Percebe-se que Pinto da Costa e Antero Henrique não querem deixar cair o treinador, pois sabem que estariam a ser injustos com Vítor Pereira e, ao mesmo tempo, a serem coniventes com a postura despreocupada de alguns jogadores. Vítor Pereira até será o menos culpado, mas mantê-lo no comando da equipa será prolongar um capricho. Pinto da Costa e Antero Henrique sabem-no!
Paixão pelo Porto
Terça-feira, 31 de Janeiro de 2012
Um novo ciclo, um novo treinador!
Percebe-se que Pinto da Costa e Antero Henrique não querem deixar cair o treinador, pois sabem que estariam a ser injustos com Vítor Pereira e, ao mesmo tempo, a serem coniventes com a postura despreocupada de alguns jogadores. Vítor Pereira até será o menos culpado, mas mantê-lo no comando da equipa será prolongar um capricho. Pinto da Costa e Antero Henrique sabem-no!
Segunda-feira, 30 de Janeiro de 2012
Voltou o boicote!
Não, não estamos a falar do boicote de Bruno Paixão às boas arbitragens (é curioso, o FC Porto e o Sporting saem sempre prejudicados dos jogos por ele arbitrados), mas sim do boicote dos jogadores do FC Porto àquilo que tem sido uma imagem de marca do clube, a atitude. O FC Porto 2011/12 tem sido zero em atitude competitiva!Ontem, foi um FC Porto em ritmo de treino o que se apresentou em Barcelos. A tabela classificativa (o FC Porto está a 5 pontos do primeiro lugar) começa agora a reflectir melhor a diferente atitude competitiva (não a qualidade de jogo) entre FC Porto e Benfica. Fica um conselho: comecem por arrumar a casa, depois haverá legitimidade para criticar o trabalho do árbitro.
A verdade é que esta época o FC Porto coleccionou erros atrás de erros, fora e dentro de campo: no planeamento (é anedótico abordar a Liga dos Campeões com apenas um ponta-de-lança disponível), na comunicação (um desastre as mensagens para dentro e para fora), na gestão do plantel (jogadores em excesso para umas posições e em falta para outras), na abordagem aos jogos (Vítor Pereira começou por privilegiar os passes curtos e a posse, agora confunde-nos com uma mescla de futebol apoiado e transições rápidas)….. Enfim, uma trapalhada!Ainda assim, não esperávamos que o FC Porto apresentasse esta postura. Que forma estranha de entregar o campeonato, sem lutar e com total desprezo pelos adeptos que foram a Barcelos.
«Curiosidades FCP» - O programa oficial do AC Milan - FC Porto, Liga dos Campeões 1992/93
Continuamos a recuperar artigos alusivos a jogos do FC Porto nas competições da UEFA. Hoje recuamos à edição de 1992/93 da ‘Champions’ com a capa do programa oficial do AC Milan - FC Porto. O FC Porto (de Carlos Alberto Silva) defrontou o AC Milan (de Fabio Capello), em San Siro, na 4ª jornada da fase de grupos. Nessa ocasião, a histórica equipa com Baresi, Maldini, Rijkaard, Jean-Pierre Papin e Marco Van Basten, entre outros, derrotou o FC Porto (de Vítor Baía, Aloísio, Fernando Couto, Domingos, Kostadinov,….) por 1-0 (golo de Eranio, aos 32’). A «foto do dia» - António Morais
Quinta-feira, 26 de Janeiro de 2012
Quem não gostava de o ver regressar?
Confesso que estes ‘comebacks’ me deixam sempre apreensivo, pois o custo com o salário e com o passe do jogador raramente acompanham os sucessos desportivos e uma possível futura mais-valia. Neste caso, com ‘El Comandante’ na casa dos 31 anos (fez anos na semana anterior!) nem se colocava a hipótese de conseguir vender o jogador. Além disso, é preciso não esquecer que Lucho também retiraria a possibilidade de promover e valorizar outro jogador. Mas caramba, às vezes também é preciso deixar o lado económico e olhar ao coração dos adeptos e ao lado emocional do Futebol. Além disso, parece ser consensual que o FC Porto 2011/12 necessita de uma injecção de entusiasmo que consiga contagiar a massa associativa e a própria equipa. O Lucho e o FC Porto são uma relação de amor, e as relações de amor não têm preço!«Curiosidades FCP» - Viena a ‘preto-e-branco’
Hoje recuamos à ‘mágica’ final de Viena com duas fotos a ‘preto-e-branco’ dos momentos que se seguiram à entrega do troféu. As fotos têm apenas duas coisas em comum: o João Pinto e a Taça!
Segunda-feira, 23 de Janeiro de 2012
Um jogo entretido
Os embates com o Vitória de Guimarães são sempre muito disputados e com alguma fricção à flor do relvado e este também não fugiu à regra.O FC Porto entrou dominador no jogo, com boa circulação de bola e muita fluidez no entanto deu sempre algum espaço na sua retaguarda, que poderia ter causado alguns amargos de boca. O primeiro golo da equipa portista, conseguido por Rolando isolado na grande área depois de um passe magistral de James Rodrigues, deu alguma tranquilidade e permitiu criar novas dinâmicas especialmente no ataque, mostrando um dragão seguro e um Vitória a jogar na expetativa.
No reinício da partida o FC Porto asfixiou completamente o seu adversário e chegou facilmente aos dois zero, num bom golo de João Moutinho depois de uma tabela com Kléber, é também para isto que um ponta-de-lança serve.
O desafio entrou numa toada de total domínio da equipa azul e branca com o Guimarães de braços caídos, até que o árbitro inventa uma falta, dá cartão amarelo a Fernando o que o impossibilita de jogar com o Gil Vicente na próxima jornada, e na recarga ao livre a equipa forasteira reduz para dois um e está de volta ao jogo sem fazer nada para isso. Apesar desta contrariedade o FC Porto partiu à procura do terceiro golo, sem perder a cabeça e sem conceder validades aos minhotos, acabando por conseguir este objetivo numa grande penalidade sofrida e convertida por James Rodriguez.Este encontro marcou a estreia do internacional brasileiro Danilo, que apesar do pouco tempo em campo, já deu um ar da sua graça nomeadamente no seu posicionamento em jogo.
Contas feitas e mesmo sem Hulk o FC Porto não tremeu e cumpriu a sua missão, batendo de uma forma categórica o Vitória de Guimarães por 3- 1.
Amândio Rodrigues
«Curiosidades FCP» - O bilhete da homenagem a Pavão
Quinta-feira, 19 de Janeiro de 2012
O problema resolve-se com o novo ponta-de-lança?
Apesar da Taça da Liga continuar a ser algo menosprezada pelos clubes, a verdade é que este jogo com o Estoril até veio em boa altura para o FC Porto. Além de haver vários jogadores que precisam de minutos, também era mais uma oportunidade para afinar o ataque. É nesse sector que Vítor Pereira deve concentrar as suas preocupações. O jogo nos últimos 30 metros continua a ser confuso e pouco fluído. Será que isto se resolve com a chegada do novo ponta-de-lança?Notas positivas do jogo de ontem: Varela ‘voltou’; os 4 centrais do FC Porto estão todos disponíveis e em excelentes condições físicas; há vários jogadores que chegam a esta fase da época com fome de bola: Mangala, Álvaro Pereira, Varela, Iturbe,….
A nota negativa vai uma vez mais para o discurso (serão conselhos internos?) de Vítor Pereira: já estamos cansados de o ouvir dizer que a Taça da Liga não é uma prioridade. Fica a sensação que o treinador do FC Porto está à procura de um álibi para um possível insucesso na competição. Não se compreende este constante desdém que o FC Porto insiste em mostrar pela competição. Não é dramático perder a ‘Taça Lucílio Batista’!
«Curiosidades FCP» - Schumacher e Madjer
Na semana anterior recuperámos uma foto de Rabah Madjer com a camisola da selecção da Argélia. Hoje, voltamos a dedicar um ‘post’ ao ex-avançado do FC Porto. Recuperamos uma foto onde o argelino surge ao lado do histórico guarda-redes alemão Harold Schumacher. Estas duas lendas do futebol mundial encontraram-se na recente cerimónia de candidatura do Qatar à organização do Mundial 2022. Segunda-feira, 16 de Janeiro de 2012
Sem força, foi com jeito!
O primeiro jogo do FC Porto ‘pós perda de liderança da Liga’ não foi muito diferente dos anteriores. A mesma dificuldade na fluidez de jogo e em criar oportunidades de golo. O jogo do FC Porto continua a ter mais transpiração do que inspiração. Não era suposto termos que batalhar tanto para criarmos 3 ou 4 ocasiões de golo num jogo frente ao Rio Ave. Valeu a noite inspirada do miúdo colombiano. Não houve a força de Hulk, houve o jeito de James!Talvez esteja a ser um pouco injusto com Vítor Pereira, mas isso deve-se ao facto de ter ficado desiludido com a postura do FC Porto em Alvalade. Era preciso dar um sinal forte. O ‘clássico’ era daqueles jogos que pedia uma forte mobilização da equipa.
O discurso de Vítor Pereira parece agora mais coerente com o futebol pouco alegre que o FC Porto pratica. «Ainda temos uma palavra a dizer», disse o treinador do FC Porto no final do jogo frente ao Rio Ave. Mas antes isso do que o discurso que se seguiu à exibição pouco ambiciosa de Alvalade e consequente perda da liderança: «Não vamos esperar pelo ‘clássico’ com o Benfica para resolvermos o campeonato». É caso para dizer: casa arrombada, trancas na porta!Aliás, esta época a equipa não tem acompanhado o discurso que vem de dentro. Frases como “somos FC Porto” ou “estamos fortes e unidos” parecem um pouco forçadas e descontextualizadas.
«Curiosidades FCP» - O programa oficial do FC Porto - Anderlecht, Liga dos Campeões 1993/94
Continuamos a recordar artigos alusivos a jogos do FC Porto nas competições da UEFA. Hoje recuperamos a capa do programa oficial do FC Porto - Anderlecht, jogo da 4ª jornada da ‘Champions’ 1993/94 (vitória do FC Porto por 2-0, golos de Drulovic, aos 9’, e Secretário, aos 90’).Apesar do programa oficial ser relativo ao jogo com os belgas, na capa surge uma foto relativa à 1ª jornada, jogo entre o FC Porto e o Werder Bremen (na foto vemos Vítor Baía e Rufer).
Sexta-feira, 13 de Janeiro de 2012
Silly season II
Aproveitando a janela de transferência excecional, todos os dias somos bombardeados com possíveis contratações e mudanças de inúmeros jogadores, como é habitual o FC Porto está na berlinda. Os efeitos que toda esta especulação jornalística tem nos jogadores é algo que varia de atleta para atleta, mas deixa sempre as suas marcas e este ano no FCP têm sido por demais evidentes. O que é percetível para todos nós, mesmo aqueles que como eu percebem pouco de futebol, é que o plantel do FC Porto foi mal construído, com jogadores em excesso numas posições e em falta noutras e acresce ainda a tudo isto a falta de habilidade e aptidão que Vítor Pereira tem demonstrado para exponenciar ao máximo o grupo de que dispõe. A frente de ataque é o setor mais frágil da equipa, pois sem golos não se ganham jogos, mas nesta altura não será fácil arranjar um ponta de lança de créditos firmados a preço acessível, um jogador interessante para esta posição seria o dinamarquês Nicklas Bendtner, contratação que já esteve muito perto de acontecer em Agosto de 2011.
De todas as movimentações registadas nos últimos dias, há uma totalmente inesperada, José Mourinho terá estado na cidade do Porto, onde alegadamente se encontrou com Antero Henrique, a quem convidou para assumir funções na próxima época no Real Madrid, no lugar que já foi de Jorge Valdano. A ser verdade, e a nossa fonte é credível, não é a primeira vez que acontece, pois aquando da ida de Mourinho para o Chelsea tentou a mesma operação mas esbarrou com a recusa do atual diretor geral do FC porto, o desfecho desta segunda tentativa é para nós desconhecida.Amândio Rodrigues
«Curiosidades FCP» - Stephane Demol
Na foto em baixo, também recordamos a sua passagem pelo histórico Anderlecht, clube que representou no início da sua carreira.
A «foto do dia» - O bilhete do Tirsense - FC Porto, campeonato nacional 1995/96
Como as competições europeias só regressam em Fevereiro, hoje, em vez de um ingresso relativo a um jogo do FC Porto na Europa, recuperamos um bilhete relativo a um jogo do campeonato nacional.Recuamos à época 1995/96 com o bilhete que deu acesso ao Tirsense - FC Porto, um jogo que vencemos por 2-4 (para o Tirsense marcaram Gaspar, aos 9’, e Rebelo, aos 82’, e para o FC Porto marcaram João Manuel Pinto, aos 27’, Rui Barros, aos 38’, Folha, aos 47’, e Bino, aos 80’).
Nessa época, o FC Porto de Bobby Robson venceu a Liga com 11 pontos de vantagem sobre o Benfica.
Segunda-feira, 9 de Janeiro de 2012
Preparar o futuro e hipotecar o presente!
Esta pode muito bem ter sido uma das jornadas mais importantes da Liga. Foi por isso surpreendente que o FC Porto tenha abordado o ‘clássico’ de forma algo passiva: esperando pelo adversário e jogando para o ‘pontinho’. Este jogo marcava a terceira tentativa de afirmação do FC Porto 2011/12 depois dos empates com Benfica e Zenit. E a pressão que o FC Porto enfrentava até era ‘saudável’, pois a vitória deixava-nos na frente da Liga e de auto-estima reforçada. Voltámos a não convencer!Noutras circunstâncias, com um Sporting verdadeiramente candidato ao título e com o FC Porto isolado no 1º lugar da Liga, o empate até seria um bom resultado. Mas só nessas circunstâncias. Esperemos que isto não tenha sido o ‘click’ que faltava ao Benfica para assumir definitivamente o comando do campeonato….
O que estava em causa não era a nossa possível descida ao 2º lugar da Liga (qualquer que fosse o resultado do ‘clássico’ de Alvalade, o FC Porto ficaria sempre a depender de si próprio para chegar ao título), mas sim a capacidade do FC Porto dar um sinal aos adeptos e aos adversários que, independentemente da época algo atípica, continuava a ser autoritário no campeonato.Seis meses depois do início da época continua a não haver qualquer cumplicidade e entendimento entre os homens que formam o ataque do FC Porto. Hulk está deslocado, enquanto que Cristian Rodriguez e Djalma, apesar de bons profissionais, são incapazes de um ‘golpe de asa’ que leve a equipa ao golo. Não se entende a demora no lançamento definitivo de jovens como James Rodriguez, Kléber ou Iturbe. Está-se a preparar o futuro e a hipotecar o presente!
Sexta-feira, 23 de Dezembro de 2011
O Natal com Paulo Futre
Aproveitando a quadra natalícia e a ausência de competições, o ‘Paixão pelo Porto’ publica uma espécie de ‘Especial de Natal’ dedicado a Paulo Futre, um dos grandes protagonistas da fabulosa e excitante década de 80 do FC Porto.Recordamos algumas fotos da sua passagem pelo FC Porto e alguns excertos das sempre divertidas entrevistas que concedeu à imprensa portuguesa desde que deixou os relvados.
Como se deu a mudança do Sporting para o FC Porto?
Estava a passar os piores dias da minha vida. Era um puto alegre, divertido, mas o treinador (John Toshack) já me tinha dito que não contava comigo e na imprensa começava a sair que seria emprestado à Académica. Foi quando apareceu o FC Porto e o Pintinho (Pinto da Costa) me disse: ‘Paulinho, aqui vais ser tu e mais dez’. Logo aí vi a inteligência dele.
E oferecem-te um contrato que reflectia essa ideia...
Não era só o contrato. Era a coragem. Apostaram a 100% em mim. A seguir ao Fernando Gomes era o mais bem pago. Estou agradecido para sempre ao Pinto da Costa. A ele devo tudo, porque o Sporting não acreditava em mim.
Quem se lembrou de alegares falta de condições psicológicas para romperes o contrato com o Sporting?
Acho que foi o Guilherme Aguiar, o advogado do FC Porto. Foi uma jogada genial.
Havia o risco de ser sequestrado pelas pessoas do Sporting, porque só seria jogador do FC Porto quando fizesse o primeiro jogo. Vivi em casa do Álvaro Braga Júnior e andava sempre com guarda-costas.
Tiveste algum problema?
Só uma ‘pintadas’ ao pé de minha casa, por ser de Lisboa. ‘Mouro, filho da mãe, não te queremos’. Com adeptos do Sporting, nada. Mas cá em baixo foi tremendo. Só pude voltar ao Montijo no Natal, seis meses depois de ter chegado ao FC Porto.
No balneário do FC Porto olharam-te de lado por seres de Lisboa?
É normal. Havia uma grande rivalidade norte-sul e era um grupo muito fechado. Chegas e vais ganhar mais do que quase todos. Conhecia alguns da Selecção e, quando fui para os cumprimentar no primeiro dia com um abraço, não fui correspondido. Se pudesse, tinha-me pirado a sete pés. Foi como na cidade: tive de os conquistar a pulso. Era odiado no Porto por alguns e em Lisboa por todos os adeptos do Sporting.
Que diferenças encontraste no FC Porto?
No Sporting havia vários líderes. O ‘Manel’ [Fernandes], o Jordão e o Oliveira. No FC Porto havia o Gomes e depois muitos sargentos, Lima Pereira, João Pinto, Jaime Magalhães, Zé Beto, Frasco. E mais abaixo muitos jogadores do norte, André, Semedo, Quim. Ali ninguém entrava, controlavam tudo. Ninguém podia falhar as regras. Todas as sextas faziam um almoço só entre eles. Não iam os de Lisboa nem os estrangeiros. E eu meti na cabeça que tinha que ir ao almoço. No ano seguinte fui convidado.
Sim. E passei a ser sargento. Quando vi que estava com peso, consegui introduzir os estrangeiros e os outros no almoço. Almoçávamos e depois tomávamos café na Praça Velasquez. O jogador do FC Porto é ali rei. Era o único dia em que eu sacava o meu carro, o RS Turbo, só para dar ambiente. Um ano depois já me viam como um deles. Até o sotaque lá de cima já tinha. No campo tínhamos sido campeões e fora dele mostrei que seguia as regras.
Por exemplo?
Se te portasses mal, se fosses apanhado às tantas da manhã a uma quinta ou sexta-feira, era tremendo. Tudo chegava lá dentro. Estavas a ir contra o grupo.
Eram os jogadores a dar a primeira reprimenda?
Claro. ‘Ó filho da mãe’ - ali não há outra maneira de falar -, ‘estás a falhar-nos. Não nos falhes, cabrão, precisamos de ti para domingo’.
E como lidava a equipa técnica com as quebras de disciplina?
Havia o Octávio Machado, que era o polícia mau, o cão – sem ofensa porque devo muito ao Octávio –, e o polícia bom que era o professor João Mota. Se passasses para cima, ou seja, se fosses ao Artur Jorge, já era gravíssimo. E se depois fosses ao Pintinho, então era muito, muito grave.
Foste muitas vezes ao Artur Jorge?
Muitas. Mas mais em defesa do grupo, a partir do segundo ano, quando já era líder.
Saías muito à noite?Saía. Mas quando podia. Íamos ao Swing, quando ganhávamos, mas não abusava. Se tivesse que abusar vinha ao Montijo. Normalmente não saía das regras.
Octávio Machado andava sempre de olho em ti?
Era o cão e o gato. Mas adorava-o na parte boa, e ele tinha sempre razão. Só que havia momentos em que eu disparava. Um gajo estava em casa e ele aparecia à meia-noite a tocar à campainha. ‘Que é?’. ‘Ah, já estás aí? Ok’. Uma grama a mais ou a menos de peso era logo motivo para uma discussão do outro mundo. ‘O que é que fizeste ontem, caralho... não almoçaste?’. Isto era se falhasse uma grama, se fosse um quilo era logo chamado ao Artur Jorge. Não era só comigo, era com todos. Às tantas já ia para o treino a rezar. Pesávamo-nos todos nus, nem sequer havia ali números de meter o relógio no bolso para ajudar.
As tuas maiores pegas foram sempre com Octávio?
Claro. O Octávio era o meu controlador, mas estou-lhe agradecido, porque eu era miúdo e ele fazia de polícia mau. Mas tinha também pegas com outros. Teve uma tão grande com o Madjer que saímos todos dos quartos para ver o que se passava. O João Pinto teve que se pôr no meio dos dois, isto tudo em cuecas. Estávamos proibidos de comer nos hotéis fora do Porto, com o medo que metessem qualquer coisa na comida. Mas às vezes tínhamos fome à noite e corrompíamos os empregados. Se nos apanhava, o Octávio fazia queixa do empregado e a nós dava-nos broncas. ‘Amanhã vais estar de caganeira, se meteram aí veneno como é que é?’. Era uma coisa única. Quando íamos à Selecção, estávamos proibidos de tocar nas vitaminas. Levávamos as nossas. Ele ia ver os treinos e perguntava-me quanto é que estava a pesar. ‘Já tomaste as vitaminas? Já fizeste não sei o quê?’.
O que acontecia quando o Octávio tocava à campainha e não estavas em casa?Esperava-me.E quando chegavas?
Se fosse muito tarde, às duas da manhã, dava-me uma bronca. Mas já o conhecia e não abusava. Sabia que depois de terça-feira não podia fazer isso. Mas havia dias que tinha que levar com o Artur Jorge de manhã, que era do pior. Rasgava-me todo.
Era mais duro do que o Octávio?
Porra! Se passavas lá para cima... Com o Octávio era cara a cara. Com o Artur não podias, baixavas a cabeça.
Ao Artur Jorge não respondias?
Responder o quê, fogo! Baixavas as orelhinhas e só ouvias. ‘Agora não treinas. Vai-te embora para casa, desaparece’. Aos gritos.
O Artur Jorge tem uma imagem de alguém mais sereno...
Isso foi depois do Benfica, depois do cancro. No FC Porto era o maior. Mas o maior a sério. Foi um dos maiores que tive.
Conta-nos um episódio.
Um dia fomos jogar a Coimbra e era como uma final para nós. Estávamos a lutar com o Benfica e fomos campeões só na última jornada. O que é que eu fazia muitas vezes? Vinha ao Montijo a seguir ao jogo de domingo - sempre com autorização, não podia simplesmente desaparecer - e depois só havia treino terça de manhã. Na segunda dormia da meia-noite às cinco e arrancava para o treino. Treinava e a seguir dormia a sesta.
Para o tal jogo em Coimbra, cheguei atrasado ao primeiro treino da semana. E ele não admitiu. Normalmente dava-me broncas, mas, naquele dia, cheguei lá e disse-me: ‘Vai-te embora, pá, não treinas’. Assim que me disse isso, pensei: ‘Ui, vou já para a cama, maravilha’. Havia treino à tarde e cheguei a horas, mas quando fui ao roupeiro não havia ordem para me darem o cesto. Tive que ir falar com o homem: ‘Vai-te embora, pá, não treinas’. Quarta de manhã, a mesma coisa. Quinta, igual. E eu caladinho. Sexta-feira já havia apostas entre o pessoal. Joga, não joga, é convocado, é titular, vai para o banco. E eu todo lixado.Foste titular?
Saiu a convocatória e lá estava o meu nome. Que alívio. O treino de sábado de manhã era o mais intenso da semana, com as peladas atrás da baliza. Nos clubes por onde passei, era só ‘calma, não toca’. Ali era ao contrário. Caneleiras até cima, ai minha mãe, metiam-te o pé na cara. O jogo de amanhã? Qual quê? O jogo começava ali. Se te lesionasses, azar. Nesse sábado cheguei lá e a mesma coisa: ‘Não treinas’. No dia a seguir fui titular e fiz um jogo do outro mundo. No último segundo, com o relvado cheio de poças porque chovia torrencialmente, alguém despejou a bola para a frente. Sprintei, toquei na bola antes do Kikas, da Académica, e dei um mergulho, mas um mergulho mesmo a sério. E o árbitro, que estava no meio-campo, marcou penálti. O Kikas nem me tocou, mas só dava para perceber à segunda repetição na televisão. O FC Porto fez o 2-1 e acabou o jogo. No balneário, o Artur Jorge cumprimentou todos um a um. E passou por mim sem me tocar.
Ficaste chateado?Ele nunca foi de me dizer mais do que ‘bom jogo’. Quando me fui despedir, antes de ir para Madrid, disse-me: ‘Sabes por que nunca te elogiei? Porque tu vais ser o melhor jogador do mundo. Se te elogiasse perdias-te. E quase acertou, fiquei com a Bola de Prata. [a Bola de Ouro de 1987 foi para Ruud Gullit].
É verdade que o FC Porto chegou a pôr uma mulher atrás de ti para te vigiar?É uma história incrível. Custa-me falar nisso.
Sentiste-te enganado?
Enganado, traído. Se antes tinha um escudo de um metro à minha volta, passou a ser de cem. Tudo o que se aproximava para mim era bicho. Não perdoei a essa mulher. Era uma amiga especial, dez anos mais velha ou mais.
Como descobriste que andava a espiar-te?
Contava-lhe tudo, tinha confiança nela, e depois o FC Porto vinha a saber. ‘Estiveste no Teenagers em São João da Madeira’. Mas como é que sabiam? Ninguém me tinha visto... Contava-lhe o que tinha feito na noite anterior. ‘Estive em casa e dei duas quecas até às três da manhã’. No outro dia já sabiam de tudo no FC Porto. Ainda pensei que tinham metido escutas lá em casa, mas cada vez desconfiava mais dela e montei-lhe uma armadilha. A partir daí passei a ter uma muralha à minha volta. Talvez até me tenha feito bem.
Nunca confrontaste o FC Porto?
Não. Nem podia. Era a minha palavra deles contra a minha.
Meses depois conheceste a futura mãe dos teus filhos. Ainda estavas na defensiva? Claro. Não só com a mãe dos meus filhos, a Isabel, mas com todas as mulheres que conheci antes de a encontrar. Conhecia-a já depois do Mundial do México, em 1986.Disseste que quando os toureiros se retiram cortam a trança. Qual foi a maior faena?
É verdade! E até cortei o cabelo quando me retirei definitivamente, para “cortar com o passado” e começar uma nova fase, sabes? Quanto à maior faena… há dois jogos que marcam a minha vida: a final contra o Bayern e a final da Copa do Rei com o Real. Partimos aquilo tudo. Inolvidável! [sorriso]
Saíste de Viena, em 1987, pela porta grande e em ombros. Foi aí que ganhaste estatuto internacional?
Sem dúvida. A Europa passou a saber que eu existia e podia ser um caso sério no futebol.
Quinta-feira, 22 de Dezembro de 2011
Frio... como a noite!
As piores suspeitas confirmaram-se, depois dos responsáveis portistas continuarem, inexplicavelmente, a desconsiderar esta prova, espera-se sempre um FC Porto a realizar más exibições, foi assim no passado e tudo indica que vai continuar, o jogo desta noite alinhou pelo mesmo diapasão.Uma primeira parte muito insípida, com pouco ritmo, que mais parecia um jogo de treino, com dois golos mas poucas oportunidades, este primeiro tempo destaca-se o golo de Cristian Rodriguez numa jogada bem trabalhada e melhor finalizada.
Nos segundos 45 minutos, Vítor Pereira emendou a mão, em relação ao que tinha dito na antevisão do jogo, e meteu mesmo a artilharia pesada, para o conseguir ganhar e acabou por ser feliz.
Estabelecendo uma analogia em relação a jogos disputados nas épocas anteriores desta mesma competição, pareceu-me ter sido este o jogo em que o FC Porto o encarou com uma atitude mais competitiva, mas acima de tudo o que fica para a história é a vitória.
Amândio Rodrigues
A «foto do dia» - Tommy Docherty
Hoje dedicamos uma foto a Tommy Docherty, um treinador escocês que orientou o FC Porto no início da década de 70 (chegou ao Porto a meio da época 1969/70 e não chegou a terminar a de 1970/71). A chegada do escocês acabou por não ter resultados práticos (o FC Porto estava mergulhado naquele longo jejum sem vitórias no campeonato), mas ficou na memória o ‘bon vivant’ afável e fã do nosso Vinho do Porto.Nesta foto (autografada pelo próprio), vemos Docherty a celebrar um título conquistado ao serviço do Manchester United, um dos clubes que orientou depois de deixar o FC Porto.
Recentemente, aquando da última visita do FC Porto a Londres para defrontar o Chelsea, Docherty confessou a um canal de TV que «o FC Porto de hoje é totalmente diferente do meu FC Porto. Cresceu e é hoje um clube fantástico».
«Curiosidades FCP» - O bilhete do FC Porto - Beira-Mar, Final da Taça de Portugal 1990/91
Como as competições europeias só regressam em Fevereiro, em vez de um ingresso relativo a um jogo europeu recuperamos um bilhete relativo a uma competição nacional.Recuamos ao FC Porto - Beira-Mar, jogo da final da Taça de Portugal 1990/91, com o bilhete que deu acesso à final do Jamor. O FC Porto, de Artur Jorge, venceu o Beira-Mar, de Vítor Urbano, por 3-1 (após prolongamento): golos de Domingos, aos 5’, Abdel Ghany, aos 35’, Kostadinov, aos 97’, e Jaime Magalhães, aos 100’.
«Curiosidades FCP» - Rui Barros
Continuamos a recordar jogadores do FC Porto que vestiram camisolas de outros clubes estrangeiros. Hoje é a vez de Rui Barros, o avançado e ex-treinador adjunto do FC Porto (chegou a orientar a equipa como treinador principal após a saída de Co Adriaanse).Rui Barros representou o FC Porto apenas durante uma época antes da sua primeira experiência internacional (regressaria depois às Antas, onde permaneceu até terminar a carreira).
Neste ‘post’, recordamos a sua passagem pelo Mónaco e pela Juventus (primeiro clube que representou fora de Portugal).

Segunda-feira, 19 de Dezembro de 2011
Falta afinar o ataque!
Sem jogo europeu a meio da semana, o FC Porto tinha tudo para se apresentar bem mais fresco, física e mentalmente, do que no jogo frente ao Beira-Mar. E assim foi! A intensidade colocada em campo foi bem mais alta e constante do que em jogos anteriores. Era importantíssimo chegar à pausa de Natal na frente da Liga. Estamos a chegar a uma altura do campeonato em que os pontos estão a ficar muito “caros”, principalmente para o trio da frente!É claro que as ausências de Olberdam, Roberto Sousa e Rafael Miranda condicionaram um pouco o jogo do Marítimo (era como se o FC Porto, de uma assentada, ficasse sem Fernando, Moutinho e Belluschi), que ainda assim revelou organização e bom posicionamento. No entanto, isso não retira mérito à nossa vitória. O FC Porto respeitou e estudou o seu adversário.
Agora, encontrada a estabilidade, é altura do ‘FC Porto de Vítor Pereira’ ir à procura de estender o bom futebol aos últimos 30 metros do campo. Falta afinar o ataque: o futebol de Djalma é confuso e precipitado, e Hulk não pode desequilibrar nas alas e, ao mesmo tempo, aparecer no meio a finalizar. Estas opções de recurso que Vítor Pereira tomou podem ter ajudado a equipa a encontrar equilíbrio e harmonia nesta fase mais crítica, no entanto, com estas adaptações será difícil atingir o nível da época passada. Aumenta a expectativa para a reabertura do mercado, para a chegada de Danilo e para a definitiva afirmação de Iturbe. Mas ficam duas certezas: voltou a ser difícil marcar golos ao FC Porto e os jogadores estão agora bem mais comprometidos com o jogo.Agora, depois da estreia na Taça da Liga e das mini-férias de Natal, segue-se o ‘clássico’ com o Sporting. Apesar de não ser um jogo decisivo para a atribuição do título, o Sporting-FC Porto vai ser fundamental para a saúde psicológica e auto-estima do campeão: será a terceira tentativa de afirmação do ‘FC Porto de Vítor Pereira’ depois de não ter sido bem sucedido nas duas primeiras (empates com Benfica e Zenit). Desta vez vai valer mais que 3 pontos!
«Curiosidades FCP» - Kostadinov
Continuamos a recordar ex-jogadores do FC Porto que vestiram a camisola de outros clubes estrangeiros. Hoje recordamos Emil Kostadinov, o rapidíssimo avançado búlgaro que aterrorizava a Luz e Alvalade. Nesta foto, vemos o ‘Kosta’ com a camisola do CSKA de Sofia, clube onde se formou e de onde se transferiu para o FC Porto.
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