Hoje escolhi um título (de contornos épicos!) diferente para a crónica do Benfica - FC Porto. A ideia ocorreu-me ao visitar o muito recomendável blog ‘Memória Azul’. O autor da frase que dá título ao ‘post’ é Ricardo Jorge, um conceituado médico, escritor e professor universitário que no início do século XX lutou contra a discriminação de que já nessa altura a cidade do Porto era alvo. Quase 100 anos depois, muito pouco mudou. O Porto continua a ser uma das cidades europeias com maiores níveis de desemprego e desigualdades sociais. Uma causa: o progresso material realizado em Lisboa não se difundiu equitativamente por outras regiões do país. E o poder de compra das populações acaba por acompanhar essa assimetria. É contra esta política de tipo sectorial que o FC Porto deverá continuar a lutar, nem que o faça apenas de forma a proporcionar alguma alegria e alento às pessoas através das vitórias da sua equipa de Futebol.
Agora o jogo. Confesso que fiquei algo surpreendido com a postura que o FC Porto apresentou na Luz. Totalmente diferente daquela que havia tido em Alvalade. De facto, para se ser campeão é preciso ser grande nos ‘jogos grandes’. O FC Porto foi. Grandíssimo!!! Numa época em que cometemos alguns erros estratégicos, não deixa de ser notável que consigamos liderar a Liga com 3 pontos de vantagem (na realidade são 4!) sobre o segundo classificado. Isto até é algo embaraçoso para quem sempre quis passar para a opinião pública a ideia de ter um futebol avassalador e vertiginoso. Enfim, aquelas ‘traulitadas’ habituais de Jorge Jesus que a turba benfiquista depressa interioriza! A verdade é que o Benfica começa a ver fugir-lhe pelos dedos da mão um campeonato que dava quase como garantido. O trauma, causado pelas duas derrotas da época passada, bateu forte! E nos últimos 10 anos, em jogos de campeonato disputados na Luz, o FC Porto venceu em 5 ocasiões, empatou 3 e perdeu apenas 2. Sinais dos tempos. Habituem-se!PS: inacreditáveis as declarações de Jorge Jesus e de Luís Filipe Vieira no final do jogo. Queixarem-se do árbitro depois do que aconteceu no Feirense-Benfica e no Gil Vicente-FC Porto soa a populismo. Tenham vergonha!






Apesar da época atípica e algo turbulenta, o FC Porto tem conseguido manter alguma regularidade no campeonato (nos jogos disputados no Dragão consentiu apenas um empate). Como o Benfica apresenta um ‘score’ idêntico, é muito provável que o campeonato se venha a decidir nos jogos entre os 5 primeiros da classificação. Nessa luta particular, o calendário do FC Porto parece ser menos favorável: tem apenas um jogo no Dragão (com o Sporting) e visita o Benfica, o Sp. Braga e o Marítimo. Vale o que vale!






Agora, vamos lá ver como se vai apresentar o FC Porto, a nível físico, na 2ª mão dos 16 avos da Liga Europa. Tendo em conta que o jogo em Manchester é já na próxima quarta-feira e que o City não jogou neste fim-de-semana, não será surpreendente que o FC Porto se apresente um pouquinho desgastado. Mas a maior incógnita será a postura do FC Porto no jogo 2ª mão. Será que ainda vai conseguir discutir a eliminatória ou vai apenas tentar minorar os danos?

Sabendo-se que é neste tipo de confrontos que Pinto da Costa gosta de avaliar o trabalho dos treinadores (ainda recentemente renovou com Jesualdo Ferreira após um entusiasmante jogo em Manchester) não será difícil perceber que o futuro de Vítor Pereira está definido. O FC Porto não foi capaz de vencer nenhum dos jogos exigentes e decisivos que disputou esta época. E não, não será Domingos o próximo treinador do FC Porto. Pinto da Costa conhece-o há mais de 20 anos e sabe que não é esse perfil que precisamos.





Há duas semanas atrás o FC Porto também jogou com alegria e desenvoltura frente ao Vit. Guimarães. No entanto, apenas uma semana depois, frente ao Gil Vicente, regressou a apatia e o conformismo que já lhe tínhamos visto no início da época. Esta irregularidade exibicional também ajudou a “cavar” os actuais 5 pontos que nos separam do 1º lugar.
