Como foi?
- Fui convidado pelo Coronel Macedo Soares, àquela época Director Técnico da Companhia Siderúrgica Nacional, para organizar o Parque Esportivo de Volta Redonda. E passei exactamente 1 ano organizando tudo. Quando o Parque Esportivo estava em pleno funcionamento, cessaram os meus compromissos e retornei ao Rio. Era Polícia Especial, aqui, mas como esse não era o meu ideal, já que desejava seguir carreira como técnico de futebol, aceitei um convite que me foi feito pelo meu velho e grande amigo Fernando César Pereira (também compositor famoso), para ser o representante comercial da firma Carlos Pereira Produtos Químicos, em Belo Horizonte. Aceitei e assim já em 1948 iniciava como técnico do América, na capital mineira.
Desde então, diversos têm sido os clubes pelos quais Yustrich passou, como treinador, sempre calcando a sua filosofia de trabalho em dois pontos básicos: uma disciplina rígida e uma preparação física o mais próxima possível da perfeição, com seus comandados tendo de levar a vida regrada de atletas profissionais que se dedicam integralmente à observância de todas as suas obrigações contratuais.
- Em Minas Gerais só não dirigi o Cruzeiro. Levei o América à conquista do campeonato, em 1948, depois de longos 17 anos divorciado do título, como se encontrava o tradicional clube mineiro. Dirigi o Atlético ao qual dei dois títulos, o Vila Nova, e levei também o Siderúrgica, ao qual tive a felicidade de conduzir ao título máximo, depois de 27 anos que ele não era campeão.
Pequena pausa e uma referência directa sobre a primeira experiência internacional que fez como técnico:
- Foi em 1955, quando me transferi para o FC Porto, que havia 17 anos não era campeão de Portugal e conquistou o título na temporada de 55-56 e também a Taça de Portugal. Voltei para a temporada de 57-58 e estava na liderança do certame até quando só já nos faltavam dois jogos, para alcançarmos o título. Infelizmente, não o logramos, mas alcançamos logo em seguida a conquista da Taça de Portugal.
- E no Rio, Yustrich?
- Aqui eu dirigi o América na época em que Wolnei Braune era o presidente. Recuperei alguns jogadores e lancei outros, acreditando que valia a pena recordar alguns nomes como os do goleiro Ari, do zagueiro Jorge, do meio-campo Amaro e dos atacantes Calazans e Canário, este até vendido ao futebol da Espanha, por bom preço. Essa mesma equipa rubra, por sinal, acabou por se sagrar campeã carioca no ano seguinte, em 1960.
- E depois?
- Dirigi o Bangu, mas somente durante uma excursão ao exterior. O alvir-rubro precisava de um técnico diplomado para viajar para a Europa e os Estados Unidos, contratando os meus serviços.
- Esquecia-me que, antes disso, quando saí do América fui para o Vasco, clube ao qual dirigi tecnicamente durante apenas 8 meses, deixando-o pronto com a sucessão presidencial.
A maior satisfação
- Se outra coisa eu não tivesse conseguido ou não vier a alcançar, no futebol carioca, a minha maior satisfação foi a de haver provocado uma profunda modificação na forma de sua disputa. O futebol carioca era extremamente lento, até que eu cheguei para o Flamengo. Então a velocidade com que a equipa rubro-negra começou a jogar a todos assustou e não houve outro caminho a seguir, para os outros clubes, senão o de se prepararem para jogar do mesmo jeito, na base da extrema rapidez exigida pelo futebol moderno. De resto, a minha consciência me assegura que tentei dar o máximo de mim, diariamente, para proporcionar ao clube e à massa de torcedores do rubro-negro — já que ninguém é mais Flamengo do que eu, como torcedor! — tudo o que eles merecem.
Yustrich passava seis dias da semana trabalhando em regime de tempo integral no Flamengo, mas no dia 26 de Maio acabou deixando a Gávea. Seu nome continuará sendo discutido, pois afinal assim tem sido toda sua vida.

domingo, 18 de Outubro de 2009

Um treino mais animado!

O sorteio da Taça de Portugal não poderia ter sido mais simpático para o FC Porto. Além de nos ter proporcionado o reencontro com o Sertanense, um adversário da II Divisão, ainda nos possibilitou jogar no Dragão (também temos direito, depois de dois anos consecutivos a jogar na Sertã para a Taça!).
Assim, era difícl encontrarmos melhor 'élan' 4 dias antes de defrontarmos o APOEL para a Liga dos Campeões e 3 dias depois de mais uma jornada de apuramento para o Mundial da África do Sul (houve jogadores do FC Porto que só treinaram ontem!). Além disso, este foi o primeiro de quatro jogos consecutivos que o FC Porto vai realizar no Dragão.
Perante este quadro, o jogo da Taça não poderia assumir grande protagonismo na agenda dos «tetracampeões». Ainda assim, havia alguns motivos de interesse: observar a postura da equipa perante um adversário menos cotado, confirmar em que fase de adaptação/evolução se encontra Diego Valeri, avaliar a motivação de Farías, observar pela primeira vez Sebastian Prediger na 'posição 6', confirmar as expectativas sobre o prometedor Yero,...
Depois de ter goleado o Sertanense pelo mesmo resultado (0-4) nas duas edições anteriores da Taça de Portugal, também havia a curiosidade de saber se, jogando em casa, o FC Porto seria agora capaz de vencer por mais golos de diferença do que naquelas duas ocasiões em que visitou a Sertã. Afinal, foi tudo igual: 4-0 (e novamente com 'bis' de Farías)! Hoje, houve uma meia-surpresa logo de início, pois o FC Porto apresentou-se em campo num sistema de apenas 3 defesas, 'à Co Adriaanse'!. No entanto, essa opção terá tido mais a ver com a fragilidade do adversário e com os jogadores disponíveis na convocatória do que com uma experiência para ter em conta no futuro.
Destaque também para a prova de confiança que Jesualdo Ferreira demonstrou ao convocar 8 (!) jogadores dos sub-19. Mesmo correndo alguns riscos, só dessa forma é que o Prof. pode avaliar mais a sério os jovens da 'cantera'. Uma coisa é treinar com os séniores, outra coisa é disputar um jogo oficial no Estádio do Dragão. Este foi o 'timing' certo!
Quanto ao jogo, há muito pouco a dizer. O FC Porto entrou muito forte e resolveu as coisas nos primeiros 10 minutos. Depois disso, limitou-se a gerir o jogo. Resumindo: foi um bom treino 4 dias antes de mais uma excitante jornada da 'Champions'. Agora, será importantíssimo vencer o APOEL na próxima Quarta-feira. Se assim for, e se o At. Madrid for derrotado em Stamford Bridge (esperemos que seja!), o FC Porto "cava" uma diferença de 5 pontos para espanhóis e cipriotas. Excelente cenário!
Quanto á Taça de Portugal, o meu único desejo é que a próxima eliminatória nos reserve novo jogo no Dragão (não escolho adversário!), pois isso permite-nos poupar alguns jogadores mais utilizados e evitamos ter que jogar em campos de dimensões reduzidas e com relvados em mau estado.
Positivo (+):
- as iniciativas (oferta de convites às escolas, ingressos a preços reduzidos,...) que o FC Porto promoveu e que levaram mais de 30 mil pessoas ao Dragão;
- os bons pormenores de Prediger (porquê tanto tempo para se estrear?);
- a intensidade e "fome de bola" de Nuno André Coelho e Hulk;
- o 'bis' de Farías, um suplente que insiste em deixar a sua marca;
- o futebol adulto de Sérgio Oliveira (bela surpresa!), o mais jovem de sempre a vestir a camisola do FC Porto em jogos oficiais;
- as estreias de 4 jovens dos sub-19;
Negativo (-):
- a exibição de Valeri (não comprometeu mas também não correspondeu às expectativas);
- a natural pouca fluidez de jogo que o FC Porto mostrou na segunda-parte (ainda assim, pediam-se mais um ou dois golos perante um adversário que jogou em inferioridade numérica);

A «foto do dia» - FC Porto 1967/68

Hoje, na «foto do dia», recuamos à época em que a vitória do FC Porto na Taça de Portugal fez interromper um longo jejum sem triunfos no campeonato nacional. Essa Taça de Portugal acabou por ser um "oásis" naqueles 18 anos que marcaram o pior período da nossa história, entre o campeonato nacional conquistado em 1958/59, com Béla Guttmann, e a Taça de Portugal conquistada em 1976/77, com José Maria Pedroto.
Infelizmente, àquele triunfo na Taça de Portugal, em 1967/68, não corresponderam prestações idênticas da equipa na liga portuguesa e nas provas europeias. No campeonato nacional, o FC Porto foi 3º classificado a 5 pontos do Benfica (Campeão) e a 1 ponto do Sporting (2º), enquanto que nas competições europeias (nessa época o FC Porto disputou a antiga Taça das Cidades com Feiras) o FC Porto não foi além da 1ª eliminatória, sendo eliminado pelo Hibernian, da Escócia (derrota em Edimburgo por 3-0 e vitória, insuficiente, nas Antas, por 3-1).
Esta foto foi captada no antigo Estádio das Antas e nela merecem destaque as ausências de Rolando e Manuel António, que, apesar de terem sido dos mais utilizados por Pedroto nessa época, acabam por não surgir neste «onze».
Em cima (da esq. p/ dta): Valdemar, Atraca, Pavão, Bernardo da Velha, Sucena e Américo;
Em baixo (da esq. p/ dta): Jaime, Djalma, Custódio Pinto, Gomes e Nóbrega;

«Curiosidades FCP» - Os nossos estrangeiros no 'México 86'

Aproveitando o apuramento (sofrível!) da Selecção portuguesa para o play-off de acesso ao próximo campeonato do mundo, recordamos os jogadores estrangeiros do FC Porto que estiveram presentes no Mundial 'México 86': Jozef Mlynarczyk (Polónia), Rabah Madjer (Argélia) e Walter Casagrande (Brasil). Acrescentámos o avançado brasileiro a esta pequena lista porque Casagrande chegou ao FC Porto, vindo do Corinthians, logo após o final da competição.
Começamos pelo 'mestre de Vítor Baía'. Mlynarczyk acabou por ficar no mesmo grupo de Portugal durante a 1ª fase da competição. Apesar de ter vencido (1-0, golo de Smolarek) o jogo frente à nossa Selecção, a Polónia acabou por se qualificar para os Oitavos-de-final da prova em 3º lugar do grupo (Portugal foi último!).
Os polacos apuraram-se num grupo que incluía ainda as selecções de Inglaterra e Marrocos. Essa foi a segunda participação de Mlynarczyk numa fase final de um campeonato do mundo, pois o ex-guarda-redes do FC Porto já tinha estado presente no 'Espanha 82' (jogava ainda no Widzew Lódz), tendo a Polónia, nessa altura, atingido o 3º lugar na competição (venceu a França no apuramento dos 3º e 4º lugares).
No México, e tal como no mundial disputado 4 anos antes, o ex-guarda-redes do FC Porto manteve a titularidade na baliza polaca, relegando para o banco de suplentes os seus compatriotas Jacek Kazimierski (Légia de Varsóvia) e Jozef Wandzik (Górnik Zabrze).
Apesar de não ter sofrido nenhum golo nos jogos com Portugal (1-0) e Marrocos (0-0), Mlynarczyk seria batido por 3 vezes no jogo frente à Inglaterra (1-3), de Bobby Robson. O carismático Gary Lineker, com um «hat-trick», tornou-se no único jogador a marcar golos ao 'Mly' na 1ª fase da competição. Contudo, a Polónia seria eliminada da prova logo a seguir, nos Oitavos-de-final, pelo Brasil (em cima, na foto, um dos 4 golos que os brasileiros marcaram a Mlynarczyk nessa partida).
Quanto à Argélia, de Rabah Madjer, teve no 'México 86' a sua última aparição em campeonatos do mundo.
Na 1ª fase da prova, os argelinos foram sorteados no Grupo D, juntamente com Brasil, Espanha e Irlanda do Norte.
Apesar de ter chegado ao México como segundo melhor marcador do FC Porto na liga portuguesa, com 11 golos, e de ter sido sempre titular nos 3 jogos que a sua selecção realizou na fase final da prova, Madjer acabou por não marcar qualquer golo na competição.
Nos 3 jogos que realizou na prova, a frágil selecção argelina marcou apenas um golo, precisamente o que lhe deu o único ponto que conquistou na fase de grupos (1-1, frente à Irlanda do Norte). Ainda assim, a Argélia criou imensas dificuldades ao Brasil no seu segundo jogo na fase de grupos.
Os brasileiros venceram por apenas 1-0 (golo de Careca), num jogo que marcou o primeiro encontro de Madjer com o seu futuro colega Walter Casagrande, pois os dois jogadores do FC Porto foram ambos utilizados nessa partida (em cima, na foto, vemos Madjer e o brasileiro Edinho a disputarem um lance durante esse jogo).
O adeus da Argélia ao Mundial ficou consumado no último jogo da fase de grupos, que terminou com a derrota da selecção de Madjer, frente à Espanha, por 3-0.
Por fim, o Brasil, de Walter Casagrande. Apesar da experiência nas Antas não lhe ter corrido bem (lesionou-se gravemente no jogo frente ao Brondby, da 2ª mão dos Quartos-de-final da Taça dos Campeões Europeus 1986/87), este ex-avançado do FC Porto realizou uma grande época ao serviço do Corinthians, em 1985/86, acabando por ser um dos avançados escolhidos por Telê Santana para estar presente no Mundial do México.
Mesmo enfrentando uma concorrência fortíssima (que incluía, entre outros, Zico, Muller e Careca), Casagrande foi titular da «canarinha» em dois jogos desse Mundial (ambos na fase de grupos), mas acabou por não marcar nenhum golo na competição (em cima, na foto, vemos o ex-avançado do FC Porto no jogo frente à Argélia).
Além destes três jogadores, o FC Porto contou ainda com 9 portugueses convocados para o Mundial 'México 86': João Pinto, Inácio, Jaime Magalhães, André, Fernando Gomes, Paulo Futre, Jaime Pacheco (ex-Sporting), Sousa (ex-Sporting) e Bandeirinha (ex-Académica).

quinta-feira, 15 de Outubro de 2009

O "descendente" de Falcão

Está a ser o grande destaque deste início de época do FC Porto e uma surpresa mesmo para aqueles que acompanharam a sua carreira no futebol sul-americano. Hoje, o 'Paixão pelo Porto' recorda a ascensão de Falcao e algumas curiosidades que têm surgido no percurso do nosso novo ponta-de-lança.
Falcao nasceu a 10 de Fevereiro de 1986, em Santa Marta (Colômbia). O seu pai, Radamel García, também foi futebolista, notabilizando-se como defesa no campeonato colombiano, durante a década de 80.
Como apreciava muito as qualidades do brasileiro Falcão (em baixo, na foto), o pai do actual nº 9 do FC Porto decidiu baptizar o filho com o apelido do conceituado médio-centro da selecção do Brasil e da AS Roma. Apesar de se ter notabilizado em Itália, ajudando a AS Roma a conquistar o 'scudetto', em 1983, foi no Mundial de Espanha, em 1982, que Paulo Roberto Falcão levou o colombiano Radamel García a baptizar o filho e actual ponta-de-lança do FC Porto com o apelido daquele mítico jogador brasileiro.
Apesar de não ter conseguido atingir as meias-finais dessa edição do campeonato do mundo, o Brasil (de Falcão, Zico, Sócrates, Júnior e Toninho Cerezo, entre outros) cativou de tal forma os adeptos que acompanharam a competição que essa equipa acabou por ficar na memória de todos como uma das mais talentosas de sempre na história dos mundiais.
Apesar do seu primeiro nome, tal como o do pai, ser Radamel, o ponta-de-lança do FC Porto começou desde muito cedo a insistir que o tratassem por Falcao, certamente por se sentir orgulhoso de possuir o mesmo nome do antigo craque do Brasil e da AS Roma.
Com a ajuda e os incentivos do pai, Falcão iniciou o seu percurso no futebol juvenil ao serviço do Millonarios, de Bogotá (Colômbia), clube onde foi descoberto pelo histórico River Plate, da Argentina. Apesar de nessa altura ter apenas 15 anos, o novo nº 9 do FC Porto já jogava no escalão acima (sub-17), o que valorizou ainda mais as observações que os responsáveis do River fizeram antes de avançarem para a sua contratação.
Falcao chegaria ao River com apenas 15 anos (em cima, na primeira foto), acabando por permanecer no clube de Buenos Aires durante 9 épocas consecutivas. Apesar da sua estreia como titular no «onze» do River ter sido um sucesso (tinha 20 anos e marcou 2 golos), Falcao seria obrigado a perder grande parte da temporada devido a uma lesão nos ligamentos do joelho direito.
Essa lesão marcou o pior período da sua carreira, pois as constantes recaídas obrigaram-no a adiar o regresso aos jogos e aos golos. O calvário do novo ponta-de-lança do FC Porto terminou nos primeiros meses de 2007, com a primeira chamada ao «onze» do River depois da longa recuperação que se seguiu à delicada lesão nos ligamentos.
A sua completa recuperação foi comprovada em Setembro de 2007, quando o River Plate derrotou o Botafogo nos Oitavos-de-final da 'Copa Sul-Americana'. Falcao contribuiu com um «hat-trick» para a vitória (4-2) do River sobre o histórico clube brasileiro.
A partir desse momento, o ponta-de-lança do FC Porto voltou a chamar a atenção dos adeptos e da imprensa, acabando, nesse ano, por ser eleito o 5º melhor futebolista sul-americano, numa votação realizada pelo jornal 'El Pais', de Montevideu (Uruguai).
O primeiro interesse oficial de um clube europeu no seu concurso ocorreu no Natal de 2007, com o Deportivo da Corunha a avançar com uma proposta de 8 milhões de euros pelo seu passe. Felizmente, o River Plate recusou a proposta dos espanhóis e fechou a porta à saída do jogador até Junho de 2009, altura em que terminou o 'Torneio Clausura'.
A venda de Lisandro López ao Lyon, e a abertura que os dirigentes do River demonstraram para transferir o jogador, "convidaram" o FC Porto a contratar o 'novo Falcão', caracterizado pela imprensa indígena, aquando do interesse do Benfica, como «um dos melhores avançados do mundo». Desta vez não se enganaram!

domingo, 11 de Outubro de 2009

Naturalmente, perdeu!

Pois é, Rui Rio voltou a vencer. Aparentemente, isto seria uma má notícia para todos os portistas que viram o actual Presidente da Câmara hostilizar a instituição com maior notoriedade na cidade do Porto. No entanto, e tratando-se de uma eleição autárquica, a disputa acaba por não justificar todo o alarido feito por vários portistas em torno da votação de hoje.
O 'Paixão pelo Porto' também desejava a derrota do actual Presidente da Câmara, no entanto, isso não é motivo para envolver o clube em lutas partidárias e politizar as opções dos seus adeptos. Ou será que os simpatizantes do FC Porto que votaram em Elisa Ferreira são 'mais portistas' do que aqueles que votaram em Rui Rio?
De facto, Rui Rio foi pouco razoável, pois era possível evitar a promiscuidade entre a política e o futebol sem aquele discurso de confrontação com o FC Porto, mas isso não é nada perante os desafios que o FC Porto tem enfrentado nos últimos 30 anos. Afinal, o FC Porto não foi campeão da Europa com Rui Rio na presidência da autarquia? E o «tetracampeonato»?
Em vez de lamentarmos a eleição de Rui Rio, talvez seja melhor encontrarmos razões para mais uma derrota da candidatura do PS.
Lamentavelmente, Elisa Ferreira aceitou concorrer ao Parlamento Europeu (em lugar privilegiado, ou seja, com eleição garantida!) mesmo depois de saber que seria candidata à Câmara do Porto. Com essa opção entrou logo a perder. Imperdoável!
Bastava que alguém lhe tivesse lembrado o que aconteceu anteriormente com Fernando Gomes, que trocou a Câmara do Porto pelo lugar de Ministro. Depois, quando quis voltar ao Porto, já era tarde, pois os portuenses não apreciam este tipo de "sinuosidades". Não basta invocar o 'portismo'!
Mas esse não foi o único erro que marcou a candidatura de Elisa Ferreira, pois o seu nome nunca foi consensual para a concelhia do partido. O líder da concelhia do PS-Porto, Orlando Soares Gaspar, chegou mesmo a criticar Elisa Ferreira pela sua dupla-candidatura, o que obrigou José Socrates a deslocar-se ao Porto para terminar com um conflito embaraçoso para quem pretendia chegar à presidência da Câmara. Perdeu-se uma grande oportunidade de derrotar Rui Rio.
Ainda assim, a péssima estratégia do PS, e da sua candidata, não implica que Rui Rio tenha merecido voltar a comandar os destinos da Câmara.
Não é fácil compreender esta opção dos eleitores do Porto, pois a verdade é que a cidade, pelo menos a nível cultural (cinema, teatro, música, literatura,..), está completamente paralisada. E logo o Porto, que sempre foi uma referência a este nível. Infelizmente, isso parece não preocupar muito os eleitores que voltaram a confiar em Rui Rio. É legítimo! Num país que privilegia os centros-comerciais e as auto-estradas...
Enquanto que há concelhos, na área metropolitana do Porto, onde o progresso se mantém (Matosinhos, Gondomar, Gaia,...), o Porto parou! No entanto, é curioso que até nesse aspecto o FC Porto tem saído a ganhar, pois foi precisamente num desses concelhos (Gaia) que veio a ser edificado o seu centro de estágio.
Infelizmente, os eleitores do Porto (pelo menos os que votaram em Rui Rio) não aplicam aos políticos que governam a cidade o mesmo grau de exigência que os adeptos do FC Porto aplicam à sua equipa de futebol. Provavelmente, os portuenses têm o Presidente da Câmara que merecem!

«Curiosidades FCP» - O "exílio" de Fernando Gomes

Hoje, com a ajuda da imprensa desportiva espanhola, vamos recuar aquela que foi, muito provavelmente, a transferência mais dolorosa que os adeptos do FC Porto tiveram que enfrentar até hoje: a saída de Fernando Gomes, no Verão de 1980, para o Sporting de Gijón, de Espanha.
O nosso mítico nº 9 tinha apenas 23 anos e a sua saída, que muitos adeptos do FC Porto ainda hoje lamentam, acabou por ser consequência natural de um momento importante e fundamental da história do clube, o «Verão Quente» de 1980.
Com o plantel do FC Porto dividido em duas facções (a que estava ao lado do Presidente Américo de Sá e a que estava solidária com a dupla Pedroto/Pinto da Costa), acabou por ser natural que esse conflito gerasse uma pequena sangria no plantel, que se confirmou com a saída de José Maria Pedroto do comando técnico da equipa e de três jogadores fundamentais e marcantes na história do clube: Octávio Machado (para o Vit. Setúbal), António Oliveira (para o Penafiel) e Fernando Gomes (para o Sp. Gijón).
Os espanhóis também se referiram ao polémico «Verão Quente», que colocou o FC Porto em polvorosa pouco tempo antes da participação do clube no prestigiante Troféu Teresa Herrera. «Gomes formó parte del grupo de «rebeldes» que escindieron la plantilla poco antes del trofeo Teresa Herrera» (nota: o FC Porto participou nessa edição do 'Teresa Herrera' juntamente com o Real Madrid, o Flamengo e o Sp. Gijón).
As primeiras notícias do interesse do Sp. Gijón no nosso carismático ponta-de-lança surgiram na imprensa espanhola durante a primeira semana de Agosto de 1980. Os jornalistas espanhóis garantiam que o treinador de então do Sp. Gijón, Vicente Miera, estava muito interessado no «delantero internacional del Oporto». Aliás, a imprensa espanhola adiantava mesmo que as primeiras negociações pela compra do passe do jogador se iriam iniciar aquando da visita do FC Porto à Corunha para defrontar o Real Madrid, na 1ª jornada do 'Teresa Herrera' (vitória do Real Madrid por 2-1, com o golo do FC Porto a ser marcado por... Fernando Gomes!).
A imprensa desportiva do país vizinho garantia que o conflito entre alguns jogadores do FC Porto e a Direcção liderada pelo presidente Américo de Sá poderia facilitar a saída de Fernando Gomes do plantel. «Gomes está dentro de los once jugadores actualmente en conflito con su club al negarse a entrenar bajo las órdenes del nuevo técnico, el austríaco Hermann Stessl», escrevia o jornalista do 'El Mundo Deportivo' num artigo dedicado ao interesse do clube espanhol no nosso Bi-Bota d'Ouro.
Assim, não foi difícil os dois clubes chegarem a acordo uns dias depois do FC Porto participar no torneio galego. A imprensa espanhola confirmou a transferência («En la ciudad portuguesa de Oporto se ha llegado a un acuerdo para el traspaso del delantero centro Fernando Gomes») e garantiu também que o FC Porto receberia 35 milhões de pesetas pela transacção.
A estreia de Gomes com a camisola do Sp. Gijón deu-se na última semana de Agosto. Os adeptos espanhóis, ainda com algumas dúvidas sobre um jogador que coleccionava golos na liga portuguesa, ficaram completamente convencidos do valor do ponta-de-lança português logo no seu primeiro jogo, frente ao Oviedo. É que Gomes marcou "apenas" 5 golos nessa partida. Estreia sensacional!
O Sp. Gijón venceu o Oviedo por 5-1, num jogo que o ponta-de-lança do FC Porto dificilmente irá esquecer. «Gomes fue la gran estrella de la noche y en torno a su figura giró todo el equipa gijonés», escrevia o jornalista espanhol que assistiu à estreia do ex-jogador do FC Porto.
Em Portugal, Américo de Sá não perdia tempo e anunciava Mike Walsh (ex-Queens Park Rangers) como o substituto do fantástico ponta-de-lança. O avançado irlandês chegou ao FC Porto com a responsabilidade de fazer esquecer o nosso eterno nº 9, e a verdade é que apesar de ser um autêntico desconhecido, acabou por ser uma agradável surpresa, tornando-se o melhor marcador da equipa no campeonato, com 14 golos, logo no ano de estreia nas Antas.
Quanto a Fernando Gomes, veria a sua veia goleadora sofrer um revés depois de ser vítima de uma lesão no tendão de Aquiles, ainda durante a primeira época ao serviço do Sp. Gijón.
Perante a gravidade da lesão, houve mesmo necessidade do jogador ser operado no início de 1981, ou seja, cerca de 6 meses depois de Gomes ter chegado a Gijón.«Preguntado por el tiempo en que Gomes podía volver a jugar, el doctor indicó que hoy comenzaria a realizar ejercicios y que en un plazo de 30 o 34 dias podría estar totalmente recuperado», previam os espanhóis depois da operação.
Essa infelicidade, apesar de ter contribuído para uma menor utilização do ponta-de-lança português, também ajudou a abrir as portas do seu regresso ao FC Porto. Como a sua recuperação se prolongou por mais algum tempo, a sua afirmação no «onze» do Sp. Gijón foi mais complicada do que na época de estreia, acabando o ponta-de-lança português por marcar apenas 2 golos em 5 jogos durante a edição de 1981/82 da liga espanhola.
As negociações para trazer Gomes de volta ao FC Porto iniciaram-se com os responsáveis do clube espanhol a colocarem a fasquia nos 50 milhões de pesetas. No entanto, a capacidade negocial de Pinto da Costa e a vontade do jogador português (Gomes chegou a fazer chantagem com os dirigentes do Sp. Gijón, ameaçando deixar o futebol se a transferência para o FC Porto não se concretizasse), foram fundamentais para reduzir o valor da transferência para, aproximadamente, 30 milhões de pesetas, com o FC Porto a mostrar disponibilidade para também participar num torneio de pré-época organizado pelos espanhóis, o 'Trofeo Costa Verde'.
«Confesso que admiti vir a jogar pelo Real Madrid ou pelo Barcelona, mas... fui para Gijón sem qualquer lesão. Mas posso sair, o Gijón só quer o dinheiro que pagou pela minha transferência. Não engano ninguém dizendo que gostaria de voltar ao FC Porto, mas se for o Sporting ou o Benfica a contratar-me não deixarei de ser o mesmo profissional», confessou Gomes à imprensa portuguesa ainda antes de confirmada a sua transferência.
O regresso de Gomes ao FC Porto seria uma realidade pouco tempo depois, pois o seu resgate era uma promessa que constava no programa eleitoral de Pinto da Costa, aquando da sua primeira candidatura à presidência do clube.
Já no final da sua carreira, o Bi-Bota d'Ouro voltaria a trocar o FC Porto por outro Sporting, desta vez pelo de Lisboa. No entanto, isso nunca retirou valor à paixão e dedicação com que sempre serviu o seu clube do coração. Gomes é eterno!

quinta-feira, 8 de Outubro de 2009

Belluschi é suficiente?

Está a ser o grande responsável pela clarividência e fluidez de jogo que o meio-campo do FC Porto tem apresentado nos últimos jogos (com Sporting, At. Madrid e Olhanense). Falamos de Fernando Belluschi, um médio-ofensivo que, aquando da sua contratação, foi aqui caracterizado como um perfeito 'médio-centro à Jesualdo', pois o argentino alia à criatividade uma invulgar combatividade e visão de jogo. Além disso, a passagem pelo futebol grego (Olympiakos) permitiu-lhe chegar ao FC Porto sem aquela natural tendência que os médios-ofensivos sul-americanos apresentam para "prender" a bola.
Mas, neste momento, o FC Porto ainda não tem no plantel outro jogador com estas características, um "híbrido" que possa ser um nº 10 quando a equipa ataca e que, ao mesmo tempo, seja tacticamente disciplinado quando a equipa defende. Isto também nos leva a concluir que se confirmou a previsão do 'Paixão pelo Porto': Lucho Gonzalez está a ser o jogador mais difícil de substituir no «onze».
Agora, fica a pergunta: será suficiente ter apenas no plantel um jogador (Belluschi) com essas características?
Tendo em conta as opções que Jesualdo tem tomado na formação dos plantéis do FC Porto, somos levados a concluir que o Professor não aprecia o clássico nº 10, aquele tipo de jogador que se posiciona atrás do ponta-de-lança e que serve como referência ao resto da equipa. E a verdade é que os (bons) resultados têm dado razão ao treinador do FC Porto.
Não é habitual um treinador privilegiar o '4-3-3' e depois não utilizar um clássico nº 10 no 'triângulo de meio-campo'. Jesualdo sempre preferiu entregar as manobras de desequilíbrio aos extremos (Quaresma, Tarik Sektioui, Varela, Hulk, Cristian Rodriguez,...) e deixar para o 'triângulo de meio-campo' as responsabilidades de defender e fazer chegar rapidamente a bola a um dos extremos. Com esta opção, o Prof tem conseguido provar que este tipo de 'triângulo de meio-campo' apresenta mais virtudes do que defeitos.
De qualquer forma, continuamos a pensar que sem um jogador com as características de Belluschi, o jogo do FC Porto fica demasiado previsível e sem profundidade quando defronta adversários da nossa Liga (este 'handicap' não é tão evidente em jogos "menos fechados", como os da Liga dos Campeões).
Isso ficou bem demonstrado no recente jogo de Braga, pois Fernando, Meireles e Guarín nunca se complementaram. Houve muito músculo e pouca criatividade!
Perfeito para o Professor foi quando o meio-campo do FC Porto dispôs, em simultâneo, de Lucho Gonzalez e Anderson, dois "híbridos" que entendiam na perfeição as funções do moderno médio-centro ofensivo. O problema é encontrar este tipo de jogadores no mercado.
Certamente que o Professor tinha em mente fazer de jogadores como Tomás Costa e Freddy Guarín os novos "híbridos" do meio-campo portista. No entanto, o argentino e o colombiano não têm características para "alimentar" a frente de ataque do FC Porto, pois falta-lhes criatividade e certeza de passe, duas aptidões que um médio-ofensivo não pode deixar de possuir.
Pode ser que Diego Valeri (em cima, na foto), na ausência de Belluschi, traga a criatividade que o meio-campo do FC Porto não pode dispensar.
O ex-jogador do Lanús tem aquelas características que Jesualdo aprecia num bom médio-ofensivo, ou seja, tem força, criatividade e não "congela" demasiado a bola, algo de que um clássico nº 10 tem por hábito abusar e que bloqueia as transicções rápidas que o Prof. aprecia. Vamos lá ver se os próximos jogos permitem a Valeri chegar ao actual nível de Belluschi.
Neste momento, o argentino é o único centro-campista do plantel que melhor sabe pôr em prática as funções do 'médio-ofensivo à Jesualdo'. Mesmo com um perfíl físico algo frágil, Belluschi domina na perfeição os 'timings' de passe e de futebol com um/dois toques na bola. No entanto, ter apenas um jogador com as carcaterísticas de Belluschi no plantel parece-nos pouco para quem vai realizar tantos jogos numa só época!

«Curiosidades FCP» - FC Porto - Lodz, Taça dos Vencedores das Taças 1994/95

Hoje, vamos recuar à última participação do FC Porto na extinta Taça dos Vencedores das Taças, competição na qual garantiu a sua primeira presença numa final europeia.
O LKS Lodz foi a penúltima equipa a ser eliminada pelo FC Porto nesta prova (a última foi o Ferencvaros, logo na eliminatória seguinte), pois os polacos foram o nosso primeiro adversário na edição de 1994/95 da competição.
Essa foi apenas a segunda (!) participação do Lodz em competições europeias. Apesar de ter sido fundado em 1908 (celebrou o centenário no ano passado), este histórico clube polaco só por uma vez tinha jogado uma competição europeia, quando, em 1959, foi eliminado pelo acessível Jeunesse Esch, do Luxemburgo, logo na 1ª eliminatória da Taça dos Clubes Campeões Europeus.
Campeão polaco em 1958 e 1998, o Lodz continua a ser um clube com muita tradição no seu país, sendo o grande rival de outro clube da sua cidade, o Widzew Lodz.
Uma curiosidade: um dos jogadores mais carismáticos da história do Lodz, o guarda-redes Andrzej Wozniak, além de ter jogado no rival Widzew, foi um dos escolhidos pelo FC Porto para tentar fazer esquecer Vítor Baía, aquando da transferência do «99» para o Barcelona.
O Lodz ganhou o direito a disputar a Taça dos Vencedores das Taças depois de ter sido finalista vencido da Taça da Polónia (derrotado pelo Légia de Varsóvia) na época 1993/94.
Ditou o sorteio que os polacos se deslocassem às Antas logo no jogo de estreia na competição. Apesar do adversário ser relativamente frágil e desconhecido, o FC Porto, de Bobby Robson, teve algumas dificuldades para se colocar na frente do marcador, tendo marcado o primeiro golo do jogo apenas aos 72 minutos. A 1ª mão da eliminatória disputou-se nas Antas, a 15 de Setembro de 1994, e o FC Porto acabou por vencer o Lodz por 2-0 (Domingos aos 72' e Rui Barros aos 77').
Essa era a 2ª época de Robson nas Antas, que ficaria marcada pelo regresso do FC Porto à conquista do título depois do bi-campeonato com Carlos Alberto Silva. Era o FC Porto de Vítor Baía, Aloísio, Jorge Costa, Vasili Kulkov, Emerson, Ljubimko Drulovic, Rui Barros, Domingos e Sergei Yuran, entre outros.
Apesar de se adivinharem algumas dificuldades para o jogo da 2ª mão, o FC Porto voltaria a vencer os polacos, desta vez por 1-0 (Drulovic aos 45').
Depois do Lodz, seguiu-se o Ferencvaros, na 2ª eliminatória (6-0 nas Antas e 0-2 em Budapeste), e a Sampdoria, de Sven Goran Eriksson, nos Quartos-de-final (derrota nas grandes penalidades, por 3-5).
Nessa época, a final da competição realizou-se no Parque dos Princípes, tendo o Real Zaragoza (na altura dos ex-portistas Víctor Fernandez e Juan Esnaider) derrotado o Arsenal, por 2-1.
Essa foi a última participação do FC Porto na extinta Taça dos Vencedores das Taças, e só por uma vez chegou tão longe na competição, quando foi derrotado pela Juventus na Final de Basileia, em 1983/84.
O FC Porto voltaria a encontrar clubes polacos uns anos mais tarde, eliminando o Wisla Cracóvia, em 2000/01, e o Polónia Varsóvia, em 2002/03, ambos em eliminatórias da Taça UEFA.
Quanto ao Lodz, voltámos a ouvir falar dele quando os polacos se cruzaram com o Manchester United, na 2ª pré-eliminatória da Liga dos Campeões 1998/99 (2-0 em Old Trafford e 0-0 em Lodz).
Em cima, a ilustrar o 'post', recuperámos dois bilhetes que deram acesso aos jogos das duas mãos da eliminatória entre FC Porto e Lodz, e duas fotos do jogo das Antas, onde surgem Drulovic e Emerson.

segunda-feira, 5 de Outubro de 2009

Muito fortes!

Quem diria! Depois de um intenso jogo da 'Champions', efectuado 4 dias antes, o FC Porto apresentou-se em Olhão com uma intensidade e fluidez de jogo que de facto confirmam que «a equipa está a crescer», como Jesualdo tem insistido no seu discurso. Não é nada habitual o FC Porto apresentar-se tão forte após uma desgastante jornada europeia. Bela dinâmica dos «tetracampeões»!
Depois do que aconteceu em Braga, havia o receio do FC Porto acusar o desgaste do jogo da Liga dos Campeões. Isso acabou por não se verificar, pois nem o Olhanense apresenta a (actual) qualidade do Sp. Braga, nem o FC Porto se apresentou tão apático e passivo como no jogo que disputou frente à equipa de Domingos.
Hoje, o FC Porto correria o risco de, em caso de derrota, ser alvo de troça por ter ajudado a construir uma equipa que lhe roubou pontos na Liga (estava-se mesmo a ver as capas da imprensa indígena: 'FC Porto derrotado pelos sub-21... do FC Porto!'). E a verdade é que seria algo embaraçoso perder com um Olhanense que é quase um 'FC Porto B' (hoje só faltou o castigado Ventura). Era o feitiço a virar-se contra o feiticeiro...
Mas o FC Porto sossegou-nos logo muito cedo, pois a equipa entrou em campo com uma postura que não permitiu aos miúdos da 'cantera' discutir o jogo e o resultado. Foi, muito provavelmente, a melhor primeira-parte do FC Porto até ao momento. Ainda assim, a irreverência do Olhanense nunca deixou o jogo cair na monotonia. Foi um excelente espectáculo, com as duas equipas sempre à procura do golo.
Neste momento, os 'miúdos' de Jorge Costa ainda são demasiado imaturos para discutirem um jogo com o FC Porto que hoje se apresentou em Olhão. Foi um FC Porto dominador e de intensidade de Liga dos Campeões.
No jogo de hoje, havia a curiosidade de saber se Jesualdo faria alterações na equipa, para compensar o desgaste do jogo frente ao At. Madrid, ou se mantinha o «onze» que defrontou os espanhóis, reforçado com a inclusão de Fernando. O Prof. optou por dar continuidade e confiança àquele que é, neste momento, o «onze» mais consensual para os adeptos do FC Porto. Até a opção por Mariano Gonzalez, que realizou mais um mau jogo, tem a nossa tolerância face às ausências de Varela e Cristian Rodriguez.
Agora, segue-se a interrupção da Liga para os jogos da Selecção. Uma paragem que até nem surge numa má altura para o FC Porto, pois vai-lhe permitir recuperar os dois lesionados (Varela e Cristian Rodriguez) que tanta falta lhe têm feito.
Além disso, o calendário reserva-nos agora 4 (!) jogos consecutivos no Dragão (Sertanense, APOEL, Académica e Belenenses). Porreiro!
Positivo (+):
- Falcão, claro!
- a postura autoritária e dinâmica do FC Porto;
- o "regresso" do 'capitão' Bruno Alves;
- a constante procura do golo por parte do FC Porto;
- a visão panorâmica de Belluschi (porque não jogou em Braga?);
- a potência e precisão de remate de Hulk;
- as duas acções de Álvaro Pereira que evitaram o 1-2, primeiro num corte sobre a linha de golo e depois num desarme dentro da pequena-área;
Negativo (-):
- a passividade do FC Porto nos primeiros 20 minutos da 2ª parte;
- o habitual futebol trapalhão (e triste) de Mariano Gonzalez;
- a infelicidade de Hulk naquelas duas bolas que bateram no poste;

«Curiosidades FCP» - Os «três diabos do meio-dia»

Hoje, aproveitando os 100 anos do nascimento de Pinga (à direita, na foto), vamos recordar a 'sociedade' que o primeiro grande talento do futebol português formou com Acácio Mesquita (ao centro, na foto) e Valdemar Mota (à esquerda, na foto), os célebres «três diabos do meio-dia», um trio que marcou uma época no futebol português mas que nunca teve o devido destaque e reconhecimento por parte da imprensa indígena. Valha-nos o Eusébio e os «cinco violinos» para alimentar o saudosismo...
A chegada de Pinga ao FC Porto, em Dezembro de 1930, foi fundamental para os títulos que o FC Porto conquistou nessa década e para o despontar daquele trio de jogadores. O célebre médio/interior-esquerdo do FC Porto representou o clube durante 16 anos, tendo participado em mais de 400 jogos. Durante esse período, foi o ele o grande responsável pelos títulos conquistados pelo clube a nível nacional.
Nos anos 30, o FC Porto sagrou-se campeão nacional em 3 ocasiões (com Joseph Szabo, em 1934/35, e com Mihaly Siska, em 1938/39 e 1939/40) e venceu o Campeonato de Portugal (actual Taça de Portugal) por duas vezes (com Joseph Szabo, em 1931/32, e com François Gutkas, em 1936/37).
Além de ter sido a grande referência do FC Porto e do futebol português durante os anos 30 e início da década de 40, Pinga também se tornou num maiores goleadores de sempre do nosso futebol. Os 394 (!) golos que apontou, em cerca de 400 jogos com a camisola do FC Porto, colocam-no ao lado de outros grandes nomes da história do clube, como Costuras, Slavkoo Kordnya, António Araújo, Fernando Gomes, Domingos e Mário Jardel, entre outros.
A esta impressionante veia goleadora de Pinga (em baixo, na foto), o FC Porto teve a felicidade de juntar, no mesmo período, a de outros dois super-atletas que também marcaram a história do clube no início do séc. XX, Acácio Mesquita (em cima, na foto) e Valdemar Mota. O primeiro também foi um praticante de atletismo, tendo-se sagrado Campeão Regional de triplo salto, salto em comprimento, 110 metros barreiras e 4 x 100 metros. Além do Futebol e do Atletismo, o conceituado ponta-de-lança do FC Porto também mostrava habilidade noutra modalidade, o Basquetebol.
Quanto a Valdemar Mota, ficou na história por ter sido o primeiro atleta olímpico do FC Porto a representar Portugal (4º lugar) nos Jogos Olímpicos de Amesterdão, em 1928. Uma curiosidade: este antigo médio/extremo-direito do FC Porto chegou a contracenar (!) com a famosa Beatriz Costa, num dos primeiros filmes produzidos em Portugal.
Foi por alturas do Natal de 1933 que surgiu a alcunha «três diabos do meio-dia». Aquele trio de jogadores foi assim apelidado depois do FC Porto ter defrontado e vencido algumas das melhores equipas da Europa em jogos disputados às 12h, um horário usual para a época.
Pinga, Acácio Mesquita e Valdemar Mota (em baixo, na foto) começaram por ser os grandes protagonistas de um jogo que o FC Porto disputou frente à Selecção de Budapeste. A poderosa equipa húngara andava em digressão pela Europa e acabou por ser surpreendida pelo FC Porto, que venceu esse jogo por 7-4. Apesar do entendimento entre o trio do FC Porto ter, logo aí, chamado a atenção das pessoas, foi necessário aguardar mais alguns dias para a cumplicidade entre os «três diabos do meio-dia» atingir o brilhantismo que os levou a ser assim apelidados.
Foi em jogo frente ao 'First de Viena', uma das equipas mais célebres daquele tempo, que os três jogadores do FC Porto viram confirmada a reputação de que já gozavam. Foram eles os maiores responsáveis pela vitória do FC Porto, por 3-0, sobre aquela equipa austríaca.
A harmonia entre os «três diabos do meio-dia» atingiria o seu ponto mais alto em 1934/35, época que marcou a primeira vitória do FC Porto no campeonato nacional. A equipa comandada por Joseph Szabo terminou a prova com 43 golos marcados num campeonato disputado por apenas 8 equipas. Para essa média superior a 3 golos por jogo muito contribuíram aqueles três jogadores (nota: Pinga seria mesmo o melhor marcador do campeonato nacional na época seguinte, com 21 golos).
Os «três diabos do meio-dia» formaram a primeira 'sociedade' de sucesso na história do FC Porto. Pinga, na véspera da sua despedida como jogador de futebol, confirmou-o: «Nós os três... Aquilo é que era jogar... Que desculpem a vaidade, mas parece-me que nunca mais se arranjam três rapazes da bola tão intimamente ligados a acertar na 'borracha'. Se até nós, às vezes, nem sabíamos como aquilo era...».
Em cima, recuperámos uma foto de um «onze» do FC Porto que venceu o Campeonato de Portugal em 1931/32 e onde surgem os «três diabos do meio-dia».
Em cima (da esq. p/ dta): Francisco Castro, Pinga, Carlos Mesquita, Álvaro Sequeira, Lopes Carneiro, Valdemar Mota, Álvaro Pereira, Pedro Themudo e Joseph Szabo (treinador);
Em baixo (da esq. p/ dta): Mihaly Siska, Avelino Martins e Acácio Mesquita;

quinta-feira, 1 de Outubro de 2009

Nós somos o FC Porto!

Agora sim, o At. Madrid soçobrou no Dragão. Não foi uma vitória (2-0) com bom futebol, mas houve raça, ambição, querer, responsabilidade e, porque não dizê-lo, aquela cultura de vitória muito própria dos clubes com mais tradição na prova. Grande mentalidade!
Depois de dois jogos, nos Oitavos-de-final da época passada, em que os espanhóis foram protegidos pela sorte, era fundamental o FC Porto corrigir aqueles dois empates e não deixar dúvidas sobre o potencial das duas equipas. O FC Porto é melhor!
É curioso que, na época passada, o FC Porto realizou dois excelentes jogos na eliminatória frente ao At. Madrid e não conseguiu vencer nenhum (2-2 em Madrid e 0-0 no Dragão). Nessas duas partidas, a sorte e a eficácia nada quiseram com o FC Porto. No entanto, ao eliminar os espanhóis, o FC Porto ganhou confiança e, ao mesmo tempo, deixou o adversário receoso de novo duelo com o campeão português. Hoje, o At. Madrid até respeitou o FC Porto, mas encontrou uma equipa que queria muito ganhar e que não se importou de esperar 75 minutos pelo golo.
Apesar do FC Porto encaixar muito melhor no «4-4-2 clássico» que Abel Resino utiliza no At. Madrid do que no «4-4-2 losango» que Paulo Bento privilegia no Sporting, a verdade é que hoje teve mais dificuldades em ganhar o duelo de meio-campo do que no jogo de Sábado.
No entanto, o At. Madrid pareceu sempre uma equipa demasiado dependente do instinto de Aguero e Forlan. Ou seja, a boa posse de bola dos espanhóis até irritou o FC Porto, mas foi algo inconsequente. Ainda assim, o FC Porto foi sempre obrigado a jogar um futebol mais directo, privilegiando, quase sempre, o passe longo e de maior risco.
Assim, a passagem de Raúl Meireles para a posição que Tomás Costa inicialmente ocupou acabou por ser a chave para desbloquear o jogo. Sem Fernando, o FC Porto perdeu poder de choque e de antecipação na zona à frente da defesa, mas ganhou mais qualidade de passe (Meireles, finalmente!) na primeira zona de transição para o ataque. O FC Porto acabou por realizar uma 2ª parte em crescendo e que nos últimos minutos de jogo deixou os espanhóis a... cambalear!
Agora, os próximos 3 jogos (dois com o APOEL e um com o Chelsea) do FC Porto na competição serão fundamentais para o apuramento. Neste momento, as contas são fáceis de fazer: se fizer pelo menos 7 pontos nos próximos 3 jogos, o FC Porto chegará a Madrid, na última jornada, com 10 pontos conquistados, ou seja, com a qualificação para os Oitavos-de-final praticamente garantida.
Hoje, o FC Porto foi paciente e nunca subestimou o seu adversário. Apesar do Atlético ter sofrido 13 golos em apenas 5 jornadas do campeonato espanhol, os espanhóis continuam a ser uma equipa forte numa competição com as características da 'Champions'. Fica a pergunta: quantas equipas portuguesas (e europeias) conseguiriam vencer o At. Madrid?
Positivo (+):
- a cumplicidade entre Hulk e Falcão;
- a intensidade de Fucile (que grande jogo!);
- a entreajuda entre toda a equipa;
- a lucidez táctica do FC Porto nos momentos em que o Atlético esteve por cima no jogo;
- o passe de Raúl Meireles para Hulk no lance do primeiro golo;
- a recordação de Viena no calcanhar de Falcão;
- o calendário do FC Porto (joga agora duas vezes com o 'outsider' APOEL e de seguida recebe o Chelsea);
Negativo (-):
- a dificuldade do FC Porto em "agarrar" no jogo;
- a experiência com Tomás Costa na 'posição 6';
- equipa mantém alguma permessividade a defender os lances de bola parada;

«Curiosidades FCP» - A chegada de Branco e Geraldão

É muito pouco habitual um clube receber dois jogadores que tenham tanto em comum como estes dois brasileiros que representaram o FC Porto no final dos anos 80 e início da década de 90. Quando chegaram ao FC Porto, Branco e Geraldão eram ambos internacionais brasileiros, ambos defesas, ambos especialistas na marcação de livres-directos e tinham ambos 24 anos. Bela coincidência!
Estes dois brasileiros chegaram ao FC Porto como consequência da natural renovação do plantel que se seguiu à vitória na Taça dos Clubes Campeões Europeus, em Viena. Apesar de ter havido um ano a separar a chegada dos dois jogadores ao Porto (Geraldão chegou em 1987 e Branco em 1988), o objectivo da contratação de ambos era claro: compensar o natural desgaste de um conjunto de jogadores que atingiu a maturidade na final de Viena. No caso de Geraldão, para acautelar o final de carreira de jogadores como Eurico, Eduardo Luís, Celso ou Lima Pereira, e no caso de Branco, para substituir o carismático Inácio.
Geraldão foi o primeiro a chegar às Antas. O antigo defesa-central da Selecção do Brasil chegou ao FC Porto em 1987, vindo do Cruzeiro, e ganhou de imediato um lugar no «onze» de Tomislav Ivic.
Apesar de ter sido ao lado de Celso que realizou mais partidas na sua época de estreia no FC Porto, foi ao lado de Lima Pereira que Geraldão foi utilizado nas históricas finais da Supertaça europeia, frente ao Ajax, e da Taça Intercontinental, frente ao Peñarol. No campeonato nacional, Lima Pereira foi menos utilizado, pois o técnico croata privilegiava um quarteto que, além de Geraldão e Celso, incluía também o 'capitão' João Pinto e o lateral-esquerdo Inácio.
Em 1988/89, a chegada de Branco e a saída de Celso originaram alterações no quarteto defensivo do FC Porto. Apesar de João Pinto, Geraldão e Branco terem sido apostas quase sempre constantes dos técnicos que orientaram o FC Porto nessa época, houve alguma indefinição na escolha do parceiro de Geraldão.
Como Quinito só atingiu a 11ª jornada (foi substituído por Artur Jorge), o antigo defesa-central brasileiro foi obrigado a partilhar, alternadamente, o centro da defesa do FC Porto com Dito e Paulo Pereira, enquanto que Branco começava a ganhar a "guerra" da titularidade a Inácio. O lateral-esquerdo brasileiro chegou ao FC Porto vindo do Bréscia e só nos primeiros jogos da época 1988/89 é que cedeu o lugar a Inácio.
Na época seguinte, os dois internacionais brasileiros acabaram por ficar ligados ao regresso do FC Porto à conquista do título. Nessa época (1989/90), Artur Jorge utilizou um quarteto defensivo que nada ficou a dever a outros que se celebrizaram ao longo da história do clube. Além de terem sido os principais responsáveis pelos poucos golos consentidos pelo, na altura, ainda jovem guarda-redes Vítor Baía, João Pinto, Stephane Demol, Geraldão e Branco ainda foram responsáveis por 19 (!) dos golos que o FC Porto marcou nessa edição do campeonato.
Nessa altura, os bons desempenhos de Branco e Geraldão no FC Porto continuavam a chamar a atenção dos responsáveis da Selecção brasileira.
Contudo, e ao contrário do que aconteceu com Branco, que participou em 3 campeonatos do mundo, Geraldão viu ser-lhe negada a possibilidade de participar no 'Itália 90'. O ex-defesa-central do FC Porto estreou-se na principal Selecção do Brasil em 1987, numa altura em que a 'canarinha' era comandada por Carlos Alberto Silva.
Apesar de ter sido internacional em 9 ocasiões e de ter participado na 'Copa América' de 1987, Geraldão nunca escondeu a mágoa por ter ficado de fora do Mundial de 1990. «Minha única frustração no futebol foi não ter disputado a Copa de 90. Eu havia sido um dos melhores artilheiros do campeonato português naquela temporada, mas Sebastião Lazzaroni, mesmo sabendo disso, não me convocou», afirmou o antigo defesa-central brasileiro à imprensa.
Nesse campeonato do mundo, disputado em Itália, o Brasil foi eliminado logo nos Oitavos-de-final da competição pela Argentina, de Diego Maradona!

sábado, 26 de Setembro de 2009

Falcão resolve!

Depois de terminado o jogo frente ao Sp. Braga, julgo que todos os portistas (jogadores incluídos) desejavam que o clássico frente ao Sporting se realizasse logo no dia seguinte, pois essa seria a forma mais rápida de apagar a exibição e o resultado de Braga. No entanto, e tal como referimos no 'post' relativo à partida com o Sp. Braga, os «tetracampeões» surgiram nesse jogo tão desgastados, devido ao esforço realizado frente ao Chelsea, que defrontar o Sporting logo no dia seguinte até poderia produzir os efeitos contrários aos desejados. Ou seja, os 7 dias que separaram esses dois jogos acabaram por ser o bálsamo ideal para recuperar o FC Porto a nível físico e mental.
O resultado e a exibição no jogo de hoje confirmam isso mesmo, ou seja, não era necessário fazer nenhuma revolução no «onze» para vencer o nosso 2º maior rival. Só foi pena Falcão não ter concretizado a grande-penalidade, pois o jogo teria certamente outro final. Não foi assim, acabando o FC Porto por revelar grandes dificuldades em "agarrar" no jogo quando esteve em superioridade numérica (11 contra 10). Nesse período, o FC Porto sentiu a ansiedade resultante do seu actual 3º lugar na classificação. Foi hesitante e confuso, quando se pedia que continuasse a ser autoritário e seguro como foi nos primeiros 20 minutos da segunda-parte. Mas isso também não é mau de todo, pois significa que a equipa percebeu a importância do jogo de hoje.
No final, sobrou a vitória pela diferença mínima, que se ajusta ao que as duas equipas fizeram (o 2-1 ou o 3-2 também se aceitavam).
Jesualdo resolveu (e bem) emendar o «onze» que defrontou o Sp. Braga (quem dispõe a sua equipa em campo num 4-3-3 precisa de um médio criativo como Belluschi) de forma a dar mais profundidade e criatividade ao futebol do FC Porto. A verdade é que Jesualdo tem sido justo, dando oportunidades a todos os jogadores. Como Guarín e Mariano já tiveram a sua...
Hoje, com o que o treinador do FC Porto não contava era que o técnico do Sporting desse uma pequena ajuda. Enquanto que Paulo Bento se preocupava em esmiuçar a arbitragem, Jesualdo Ferreira optava por esmiuçar os erros do treinador do Sporting. Paulo Bento cometeu duas 'gaffes': deu a titularidade a Grimi, um jogador sem ritmo, e, na segunda-parte, "tirou" Miguel Veloso do jogo, colocando-o a defesa-esquerdo.
Assim, o FC Porto demorou apenas 2 (!) minutos a perceber onde estavam as fraquezas do adversário. Bastou um "sopro" de Hulk e um "bater de asas" de Falcão para o FC Porto passar para a frente e não mais largar a vantagem.
Conclusão: os erros do treinador do Sporting tiveram mais peso na derrota da sua equipa dos que os erros da equipa de arbitragem. Já ninguém tem paciência para as queixas de Paulo Bento! De facto, a tradição continua a não ser nada favorável ao nosso rival em jogos disputados nas Antas e no Dragão. Nos últimos 30 anos, o Sporting venceu apenas 2 vezes. Um 'score' quase... embaraçoso!
Com a vitória no jogo de hoje, o FC Porto pode enfrentar o At. Madrid com outro estado de espírito. Mas atenção, o At. Madrid também vem para ganhar!
Positivo (+):
- os primeiros 20 minutos do FC Porto em cada uma das partes;
- o instinto de Falcão no lance do golo;
- a alegria que o FC Porto colocou em jogo;
- o futebol vertical de Belluschi, que permite à equipa respirar de outra forma;
- a atenção de Helton;
- o regresso do «Incrível Hulk»;
Negativo (-):
- o jogo desastrado de Raúl Meireles e Mariano Gonzalez;
- as ausências de Varela e Cristian Rodriguez, que foram pretexto para mais um voto de confiança de Jesualdo em Mariano Gonzalez;
- a intranquilidade do FC Porto nos últimos 20 minutos;
- o pouco rigor do FC Porto a defender os lances de bola parada;

«Curiosidades FCP» - Os 'totalistas' de Yustrich

Hoje, nas «Curiosidades FCP», recuamos ao campeonato nacional que o FC Porto conquistou em 1955/56 recordando os 3 jogadores que o técnico brasileiro Dorival Yustrich utilizou em todos os jogos desse campeonato: Osvaldo Cambalacho, Virgílio e Gastão.
Estes 3 ex-jogadores do FC Porto participaram nos 26 jogos (em 1955/56 o campeonato disputou-se com apenas 14 clubes) dessa edição da liga portuguesa, que marcou o regresso do FC Porto à conquista do título depois do seu primeiro grande jejum sem vitórias no campeonato (o último título havia sido conquistado 16 anos antes, em 1939/40, com Mihaly Siska).
Dorival Yustrich utilizou 19 jogadores nessa edição do campeonato, que terminou com o FC Porto e o Benfica empatados no topo da classificação (o FC Porto levou a melhor no 'goal-average'). Desses 19 jogadores, apenas aqueles 3 foram utilizados em todos os jogos que o FC Porto efectuou nessa edição da prova.
Um lateral-direito (Virgílio), um lateral-esquerdo (Osvaldo Cambalacho) e um médio-ofensivo (Gastão) foram os 'totalistas' no «onze» do polémico e irascível técnico brasileiro.
Enquanto que Virgílio e Osvaldo Cambalacho foram os mais utilizados na defesa (o guarda-redes Pinho e o defesa-central Miguel Arcanjo ficaram logo atrás, com apenas menos um jogo realizado), Gastão foi o mais utilizado no meio-campo (Pedroto e Hernâni surgem logo a seguir na lista dos centro-campistas do FC Porto com mais jogos realizados nessa época).
Destes 3 jogadores, Virgílio continua a ser o mais recordado pelos adeptos do FC Porto. O «Leão de Génova» é um dos símbolos do clube e teve o privilégio de representar o FC Porto durante aquele período em que o clube registou um grande desenvolvimento a nível de infra-estruturas (com a construção do Estádio das Antas) e a nível desportivo (com as conquistas com Yustrich e, mais tarde, também com Béla Guttmann).
Este histórico defesa-direito do FC Porto começou por ser utilizado no meio-campo e só depois da chegada ao clube do técnico Alejandro Scopelli é que recuou para a posição que o celebrizou.
Quanto a Osvaldo Cambalacho, chegou ao FC Porto de forma muito discreta (vindo do Seixal, em 1951/52, salvo erro) e, algo surpreendentemente, tornou-se num dos pilares da equipa de Yustrich. Segundo relatos da época, foi o técnico brasileiro que "fez" do lateral-esquerdo um jogador que os adversários começaram a ter em conta.
Por último, Gastão. Apesar de ter sido um dos protagonistas dessa célebre equipa do FC Porto, não abundam as informações a seu respeito. Este médio-ofensivo brasileiro chegou ao FC Porto (provavelmente por indicação de Yustrich) depois de ter representado dois históricos clubes brasileiros, o Fluminense e o Atlético Mineiro.
Além de ter sido um dos grandes responsáveis por "alimentar" a frente de ataque, Gastão também se revelou um excelente finalizador, tendo apontado 9 golos nessa edição do campeonato nacional (só foi superado por Jaburu, com 21 golos, e por António Teixeira, que apontou 14).
Em cima, na foto, recuperámos um «onze» do FC Porto (da equipa que nessa época também venceu a Taça de Portugal) onde surgem aqueles 3 jogadores.
Em cima (da esq. p/ dta): Pinho, Pedroto, Monteiro da Costa, Miguel Arcanjo, Osvaldo Cambalacho e Virgílio;
Em baixo (da esq. p/ dta): Hernâni, Gastão, Jaburu, Carlos Duarte e Perdigão;