Mas, neste momento, o FC Porto ainda não tem no plantel outro jogador com estas características, um "híbrido" que possa ser um nº 10 quando a equipa ataca e que, ao mesmo tempo, seja tacticamente disciplinado quando a equipa defende. Isto também nos leva a concluir que se confirmou a previsão do 'Paixão pelo Porto': Lucho Gonzalez está a ser o jogador mais difícil de substituir no «onze».
Agora, fica a pergunta: será suficiente ter apenas no plantel um jogador (Belluschi) com essas características?

Tendo em conta as opções que Jesualdo tem tomado na formação dos plantéis do FC Porto, somos levados a concluir que o Professor não aprecia o clássico nº 10, aquele tipo de jogador que se posiciona atrás do ponta-de-lança e que serve como referência ao resto da equipa. E a verdade é que os (bons) resultados têm dado razão ao treinador do FC Porto.
Não é habitual um treinador privilegiar o '4-3-3' e depois não utilizar um clássico nº 10 no 'triângulo de meio-campo'. Jesualdo sempre preferiu entregar as manobras de desequilíbrio aos extremos (Quaresma, Tarik Sektioui, Varela, Hulk, Cristian Rodriguez,...) e deixar para o 'triângulo de meio-campo' as responsabilidades de defender e fazer chegar rapidamente a bola a um dos extremos. Com esta opção, o Prof tem conseguido provar que este tipo de 'triângulo de meio-campo' apresenta mais virtudes do que defeitos.
De qualquer forma, continuamos a pensar que sem um jogador com as características de Belluschi, o jogo do FC Porto fica demasiado previsível e sem profundidade quando defronta adversários da nossa Liga (este 'handicap' não é tão evidente em jogos "menos fechados", como os da Liga dos Campeões).

Isso ficou bem demonstrado no recente jogo de Braga, pois Fernando, Meireles e Guarín nunca se complementaram. Houve muito músculo e pouca criatividade!
Perfeito para o Professor foi quando o meio-campo do FC Porto dispôs, em simultâneo, de Lucho Gonzalez e Anderson, dois "híbridos" que entendiam na perfeição as funções do moderno médio-centro ofensivo. O problema é encontrar este tipo de jogadores no mercado.
Certamente que o Professor tinha em mente fazer de jogadores como Tomás Costa e Freddy Guarín os novos "híbridos" do meio-campo portista. No entanto, o argentino e o colombiano não têm características para "alimentar" a frente de ataque do FC Porto, pois falta-lhes criatividade e certeza de passe, duas aptidões que um médio-ofensivo não pode deixar de possuir.
Pode ser que Diego Valeri (em cima, na foto), na ausência de Belluschi, traga a criatividade que o meio-campo do FC Porto não pode dispensar.

O ex-jogador do Lanús tem aquelas características que Jesualdo aprecia num bom médio-ofensivo, ou seja, tem força, criatividade e não "congela" demasiado a bola, algo de que um clássico nº 10 tem por hábito abusar e que bloqueia as transicções rápidas que o Prof. aprecia. Vamos lá ver se os próximos jogos permitem a Valeri chegar ao actual nível de Belluschi.
Neste momento, o argentino é o único centro-campista do plantel que melhor sabe pôr em prática as funções do 'médio-ofensivo à Jesualdo'. Mesmo com um perfíl físico algo frágil, Belluschi domina na perfeição os 'timings' de passe e de futebol com um/dois toques na bola. No entanto, ter apenas um jogador com as carcaterísticas de Belluschi no plantel parece-nos pouco para quem vai realizar tantos jogos numa só época!
Essa era a 2ª época de Robson nas Antas, que ficaria marcada pelo regresso do FC Porto à conquista do título depois do bi-campeonato com Carlos Alberto Silva. Era o FC Porto de Vítor Baía, Aloísio, Jorge Costa, Vasili Kulkov, Emerson, Ljubimko Drulovic, Rui Barros, Domingos e Sergei Yuran, entre outros.

No final, sobrou a vitória pela diferença mínima, que se ajusta ao que as duas equipas fizeram (o 2-1 ou o 3-2 também se aceitavam).
Além de ter sido um dos grandes responsáveis por "alimentar" a frente de ataque, Gastão também se revelou um excelente finalizador, tendo apontado 9 golos nessa edição do campeonato nacional (só foi superado por Jaburu, com 21 golos, e por António Teixeira, que apontou 14). 

Na capa daquela edição pode ler-se: «Here are the 1959 champions of Portugal». Logo depois, entre parêntesis, a 'Soccer Star' chama a atenção para o facto do FC Porto ter sido primeiro classificado devido à melhor diferença entre golos marcados e sofridos («on goal average only»).

Nesse aspecto, compare-se a estrutura física dos 3 jogadores que, habitualmente, constituem o meio-campo das duas equipas. No Chelsea, Michael Essien, Frank Lampard e Michael Ballack medem mais de 1,80m e superam os 75kg de peso, enquanto que no FC Porto, apenas Fernando (1,83m e 76kg) se aproxima desse perfil físico, enquanto que Raúl Meireles e Belluschi nem aos 70kg chegam. Diferença brutal!
Hoje, não foi aquele FC Porto penoso e submisso que, na época passada, perdeu (4-0) com o Arsenal, mas também não foi aquele FC Porto empolgante e desinibido que empatou (2-2) em Old Trafford. Ou seja, ainda estamos a meio caminho. Este FC Porto 2009/10 ainda não é suficientemente adulto para vencer em Inglaterra. Mas pelo que vimos hoje, lá chegaremos!
