A participação da seleção nacional no recente
Europeu foi espetacular e muito acima das expetativas, incluindo as minhas. Se
atendermos ao grupo de selecionados, ao selecionador e a todas as
circunstâncias que envolveram a equipa o resultado esperado não podia ter sido
melhor. Pese embora todas as críticas feitas a Paulo Bento, inclusive aqui
neste espaço, a verdade é que fez um bom trabalho e conseguiu criar um espírito
de grupo pouco usual e raramente visto na equipa das quinas, sem entrar muito
no patriotismo bacoco que durante alguns anos esteve em voga no país. Não
tínhamos a obrigação de ser campeões europeus, como em 2004, quando
desperdiçámos a oportunidade de o fazer e que provavelmente não se irá repetir
tão cedo. Terminar esta competição no pódio e ir muito além da verdadeira
dimensão do país, do desporto em geral e do futebol em particular, são dois
domínios onde nos podemos bater com os melhores olhos nos olhos, apesar de
continuarmos a empobrecer diariamente e a afastarmo-nos cada vez mais de uma
Europa do Norte moderna e onde a igualdade social não é uma simples retórica e, já agora, onde o futebol não é o ópio do povo.
Amândio Rodrigues




















