quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Belluschi é suficiente?

Está a ser o grande responsável pela clarividência e fluidez de jogo que o meio-campo do FC Porto tem apresentado nos últimos jogos (com Sporting, At. Madrid e Olhanense). Falamos de Fernando Belluschi, um médio-ofensivo que, aquando da sua contratação, foi aqui caracterizado como um perfeito 'médio-centro à Jesualdo', pois o argentino alia à criatividade uma invulgar combatividade e visão de jogo. Além disso, a passagem pelo futebol grego (Olympiakos) permitiu-lhe chegar ao FC Porto sem aquela natural tendência que os médios-ofensivos sul-americanos apresentam para "prender" a bola.
Mas, neste momento, o FC Porto ainda não tem no plantel outro jogador com estas características, um "híbrido" que possa ser um nº 10 quando a equipa ataca e que, ao mesmo tempo, seja tacticamente disciplinado quando a equipa defende. Isto também nos leva a concluir que se confirmou a previsão do 'Paixão pelo Porto': Lucho Gonzalez está a ser o jogador mais difícil de substituir no «onze».
Agora, fica a pergunta: será suficiente ter apenas no plantel um jogador (Belluschi) com essas características?
Tendo em conta as opções que Jesualdo tem tomado na formação dos plantéis do FC Porto, somos levados a concluir que o Professor não aprecia o clássico nº 10, aquele tipo de jogador que se posiciona atrás do ponta-de-lança e que serve como referência ao resto da equipa. E a verdade é que os (bons) resultados têm dado razão ao treinador do FC Porto.
Não é habitual um treinador privilegiar o '4-3-3' e depois não utilizar um clássico nº 10 no 'triângulo de meio-campo'. Jesualdo sempre preferiu entregar as manobras de desequilíbrio aos extremos (Quaresma, Tarik Sektioui, Varela, Hulk, Cristian Rodriguez,...) e deixar para o 'triângulo de meio-campo' as responsabilidades de defender e fazer chegar rapidamente a bola a um dos extremos. Com esta opção, o Prof tem conseguido provar que este tipo de 'triângulo de meio-campo' apresenta mais virtudes do que defeitos.
De qualquer forma, continuamos a pensar que sem um jogador com as características de Belluschi, o jogo do FC Porto fica demasiado previsível e sem profundidade quando defronta adversários da nossa Liga (este 'handicap' não é tão evidente em jogos "menos fechados", como os da Liga dos Campeões).
Isso ficou bem demonstrado no recente jogo de Braga, pois Fernando, Meireles e Guarín nunca se complementaram. Houve muito músculo e pouca criatividade!
Perfeito para o Professor foi quando o meio-campo do FC Porto dispôs, em simultâneo, de Lucho Gonzalez e Anderson, dois "híbridos" que entendiam na perfeição as funções do moderno médio-centro ofensivo. O problema é encontrar este tipo de jogadores no mercado.
Certamente que o Professor tinha em mente fazer de jogadores como Tomás Costa e Freddy Guarín os novos "híbridos" do meio-campo portista. No entanto, o argentino e o colombiano não têm características para "alimentar" a frente de ataque do FC Porto, pois falta-lhes criatividade e certeza de passe, duas aptidões que um médio-ofensivo não pode deixar de possuir.
Pode ser que Diego Valeri (em cima, na foto), na ausência de Belluschi, traga a criatividade que o meio-campo do FC Porto não pode dispensar.
O ex-jogador do Lanús tem aquelas características que Jesualdo aprecia num bom médio-ofensivo, ou seja, tem força, criatividade e não "congela" demasiado a bola, algo de que um clássico nº 10 tem por hábito abusar e que bloqueia as transicções rápidas que o Prof. aprecia. Vamos lá ver se os próximos jogos permitem a Valeri chegar ao actual nível de Belluschi.
Neste momento, o argentino é o único centro-campista do plantel que melhor sabe pôr em prática as funções do 'médio-ofensivo à Jesualdo'. Mesmo com um perfíl físico algo frágil, Belluschi domina na perfeição os 'timings' de passe e de futebol com um/dois toques na bola. No entanto, ter apenas um jogador com as carcaterísticas de Belluschi no plantel parece-nos pouco para quem vai realizar tantos jogos numa só época!

«Curiosidades FCP» - FC Porto - Lodz, Taça dos Vencedores das Taças 1994/95

Hoje, vamos recuar à última participação do FC Porto na extinta Taça dos Vencedores das Taças, competição na qual garantiu a sua primeira presença numa final europeia.
O LKS Lodz foi a penúltima equipa a ser eliminada pelo FC Porto nesta prova (a última foi o Ferencvaros, logo na eliminatória seguinte), pois os polacos foram o nosso primeiro adversário na edição de 1994/95 da competição.
Essa foi apenas a segunda (!) participação do Lodz em competições europeias. Apesar de ter sido fundado em 1908 (celebrou o centenário no ano passado), este histórico clube polaco só por uma vez tinha jogado uma competição europeia, quando, em 1959, foi eliminado pelo acessível Jeunesse Esch, do Luxemburgo, logo na 1ª eliminatória da Taça dos Clubes Campeões Europeus.
Campeão polaco em 1958 e 1998, o Lodz continua a ser um clube com muita tradição no seu país, sendo o grande rival de outro clube da sua cidade, o Widzew Lodz.
Uma curiosidade: um dos jogadores mais carismáticos da história do Lodz, o guarda-redes Andrzej Wozniak, além de ter jogado no rival Widzew, foi um dos escolhidos pelo FC Porto para tentar fazer esquecer Vítor Baía, aquando da transferência do «99» para o Barcelona.
O Lodz ganhou o direito a disputar a Taça dos Vencedores das Taças depois de ter sido finalista vencido da Taça da Polónia (derrotado pelo Légia de Varsóvia) na época 1993/94.
Ditou o sorteio que os polacos se deslocassem às Antas logo no jogo de estreia na competição. Apesar do adversário ser relativamente frágil e desconhecido, o FC Porto, de Bobby Robson, teve algumas dificuldades para se colocar na frente do marcador, tendo marcado o primeiro golo do jogo apenas aos 72 minutos. A 1ª mão da eliminatória disputou-se nas Antas, a 15 de Setembro de 1994, e o FC Porto acabou por vencer o Lodz por 2-0 (Domingos aos 72' e Rui Barros aos 77').
Essa era a 2ª época de Robson nas Antas, que ficaria marcada pelo regresso do FC Porto à conquista do título depois do bi-campeonato com Carlos Alberto Silva. Era o FC Porto de Vítor Baía, Aloísio, Jorge Costa, Vasili Kulkov, Emerson, Ljubimko Drulovic, Rui Barros, Domingos e Sergei Yuran, entre outros.
Apesar de se adivinharem algumas dificuldades para o jogo da 2ª mão, o FC Porto voltaria a vencer os polacos, desta vez por 1-0 (Drulovic aos 45').
Depois do Lodz, seguiu-se o Ferencvaros, na 2ª eliminatória (6-0 nas Antas e 0-2 em Budapeste), e a Sampdoria, de Sven Goran Eriksson, nos Quartos-de-final (derrota nas grandes penalidades, por 3-5).
Nessa época, a final da competição realizou-se no Parque dos Princípes, tendo o Real Zaragoza (na altura dos ex-portistas Víctor Fernandez e Juan Esnaider) derrotado o Arsenal, por 2-1.
Essa foi a última participação do FC Porto na extinta Taça dos Vencedores das Taças, e só por uma vez chegou tão longe na competição, quando foi derrotado pela Juventus na Final de Basileia, em 1983/84.
O FC Porto voltaria a encontrar clubes polacos uns anos mais tarde, eliminando o Wisla Cracóvia, em 2000/01, e o Polónia Varsóvia, em 2002/03, ambos em eliminatórias da Taça UEFA.
Quanto ao Lodz, voltámos a ouvir falar dele quando os polacos se cruzaram com o Manchester United, na 2ª pré-eliminatória da Liga dos Campeões 1998/99 (2-0 em Old Trafford e 0-0 em Lodz).
Em cima, a ilustrar o 'post', recuperámos dois bilhetes que deram acesso aos jogos das duas mãos da eliminatória entre FC Porto e Lodz, e duas fotos do jogo das Antas, onde surgem Drulovic e Emerson.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Muito fortes!

Quem diria! Depois de um intenso jogo da 'Champions', efectuado 4 dias antes, o FC Porto apresentou-se em Olhão com uma intensidade e fluidez de jogo que de facto confirmam que «a equipa está a crescer», como Jesualdo tem insistido no seu discurso. Não é nada habitual o FC Porto apresentar-se tão forte após uma desgastante jornada europeia. Bela dinâmica dos «tetracampeões»!
Depois do que aconteceu em Braga, havia o receio do FC Porto acusar o desgaste do jogo da Liga dos Campeões. Isso acabou por não se verificar, pois nem o Olhanense apresenta a (actual) qualidade do Sp. Braga, nem o FC Porto se apresentou tão apático e passivo como no jogo que disputou frente à equipa de Domingos.
Hoje, o FC Porto correria o risco de, em caso de derrota, ser alvo de troça por ter ajudado a construir uma equipa que lhe roubou pontos na Liga (estava-se mesmo a ver as capas da imprensa indígena: 'FC Porto derrotado pelos sub-21... do FC Porto!'). E a verdade é que seria algo embaraçoso perder com um Olhanense que é quase um 'FC Porto B' (hoje só faltou o castigado Ventura). Era o feitiço a virar-se contra o feiticeiro...
Mas o FC Porto sossegou-nos logo muito cedo, pois a equipa entrou em campo com uma postura que não permitiu aos miúdos da 'cantera' discutir o jogo e o resultado. Foi, muito provavelmente, a melhor primeira-parte do FC Porto até ao momento. Ainda assim, a irreverência do Olhanense nunca deixou o jogo cair na monotonia. Foi um excelente espectáculo, com as duas equipas sempre à procura do golo.
Neste momento, os 'miúdos' de Jorge Costa ainda são demasiado imaturos para discutirem um jogo com o FC Porto que hoje se apresentou em Olhão. Foi um FC Porto dominador e de intensidade de Liga dos Campeões.
No jogo de hoje, havia a curiosidade de saber se Jesualdo faria alterações na equipa, para compensar o desgaste do jogo frente ao At. Madrid, ou se mantinha o «onze» que defrontou os espanhóis, reforçado com a inclusão de Fernando. O Prof. optou por dar continuidade e confiança àquele que é, neste momento, o «onze» mais consensual para os adeptos do FC Porto. Até a opção por Mariano Gonzalez, que realizou mais um mau jogo, tem a nossa tolerância face às ausências de Varela e Cristian Rodriguez.
Agora, segue-se a interrupção da Liga para os jogos da Selecção. Uma paragem que até nem surge numa má altura para o FC Porto, pois vai-lhe permitir recuperar os dois lesionados (Varela e Cristian Rodriguez) que tanta falta lhe têm feito.
Além disso, o calendário reserva-nos agora 4 (!) jogos consecutivos no Dragão (Sertanense, APOEL, Académica e Belenenses). Porreiro!
Positivo (+):
- Falcão, claro!
- a postura autoritária e dinâmica do FC Porto;
- o "regresso" do 'capitão' Bruno Alves;
- a constante procura do golo por parte do FC Porto;
- a visão panorâmica de Belluschi (porque não jogou em Braga?);
- a potência e precisão de remate de Hulk;
- as duas acções de Álvaro Pereira que evitaram o 1-2, primeiro num corte sobre a linha de golo e depois num desarme dentro da pequena-área;
Negativo (-):
- a passividade do FC Porto nos primeiros 20 minutos da 2ª parte;
- o habitual futebol trapalhão (e triste) de Mariano Gonzalez;
- a infelicidade de Hulk naquelas duas bolas que bateram no poste;

«Curiosidades FCP» - Os «três diabos do meio-dia»

Hoje, aproveitando os 100 anos do nascimento de Pinga (à direita, na foto), vamos recordar a 'sociedade' que o primeiro grande talento do futebol português formou com Acácio Mesquita (ao centro, na foto) e Valdemar Mota (à esquerda, na foto), os célebres «três diabos do meio-dia», um trio que marcou uma época no futebol português mas que nunca teve o devido destaque e reconhecimento por parte da imprensa indígena. Valha-nos o Eusébio e os «cinco violinos» para alimentar o saudosismo...
A chegada de Pinga ao FC Porto, em Dezembro de 1930, foi fundamental para os títulos que o FC Porto conquistou nessa década e para o despontar daquele trio de jogadores. O célebre médio/interior-esquerdo do FC Porto representou o clube durante 16 anos, tendo participado em mais de 400 jogos. Durante esse período, foi o ele o grande responsável pelos títulos conquistados pelo clube a nível nacional.
Nos anos 30, o FC Porto sagrou-se campeão nacional em 3 ocasiões (com Joseph Szabo, em 1934/35, e com Mihaly Siska, em 1938/39 e 1939/40) e venceu o Campeonato de Portugal (actual Taça de Portugal) por duas vezes (com Joseph Szabo, em 1931/32, e com François Gutkas, em 1936/37).
Além de ter sido a grande referência do FC Porto e do futebol português durante os anos 30 e início da década de 40, Pinga também se tornou num maiores goleadores de sempre do nosso futebol. Os 394 (!) golos que apontou, em cerca de 400 jogos com a camisola do FC Porto, colocam-no ao lado de outros grandes nomes da história do clube, como Costuras, Slavkoo Kordnya, António Araújo, Fernando Gomes, Domingos e Mário Jardel, entre outros.
A esta impressionante veia goleadora de Pinga (em baixo, na foto), o FC Porto teve a felicidade de juntar, no mesmo período, a de outros dois super-atletas que também marcaram a história do clube no início do séc. XX, Acácio Mesquita (em cima, na foto) e Valdemar Mota. O primeiro também foi um praticante de atletismo, tendo-se sagrado Campeão Regional de triplo salto, salto em comprimento, 110 metros barreiras e 4 x 100 metros. Além do Futebol e do Atletismo, o conceituado ponta-de-lança do FC Porto também mostrava habilidade noutra modalidade, o Basquetebol.
Quanto a Valdemar Mota, ficou na história por ter sido o primeiro atleta olímpico do FC Porto a representar Portugal (4º lugar) nos Jogos Olímpicos de Amesterdão, em 1928. Uma curiosidade: este antigo médio/extremo-direito do FC Porto chegou a contracenar (!) com a famosa Beatriz Costa, num dos primeiros filmes produzidos em Portugal.
Foi por alturas do Natal de 1933 que surgiu a alcunha «três diabos do meio-dia». Aquele trio de jogadores foi assim apelidado depois do FC Porto ter defrontado e vencido algumas das melhores equipas da Europa em jogos disputados às 12h, um horário usual para a época.
Pinga, Acácio Mesquita e Valdemar Mota (em baixo, na foto) começaram por ser os grandes protagonistas de um jogo que o FC Porto disputou frente à Selecção de Budapeste. A poderosa equipa húngara andava em digressão pela Europa e acabou por ser surpreendida pelo FC Porto, que venceu esse jogo por 7-4. Apesar do entendimento entre o trio do FC Porto ter, logo aí, chamado a atenção das pessoas, foi necessário aguardar mais alguns dias para a cumplicidade entre os «três diabos do meio-dia» atingir o brilhantismo que os levou a ser assim apelidados.
Foi em jogo frente ao 'First de Viena', uma das equipas mais célebres daquele tempo, que os três jogadores do FC Porto viram confirmada a reputação de que já gozavam. Foram eles os maiores responsáveis pela vitória do FC Porto, por 3-0, sobre aquela equipa austríaca.
A harmonia entre os «três diabos do meio-dia» atingiria o seu ponto mais alto em 1934/35, época que marcou a primeira vitória do FC Porto no campeonato nacional. A equipa comandada por Joseph Szabo terminou a prova com 43 golos marcados num campeonato disputado por apenas 8 equipas. Para essa média superior a 3 golos por jogo muito contribuíram aqueles três jogadores (nota: Pinga seria mesmo o melhor marcador do campeonato nacional na época seguinte, com 21 golos).
Os «três diabos do meio-dia» formaram a primeira 'sociedade' de sucesso na história do FC Porto. Pinga, na véspera da sua despedida como jogador de futebol, confirmou-o: «Nós os três... Aquilo é que era jogar... Que desculpem a vaidade, mas parece-me que nunca mais se arranjam três rapazes da bola tão intimamente ligados a acertar na 'borracha'. Se até nós, às vezes, nem sabíamos como aquilo era...».
Em cima, recuperámos uma foto de um «onze» do FC Porto que venceu o Campeonato de Portugal em 1931/32 e onde surgem os «três diabos do meio-dia».
Em cima (da esq. p/ dta): Francisco Castro, Pinga, Carlos Mesquita, Álvaro Sequeira, Lopes Carneiro, Valdemar Mota, Álvaro Pereira, Pedro Themudo e Joseph Szabo (treinador);
Em baixo (da esq. p/ dta): Mihaly Siska, Avelino Martins e Acácio Mesquita;

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Nós somos o FC Porto!

Agora sim, o At. Madrid soçobrou no Dragão. Não foi uma vitória (2-0) com bom futebol, mas houve raça, ambição, querer, responsabilidade e, porque não dizê-lo, aquela cultura de vitória muito própria dos clubes com mais tradição na prova. Grande mentalidade!
Depois de dois jogos, nos Oitavos-de-final da época passada, em que os espanhóis foram protegidos pela sorte, era fundamental o FC Porto corrigir aqueles dois empates e não deixar dúvidas sobre o potencial das duas equipas. O FC Porto é melhor!
É curioso que, na época passada, o FC Porto realizou dois excelentes jogos na eliminatória frente ao At. Madrid e não conseguiu vencer nenhum (2-2 em Madrid e 0-0 no Dragão). Nessas duas partidas, a sorte e a eficácia nada quiseram com o FC Porto. No entanto, ao eliminar os espanhóis, o FC Porto ganhou confiança e, ao mesmo tempo, deixou o adversário receoso de novo duelo com o campeão português. Hoje, o At. Madrid até respeitou o FC Porto, mas encontrou uma equipa que queria muito ganhar e que não se importou de esperar 75 minutos pelo golo.
Apesar do FC Porto encaixar muito melhor no «4-4-2 clássico» que Abel Resino utiliza no At. Madrid do que no «4-4-2 losango» que Paulo Bento privilegia no Sporting, a verdade é que hoje teve mais dificuldades em ganhar o duelo de meio-campo do que no jogo de Sábado.
No entanto, o At. Madrid pareceu sempre uma equipa demasiado dependente do instinto de Aguero e Forlan. Ou seja, a boa posse de bola dos espanhóis até irritou o FC Porto, mas foi algo inconsequente. Ainda assim, o FC Porto foi sempre obrigado a jogar um futebol mais directo, privilegiando, quase sempre, o passe longo e de maior risco.
Assim, a passagem de Raúl Meireles para a posição que Tomás Costa inicialmente ocupou acabou por ser a chave para desbloquear o jogo. Sem Fernando, o FC Porto perdeu poder de choque e de antecipação na zona à frente da defesa, mas ganhou mais qualidade de passe (Meireles, finalmente!) na primeira zona de transição para o ataque. O FC Porto acabou por realizar uma 2ª parte em crescendo e que nos últimos minutos de jogo deixou os espanhóis a... cambalear!
Agora, os próximos 3 jogos (dois com o APOEL e um com o Chelsea) do FC Porto na competição serão fundamentais para o apuramento. Neste momento, as contas são fáceis de fazer: se fizer pelo menos 7 pontos nos próximos 3 jogos, o FC Porto chegará a Madrid, na última jornada, com 10 pontos conquistados, ou seja, com a qualificação para os Oitavos-de-final praticamente garantida.
Hoje, o FC Porto foi paciente e nunca subestimou o seu adversário. Apesar do Atlético ter sofrido 13 golos em apenas 5 jornadas do campeonato espanhol, os espanhóis continuam a ser uma equipa forte numa competição com as características da 'Champions'. Fica a pergunta: quantas equipas portuguesas (e europeias) conseguiriam vencer o At. Madrid?
Positivo (+):
- a cumplicidade entre Hulk e Falcão;
- a intensidade de Fucile (que grande jogo!);
- a entreajuda entre toda a equipa;
- a lucidez táctica do FC Porto nos momentos em que o Atlético esteve por cima no jogo;
- o passe de Raúl Meireles para Hulk no lance do primeiro golo;
- a recordação de Viena no calcanhar de Falcão;
- o calendário do FC Porto (joga agora duas vezes com o 'outsider' APOEL e de seguida recebe o Chelsea);
Negativo (-):
- a dificuldade do FC Porto em "agarrar" no jogo;
- a experiência com Tomás Costa na 'posição 6';
- equipa mantém alguma permessividade a defender os lances de bola parada;

«Curiosidades FCP» - A chegada de Branco e Geraldão

É muito pouco habitual um clube receber dois jogadores que tenham tanto em comum como estes dois brasileiros que representaram o FC Porto no final dos anos 80 e início da década de 90. Quando chegaram ao FC Porto, Branco e Geraldão eram ambos internacionais brasileiros, ambos defesas, ambos especialistas na marcação de livres-directos e tinham ambos 24 anos. Bela coincidência!
Estes dois brasileiros chegaram ao FC Porto como consequência da natural renovação do plantel que se seguiu à vitória na Taça dos Clubes Campeões Europeus, em Viena. Apesar de ter havido um ano a separar a chegada dos dois jogadores ao Porto (Geraldão chegou em 1987 e Branco em 1988), o objectivo da contratação de ambos era claro: compensar o natural desgaste de um conjunto de jogadores que atingiu a maturidade na final de Viena. No caso de Geraldão, para acautelar o final de carreira de jogadores como Eurico, Eduardo Luís, Celso ou Lima Pereira, e no caso de Branco, para substituir o carismático Inácio.
Geraldão foi o primeiro a chegar às Antas. O antigo defesa-central da Selecção do Brasil chegou ao FC Porto em 1987, vindo do Cruzeiro, e ganhou de imediato um lugar no «onze» de Tomislav Ivic.
Apesar de ter sido ao lado de Celso que realizou mais partidas na sua época de estreia no FC Porto, foi ao lado de Lima Pereira que Geraldão foi utilizado nas históricas finais da Supertaça europeia, frente ao Ajax, e da Taça Intercontinental, frente ao Peñarol. No campeonato nacional, Lima Pereira foi menos utilizado, pois o técnico croata privilegiava um quarteto que, além de Geraldão e Celso, incluía também o 'capitão' João Pinto e o lateral-esquerdo Inácio.
Em 1988/89, a chegada de Branco e a saída de Celso originaram alterações no quarteto defensivo do FC Porto. Apesar de João Pinto, Geraldão e Branco terem sido apostas quase sempre constantes dos técnicos que orientaram o FC Porto nessa época, houve alguma indefinição na escolha do parceiro de Geraldão.
Como Quinito só atingiu a 11ª jornada (foi substituído por Artur Jorge), o antigo defesa-central brasileiro foi obrigado a partilhar, alternadamente, o centro da defesa do FC Porto com Dito e Paulo Pereira, enquanto que Branco começava a ganhar a "guerra" da titularidade a Inácio. O lateral-esquerdo brasileiro chegou ao FC Porto vindo do Bréscia e só nos primeiros jogos da época 1988/89 é que cedeu o lugar a Inácio.
Na época seguinte, os dois internacionais brasileiros acabaram por ficar ligados ao regresso do FC Porto à conquista do título. Nessa época (1989/90), Artur Jorge utilizou um quarteto defensivo que nada ficou a dever a outros que se celebrizaram ao longo da história do clube. Além de terem sido os principais responsáveis pelos poucos golos consentidos pelo, na altura, ainda jovem guarda-redes Vítor Baía, João Pinto, Stephane Demol, Geraldão e Branco ainda foram responsáveis por 19 (!) dos golos que o FC Porto marcou nessa edição do campeonato.
Nessa altura, os bons desempenhos de Branco e Geraldão no FC Porto continuavam a chamar a atenção dos responsáveis da Selecção brasileira.
Contudo, e ao contrário do que aconteceu com Branco, que participou em 3 campeonatos do mundo, Geraldão viu ser-lhe negada a possibilidade de participar no 'Itália 90'. O ex-defesa-central do FC Porto estreou-se na principal Selecção do Brasil em 1987, numa altura em que a 'canarinha' era comandada por Carlos Alberto Silva.
Apesar de ter sido internacional em 9 ocasiões e de ter participado na 'Copa América' de 1987, Geraldão nunca escondeu a mágoa por ter ficado de fora do Mundial de 1990. «Minha única frustração no futebol foi não ter disputado a Copa de 90. Eu havia sido um dos melhores artilheiros do campeonato português naquela temporada, mas Sebastião Lazzaroni, mesmo sabendo disso, não me convocou», afirmou o antigo defesa-central brasileiro à imprensa.
Nesse campeonato do mundo, disputado em Itália, o Brasil foi eliminado logo nos Oitavos-de-final da competição pela Argentina, de Diego Maradona!

sábado, 26 de setembro de 2009

Falcão resolve!

Depois de terminado o jogo frente ao Sp. Braga, julgo que todos os portistas (jogadores incluídos) desejavam que o clássico frente ao Sporting se realizasse logo no dia seguinte, pois essa seria a forma mais rápida de apagar a exibição e o resultado de Braga. No entanto, e tal como referimos no 'post' relativo à partida com o Sp. Braga, os «tetracampeões» surgiram nesse jogo tão desgastados, devido ao esforço realizado frente ao Chelsea, que defrontar o Sporting logo no dia seguinte até poderia produzir os efeitos contrários aos desejados. Ou seja, os 7 dias que separaram esses dois jogos acabaram por ser o bálsamo ideal para recuperar o FC Porto a nível físico e mental.
O resultado e a exibição no jogo de hoje confirmam isso mesmo, ou seja, não era necessário fazer nenhuma revolução no «onze» para vencer o nosso 2º maior rival. Só foi pena Falcão não ter concretizado a grande-penalidade, pois o jogo teria certamente outro final. Não foi assim, acabando o FC Porto por revelar grandes dificuldades em "agarrar" no jogo quando esteve em superioridade numérica (11 contra 10). Nesse período, o FC Porto sentiu a ansiedade resultante do seu actual 3º lugar na classificação. Foi hesitante e confuso, quando se pedia que continuasse a ser autoritário e seguro como foi nos primeiros 20 minutos da segunda-parte. Mas isso também não é mau de todo, pois significa que a equipa percebeu a importância do jogo de hoje.
No final, sobrou a vitória pela diferença mínima, que se ajusta ao que as duas equipas fizeram (o 2-1 ou o 3-2 também se aceitavam).
Jesualdo resolveu (e bem) emendar o «onze» que defrontou o Sp. Braga (quem dispõe a sua equipa em campo num 4-3-3 precisa de um médio criativo como Belluschi) de forma a dar mais profundidade e criatividade ao futebol do FC Porto. A verdade é que Jesualdo tem sido justo, dando oportunidades a todos os jogadores. Como Guarín e Mariano já tiveram a sua...
Hoje, com o que o treinador do FC Porto não contava era que o técnico do Sporting desse uma pequena ajuda. Enquanto que Paulo Bento se preocupava em esmiuçar a arbitragem, Jesualdo Ferreira optava por esmiuçar os erros do treinador do Sporting. Paulo Bento cometeu duas 'gaffes': deu a titularidade a Grimi, um jogador sem ritmo, e, na segunda-parte, "tirou" Miguel Veloso do jogo, colocando-o a defesa-esquerdo.
Assim, o FC Porto demorou apenas 2 (!) minutos a perceber onde estavam as fraquezas do adversário. Bastou um "sopro" de Hulk e um "bater de asas" de Falcão para o FC Porto passar para a frente e não mais largar a vantagem.
Conclusão: os erros do treinador do Sporting tiveram mais peso na derrota da sua equipa dos que os erros da equipa de arbitragem. Já ninguém tem paciência para as queixas de Paulo Bento! De facto, a tradição continua a não ser nada favorável ao nosso rival em jogos disputados nas Antas e no Dragão. Nos últimos 30 anos, o Sporting venceu apenas 2 vezes. Um 'score' quase... embaraçoso!
Com a vitória no jogo de hoje, o FC Porto pode enfrentar o At. Madrid com outro estado de espírito. Mas atenção, o At. Madrid também vem para ganhar!
Positivo (+):
- os primeiros 20 minutos do FC Porto em cada uma das partes;
- o instinto de Falcão no lance do golo;
- a alegria que o FC Porto colocou em jogo;
- o futebol vertical de Belluschi, que permite à equipa respirar de outra forma;
- a atenção de Helton;
- o regresso do «Incrível Hulk»;
Negativo (-):
- o jogo desastrado de Raúl Meireles e Mariano Gonzalez;
- as ausências de Varela e Cristian Rodriguez, que foram pretexto para mais um voto de confiança de Jesualdo em Mariano Gonzalez;
- a intranquilidade do FC Porto nos últimos 20 minutos;
- o pouco rigor do FC Porto a defender os lances de bola parada;

«Curiosidades FCP» - Os 'totalistas' de Yustrich

Hoje, nas «Curiosidades FCP», recuamos ao campeonato nacional que o FC Porto conquistou em 1955/56 recordando os 3 jogadores que o técnico brasileiro Dorival Yustrich utilizou em todos os jogos desse campeonato: Osvaldo Cambalacho, Virgílio e Gastão.
Estes 3 ex-jogadores do FC Porto participaram nos 26 jogos (em 1955/56 o campeonato disputou-se com apenas 14 clubes) dessa edição da liga portuguesa, que marcou o regresso do FC Porto à conquista do título depois do seu primeiro grande jejum sem vitórias no campeonato (o último título havia sido conquistado 16 anos antes, em 1939/40, com Mihaly Siska).
Dorival Yustrich utilizou 19 jogadores nessa edição do campeonato, que terminou com o FC Porto e o Benfica empatados no topo da classificação (o FC Porto levou a melhor no 'goal-average'). Desses 19 jogadores, apenas aqueles 3 foram utilizados em todos os jogos que o FC Porto efectuou nessa edição da prova.
Um lateral-direito (Virgílio), um lateral-esquerdo (Osvaldo Cambalacho) e um médio-ofensivo (Gastão) foram os 'totalistas' no «onze» do polémico e irascível técnico brasileiro.
Enquanto que Virgílio e Osvaldo Cambalacho foram os mais utilizados na defesa (o guarda-redes Pinho e o defesa-central Miguel Arcanjo ficaram logo atrás, com apenas menos um jogo realizado), Gastão foi o mais utilizado no meio-campo (Pedroto e Hernâni surgem logo a seguir na lista dos centro-campistas do FC Porto com mais jogos realizados nessa época).
Destes 3 jogadores, Virgílio continua a ser o mais recordado pelos adeptos do FC Porto. O «Leão de Génova» é um dos símbolos do clube e teve o privilégio de representar o FC Porto durante aquele período em que o clube registou um grande desenvolvimento a nível de infra-estruturas (com a construção do Estádio das Antas) e a nível desportivo (com as conquistas com Yustrich e, mais tarde, também com Béla Guttmann).
Este histórico defesa-direito do FC Porto começou por ser utilizado no meio-campo e só depois da chegada ao clube do técnico Alejandro Scopelli é que recuou para a posição que o celebrizou.
Quanto a Osvaldo Cambalacho, chegou ao FC Porto de forma muito discreta (vindo do Seixal, em 1951/52, salvo erro) e, algo surpreendentemente, tornou-se num dos pilares da equipa de Yustrich. Segundo relatos da época, foi o técnico brasileiro que "fez" do lateral-esquerdo um jogador que os adversários começaram a ter em conta.
Por último, Gastão. Apesar de ter sido um dos protagonistas dessa célebre equipa do FC Porto, não abundam as informações a seu respeito. Este médio-ofensivo brasileiro chegou ao FC Porto (provavelmente por indicação de Yustrich) depois de ter representado dois históricos clubes brasileiros, o Fluminense e o Atlético Mineiro.
Além de ter sido um dos grandes responsáveis por "alimentar" a frente de ataque, Gastão também se revelou um excelente finalizador, tendo apontado 9 golos nessa edição do campeonato nacional (só foi superado por Jaburu, com 21 golos, e por António Teixeira, que apontou 14).
Em cima, na foto, recuperámos um «onze» do FC Porto (da equipa que nessa época também venceu a Taça de Portugal) onde surgem aqueles 3 jogadores.
Em cima (da esq. p/ dta): Pinho, Pedroto, Monteiro da Costa, Miguel Arcanjo, Osvaldo Cambalacho e Virgílio;
Em baixo (da esq. p/ dta): Hernâni, Gastão, Jaburu, Carlos Duarte e Perdigão;

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Obrigatório regressar às vitórias!

Parece chegada aquela altura da época em que para o FC Porto «ou vai ou racha». Tal como já tinha acontecido no passado, o próximo jogo frente ao Sporting pode marcar um novo ciclo para o FC Porto. É precisamente nestas alturas, quando as equipas estão sob maior pressão, que nascem os alicerces para as boas épocas. Além de ser obrigatório vencer o Sporting, também é preciso recuperar depressa o «discurso do Penta», que nos últimos tempos parece andar um pouco esquecido na agenda dos «tetracampeões».
No Sábado, referi aqui que o jogo menos conseguido que o FC Porto realizou em Braga se ficou mais a dever à falta de frescura física do que à postura técnico/táctica da equipa (embora aqui também tenha havido um ou outro desacerto por parte de Jesualdo Ferreira na formação do «onze» inicial). Neste momento, o pior que o FC Porto poderia fazer seria colocar tudo em causa devido a uma derrota na Liga. Assim, talvez não se justifique nenhuma revolução no «onze», pois a equipa está num processo natural de entrosamento.
Os 7 dias que separam o jogo de Braga do clássico frente ao Sporting são, neste momento, o melhor remédio para o FC Porto. Depois de recarregar baterias, o FC Porto só vai precisar de confiança e responsabilidade, com ou sem Guarín no «onze».
É curioso que a equipa revelou exactamente a mesma dificuldade quando, na época passada, foi colocada muito cedo perante os jogos exigentes da Liga dos Campeões (derrota com o Dinamo de Kiev) e do campeonato (derrota com Leixões e Naval). Ou seja, Jesualdo sabe o que é preciso para o FC Porto regressar às vitórias.
Do calendário é que os «tetracampeões» não se podem queixar. Dos próximos 7 jogos que o FC Porto vai realizar, 6 (!) deles serão no Estádio do Dragão. O único jogo que o FC Porto vai disputar fora de casa, desta série de 7 jogos, será em Olhão, logo após o jogo com o At. Madrid. Depois, seguem-se 4 jogos consecutivos no Dragão (Sertanense, APOEL, Académica e Belenenses).
Numa altura em que o FC Porto ainda não encontrou o equilíbrio, seria impossível beneficiar de melhor calendário do que este (talvez seja mesmo inédito um calendário tão favorável). Ou seja, não há desculpas para não entrarmos numa dinâmica de vitória:
26 Setembro: FC Porto-Sporting
30 de Setembro: FC Porto-Atlético Madrid
4 de Outubro: Olhanense-FC Porto
18 de Outubro: FC Porto-Sertanense
21 de Outubro: FC Porto-APOEL
25 de Outubro: FC Porto-Académica
1 de Novembro: FC Porto-Belenenses

«Curiosidades FCP» - Sporting - FC Porto, época 1991/92

Aproveitando o facto do FC Porto-Sporting estar aí à porta, vamos recordar o jogo que as duas equipas disputaram em Alvalade, na época 1991/92, numa altura em que alguns clássicos ainda eram disputados ao Domingo à tarde e sem transmissão televisiva. Esse é, ainda hoje, um dos jogos mais marcantes que FC Porto realizou em Alvalade no campeonato nacional.
Estávamos na 1ª época de Carlos Alberto Silva nas Antas e o FC Porto tentava recuperar o título conquistado no ano anterior pelo Benfica. Do outro lado, o Sporting, de Marinho Peres, continuava à procura de conquistar o campeonato nacional que lhe fugia desde 1981/82 (o jejum durou 18 épocas!). Era o Sporting de Ivkovic, Venâncio, Douglas, Figo, Balakov e Jorge Cadete, entre outros.
Logo no início dessa época, o FC Porto de CAS começou por revelar uma inusitada consistência defensiva (sofreria apenas 11 golos no campeonato, uma das melhores marcas de sempre do clube na liga portuguesa) que, aliada à fantástica cumplicidade entre a dupla Domingos/Kostadinov, tornaria o FC Porto numa equipa que privilegiava as transições rápidas e o contra-ataque.
Isso ficou bem evidente nesse jogo, disputado num lotadíssimo Estádio de Alvalade.
Apesar de ter jogado mais de 1 hora com menos um jogador (Fernando Couto foi expulso logo aos 22 minutos), o FC Porto acabaria por vencer o Sporting por 0-2 (golos de Kostadinov e Bandeirinha) numa perfeita demonstração de força e querer. Foi nesse jogo que o FC Porto, de Vítor Baía, Aloísio, Fernando Couto, Domingos e Kostadinov, entre outros, arrancou definitivamente para a conquista do título.
Apesar de ter ficado desde muito cedo reduzido a 10 jogadores, o FC Porto colocou-se em vantagem ainda na primeira-parte, quando uma oferta de Venâncio (esse erro marcaria o final da sua carreira em Alvalade) permitiu ao rapidíssimo Kostadinov isolar-se perante Ivkovic e fazer o primeiro golo do FC Porto. A partir desse momento, a equipa de Marinho Peres nunca mais conseguiu colocar Vítor Baía em dificuldades. Além de esbarrar numa muito organizada defesa do FC Porto, o Sporting também acusou o erro do seu defesa central e nunca mais se tranquilizou.
Na segunda-parte, manteve-se a excelente disposição táctica do FC Porto em campo e o inconsequente domínio territorial do Sporting, acabando o FC Porto por "matar" o jogo com o segundo golo, da autoria de Bandeirinha.
No final do jogo, o Presidente do Sporting optou por resumir a derrota leonina a um erro do seu defesa-central: «foi uma tarde infeliz do Venâncio», afirmou Sousa Cintra à imprensa.
Depois de vencer em Alvalade, o FC Porto voltaria a Lisboa umas jornadas mais tarde para vencer o Benfica (de Sven-Göran Eriksson) naqueles épicos 2-3 (com os 5 golos a serem marcados nos últimos 25 minutos de jogo), e colocar um ponto final no campeonato.
O FC Porto terminaria a prova com 10 pontos de vantagem sobre o Benfica (2º classificado) e 12 pontos de vantagem sobre o Sporting (4º).
Em cima, a ilustrar o 'post', recuperámos 3 fotos desse clássico entre FC Porto e Sporting. Na primeira foto, vê-se Jaime Magalhães a perseguir o sportinguista Lima; na segunda, os intervenientes são Kostadinov e o brasileiro Douglas; enquanto que na terceira, vemos Jaime Magalhães e Bandeirinha a festejarem o segundo golo do FC Porto nessa partida.

sábado, 19 de setembro de 2009

Amarrados!

Parece que encalhámos em novo ciclo de derrotas. Nada que não tivesse acontecido em anos anteriores. Na época passada, a sequência de 3 derrotas consecutivas (Dinamo de Kiev, Leixões e Naval) também colocou o FC Porto sob muita pressão. No entanto, a consistência e entusiasmo que este ano o Benfica está a revelar oferece menos margem de erro ao FC Porto. Perder pontos dará ainda mais 'elan' ao nosso maior rival.
Depois da exibição empolgante (durante 45 minutos) frente ao Leixões e da exibição consistente (durante 90 minutos) frente ao Chelsea, certamente que muitos portistas não prognosticavam um mau resultado do FC Porto no jogo de hoje. De facto, além de ter crescido como equipa, o FC Porto colocou alegria e ambição nos jogos que realizou anteriormente. Assim, foi algo surpreendente a derrota (1-0) frente ao Sp. Braga.
O que correu mal? Julgo que a maior frescura física da equipa de Domingos foi fundamental no jogo de hoje. Não querendo tirar mérito à vitória do Sp. Braga, julgo que a derrota se ficou mais a dever ao facto do FC Porto ter acusado o esforço de Terça-feira. Isso ficou bem evidente naquele período antes do FC Porto sofrer o golo. Apesar de Alan ter tido muita sorte nesse lance (o cruzamento raspou em Varela e traiu Helton, que até nem estava mal colocado), nessa altura o Sp. Braga já estava por cima no jogo.
O FC Porto nunca conseguiu mandar no jogo (excepto nos últimos 5 minutos). O Sp. Braga é uma equipa confiante e organizada, mas hoje o FC Porto jogou feio e jogou mal!
Defrontando uma equipa muito menos potente (a nível físico) do que o Chelsea, Jesualdo voltou a optar por um «onze» bem mais consentâneo com a confiança e fluidez de jogo que a equipa vinha exibindo. Contudo, e ao contrário do que aconteceu frente ao Chelsea, o adversário de hoje pedia outras soluções técnicas e tácticas. Desta vez, julgo que a partida pedia mais a certeza de passe e visão de jogo de Belluschi do que o músculo de Freddy Guarín. Mas também não foi por aí que o FC Porto perdeu. Não houve discernimento colectivo.
Uma última palavra para Bruno Alves e Raúl Meireles. Estes dois «tetracampeões» não começaram a época da melhor maneira. Quem exibe, respectivamente, as camisolas nº2 e nº3 do FC Porto não pode jogar com os níveis de motivação nos mínimos. Se lhes foram atribuídos aqueles números, é porque estamos habituados a que sejam eles os primeiros a dar o exemplo. Para quando o regresso ás exibições e posturas que os celebrizaram?
Agora, segue-se o Sporting, na próxima jornada. Se os dois rivais de Lisboa vencerem os seus jogos, o FC Porto chegará ao clássico sem qualquer margem de erro. Se calhar é melhor assim, para separar águas: ou nos levantamos ou caímos ainda mais.
Positivo (+):
- a concentração de Rolando, o melhor do FC Porto;
Negativo (-):
- o mau momento de Hulk e Raúl Meireles;
- a enorme quantidade de passes errados do FC Porto;
- FC Porto sem jogo nos últimos 30 metros;
- equipa com "falta de pilhas" na 2ª parte;

A «foto do dia» - A 'Soccer Star' de 13 de Junho de 1959

Hoje, na «foto do dia», voltamos a recordar alguma da 'memorabilia' associada ao nosso FC Porto. Recuperamos uma primeira página da 'Soccer Star', uma prestigiada publicação britânica que esteve nas bancas durante os anos 50 e 60 (foi editada pela última vez em Junho de 1970).
A 'Soccer Star' nasceu a 20 de Setembro de 1952, em Londres, e começou por acompanhar o dia-a-dia dos principais clubes britânicos. Mais tarde, e aproveitando o facto de ter passado a ser editada semanalmente, começou também a dar destaque aos principais clubes e campeonatos europeus.
Nesta edição, de 13 de Junho de 1959, a publicação londrina trouxe à capa um dos «onzes» do FC Porto que Béla Guttmann utilizou durante a época (1958/59) que marcou o nosso regresso à conquista do campeonato nacional, depois do título conquistado 3 anos antes, com Dorival Yustrich.
Em cima (da esq. p/ dta): Acúrcio, Virgílio, Miguel Arcanjo, Monteiro da Costa, Luís Roberto e Barbosa;
Em baixo (da esq. p/ dta): Carlos Duarte, Hernâni, Noé, Teixeira e Perdigão; Na capa daquela edição pode ler-se: «Here are the 1959 champions of Portugal». Logo depois, entre parêntesis, a 'Soccer Star' chama a atenção para o facto do FC Porto ter sido primeiro classificado devido à melhor diferença entre golos marcados e sofridos («on goal average only»).
Nessa época, o FC Porto superou o Benfica numa última e dramática jornada (a tal que celebrizou Inocêncio Calabote, o árbitro do Benfica-CUF), que terminou com os dois clubes separados por apenas um golo no «goal-average» (81-22 do FC Porto contra 78-20 do Benfica).
No texto que acompanha a foto do «onze» do FC Porto, os ingleses estranham o facto do título ter sido atribuído através de um sistema que, pelos vistos, ainda não era utilizado em Inglaterra («...a different system in this country»).
Em cima, recuperámos também uma edição de 1962 da 'Soccer Star', que trouxe à capa o super-Manchester United, de Matt Busby. Nessa altura, a 1ª página já cruzava a 'cor' com o 'preto-e-branco'.

«Curiosidades FCP» - Encontraram-se em Marselha

Apesar de pertencerem à mesma geração de jogadores do FC Porto, e de terem ficado ambos associados aos troféus internacionais que o FC Porto conquistou na década de 80, nunca jogaram juntos com a camisola azul-e-branca. Falamos de Rui Barros e Paulo Futre, dois jogadores que nunca partilharam o mesmo «onze» do FC Porto, mas que marcaram uma época no clube, acabando ambos por se cruzar um pouco mais tarde, em Marselha.
Futre e Rui Barros tinham exactamente a mesma idade (há apenas 3 meses de diferença entre os dois) quando, no Verão de 1987, trocaram o FC Porto e o Varzim por, respectivamente, At. Madrid e FC Porto. Ou seja, já não tiveram oportunidade de jogar juntos naquela famosa equipa que, sob o comando de Tomislav Ivic, venceu 4 dos 5 troféus que disputou em 1987/88 (ao campeonato, à Taça de Portugal, à Supertaça europeia e à Taça Intercontinental faltou apenas juntar a Taça dos Clubes Campeões Europeus).
Curiosamente, Futre e Rui Barros estabeleceram ambos um novo 'record' nos montantes envolvidos em transferências de jogadores portugueses para o estrangeiro. Tal como acontece actualmente, também na década de 80 o FC Porto foi pioneiro e recordista nas transacções de jogadores.
Depois de colocar a fasquia em 650 mil contos, montante auferido com a transferência de Futre para o At. Madrid, o FC Porto voltaria a pulverizar o 'record' no ano seguinte, garantindo 900 mil contos com a transferência de Rui Barros para a Juventus. Um valor altíssimo para a época, até para os abastados clubes do 'Calcio'.
Mesmo marcando um ciclo no FC Porto, Rui Barros permaneceria nas Antas apenas durante uma época (na sua primeira passagem pelo clube). Tal como Futre, o rapidíssimo avançado do FC Porto não hesitou quando colocado perante uma proposta irrecusável, que lhe garantiria também um novo desafio desportivo.
Mas enquanto que Paulo Futre prolongou a sua estadia em Madrid por 6 épocas, Rui Barros preferiu dividir o seu tempo por Turim (2 épocas na Juventus) e pelo Mónaco (3 épocas).
Foi no início da época 1993/94 que estes dois conceituados ex-jogadores do FC Porto se cruzaram no mesmo clube, o Marselha. Apesar de possuir um plantel, construído durante a «fase Bernard Tapie», muito vasto e rico, o OM resolveu contratar dois jogadores conceituados para fortalecer ainda mais a equipa que, uns meses antes, tinha garantido a primeira Taça dos Clubes Campeões Europeus para o futebol francês (o Marselha derrotou o AC Milan na final da competição).
Apesar de terem encontrado um plantel em fim de ciclo, Futre e Rui Barros ainda partilharam o balneário com alguns jogadores que ficaram ligados à melhor equipa de sempre do OM.
Fabien Barthez, Marcel Desailly, Basile Boli, Jocelyn Angloma, Dragan Stojkovic, Didier Deschamps, Alen Boksic e Rudi Völler, entre outros, foram alguns dos que tiveram o privilégio de jogar ao lado daqueles dois ex-jogadores do FC Porto.
Infelizmente, Futre e Rui Barros só partilharam o mesmo clube durante uma época, pois, nesse mesmo ano, rebentou em França um escândalo que ficou conhecido como o caso Valenciennes-Olympique de Marseille («l'affaire VA-OM»). A justiça francesa deu como provado o facto dos marselheses terem subornado alguns jogadores do Valenciennes, de forma a que o Olympique não tivesse dificuldade em garantir o seu quinto título consecutivo, isto uns dias antes de defrontar o AC Milan, em Munique, na final da 'Champions'.
Apesar de ter vencido o Valenciennes por 1-0, e conquistado o «Pentacampeonato», o Marselha viu ser-lhe retirado o título no ano seguinte, ou seja, durante a época em que Futre e Rui Barros representaram o clube.
Além de ter ficado sem o título correspondente à época 1992/93, o Marselha também foi condenado a descer à segunda divisão, o que, naturalmente, originou uma debandada da maior parte dos jogadores que constituíam o plantel de 1993/94.
Enquanto que Futre, com 30 anos, optou por experimentar o 'Calcio' (Reggiana), Rui Barros decidiu colocar um ponto final na sua aventura no estrangeiro, regressando ao "seu" FC Porto, onde terminou a carreira.
Uns anos mais tarde, Futre confessou que chegou a receber um convite de Pinto da Costa para terminar a carreira no FC Porto, o que também lhe possibilitaria voltar a encontrar Rui Barros. No entanto, o nosso ex-nº 10 optou por dar meia-volta ao mundo e experimentar a Liga japonesa, onde jogou ao serviço do Yokohama Flügels.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Ainda falta qualquer coisa

Sendo o clube com mais presenças (ex-aequo com o Manchester United) na Liga dos Campeões, o FC Porto não pode (e não deve) fugir à responsabilidade de se estrear na competição mais importante do mundo a nível de clubes com uma atitude e uma postura condizentes com a tradição que construiu na prova.
Apesar de ter estado muito perto de sair de Stamford Bridge com pelo menos 1 ponto, a verdade é que o FC Porto abordou o jogo da 1ª jornada como se de uma eliminatória se tratasse. Ou seja, foi uma equipa demasiado calculista e que demorou muito tempo a libertar-se a si própria. Talvez não se justificassem tantos cuidados na elaboração do «onze» inicial. Ainda assim, o FC Porto encostou o Chelsea ás cordas!
Com as duas equipas a revelarem uma qualidade de jogo bastante aceitável para este altura da época, não seria surpreendente se o jogo de Stamford Bridge se desequilibrasse a favor da equipa que, neste momento, apresenta melhores argumentos físicos (em função da estrutura fisiológica dos seus jogadores) e mentais (em função de jogar em casa, onde não perde há 18 jogos na prova), o Chelsea. De facto, o FC Porto é uma equipa com força e potência, mas hoje encontrou pela frente a equipa que, na Europa, melhor conjuga essas duas aptidões.
Nesse aspecto, compare-se a estrutura física dos 3 jogadores que, habitualmente, constituem o meio-campo das duas equipas. No Chelsea, Michael Essien, Frank Lampard e Michael Ballack medem mais de 1,80m e superam os 75kg de peso, enquanto que no FC Porto, apenas Fernando (1,83m e 76kg) se aproxima desse perfil físico, enquanto que Raúl Meireles e Belluschi nem aos 70kg chegam. Diferença brutal!
Talvez por esse motivo, Jesualdo tenha optado por promover ao «onze» Rodríguez, Mariano e Guarín. Se a entrada do primeiro era previsível, e até aconselhável, a opção pelos outros dois é (bastante) discutível (Mariano e Guarían até têm força, mas estão ambos pesadíssimos e sem dinâmica para enfrentar a intensidade que o Chelsea coloca em campo quando joga em Stamford Bridge). Algo surpreendentemente, Guarín até acabou por ser dos melhores do FC Porto. Quanto a Mariano, começa a ser irritante a insistência de Jesualdo Ferreira num jogador que está no FC Porto há quase 3 (!) anos e ainda não convenceu ninguém.
Teoricamente, Jesualdo até leu bem as virtudes do adversário, mas correu demasiados riscos com estas opções (o mesmo já tinha acontecido com o Arsenal no jogo da época passada, em Londres). Apesar da boa colocação da equipa em campo, o FC Porto só se libertou depois de estar em desvantagem. Já era tarde!
Hoje, não foi aquele FC Porto penoso e submisso que, na época passada, perdeu (4-0) com o Arsenal, mas também não foi aquele FC Porto empolgante e desinibido que empatou (2-2) em Old Trafford. Ou seja, ainda estamos a meio caminho. Este FC Porto 2009/10 ainda não é suficientemente adulto para vencer em Inglaterra. Mas pelo que vimos hoje, lá chegaremos!
Positivo (+):
- o "coração" que o FC Porto revelou nos últimos 20 minutos;
- as exibições de Guarín, Fernando e Álvaro Pereira;
- a "defesa impossível" de Helton que evitou o 2-0;
- a disposição táctica do FC Porto;
- o apoio dos adeptos;
- o empate do APOEL em Madrid;
Negativo (-):
- a lentidão de Bruno Alves no lance do golo;
- o individualismo de Hulk;
- o receio do duelo individual que alguns jogadores do FC Porto revelaram nos primeiros minutos de jogo;
- as limitações ofensivas que Jesualdo impôs à equipa na primeira-parte;
- a má entrada do FC Porto no segundo-tempo;

Armando Manhiça, 1943-2009

Armando Manhiça, antigo jogador do FC Porto e do Sporting, nas décadas de 60 e 70, faleceu no passado Domingo, em Maputo, vítima de doença prolongada.
Este antigo defesa central representou o FC Porto entre 1970/71 e 1972/73, tendo, nessa altura, jogado ao lado de outros grandes nomes da história do clube, como Rolando, Pavão, Abel ou Nóbrega, entre outros.
Recentemente, Armando Manhiça teve vários problemas de saúde, nomeadamente ao nível dos diabetes, e uma trombose, o que fez com que necessitasse de acompanhamento médico regular.
Este ex-jogador do FC Porto já tinha sido aqui recordado no «cromo do dia». Hoje, o 'Paixão pelo Porto' presta-lhe mais uma homenagem recordando-o numa antiga colecção de cromos.
Armando Manhiça era Membro Honorário do Núcleo Sportinguista de Moçambique e da Casa do FC Porto de Maputo.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

«Curiosidades FCP» - A candidatura de Pinto da Costa

Hoje, nas «Curiosidades FCP», recuamos ao início dos anos 80 e ao momento mais importante e decisivo da história do FC Porto: a demissão de Pinto da Costa do cargo de Chefe de Departamento do Futebol e a sua posterior candidatura à presidência do clube.
Apesar de ter deixado o FC Porto em conflito com Américo de Sá, Pinto da Costa continuou a acompanhar o dia-a-dia do clube após as polémicas que deram origem ao «Verão Quente» de 1980 e que também originaram a saída de Pedroto do comando técnico da equipa.
Na altura, o austríaco Hermann Stessl tinha sido o escolhido por Américo de Sá para substituir Pedroto. No entanto, o «Mestre» aguardava, em Guimarães, que o seu amigo Jorge Nuno regressasse ao FC Porto. Segundo relatos da época, Pedroto terá mesmo chegado a receber um convite de Fernando Martins para deixar o Vitória e assumir a liderança do Futebol do Benfica. Pedroto recusou, pois acreditava que o seu regresso ao FC Porto estaria para breve.
A cada vez maior insatisfação dos sócios, com a postura subserviente de Américo de Sá para com o centralismo, levou à criação de um movimento que defendia a mudança da política desportiva do clube. Assim, em 1981, um grupo de associados elabora um programa que tinha como lema e objectivo «devolver o clube aos sócios». Apesar de não ter nenhum nome previsto para encabeçar uma possível lista concorrente ás eleições, no pensamento deste grupo de sócios já havia um nome, Jorge Nuno Pinto da Costa.
O objectivo deste movimento de sócios era claro: apresentar uma personalidade que reunisse o consenso e a unanimidade da massa associativa, e que, ao mesmo tempo, levasse á desistência eleitoral da lista de Afonso Pinto de Magalhães.
O programa elaborado por este grupo de sócios era muito simples e claro: - contribuir para que a massa associativa esteja unida em torno da sua Direcção; - dimensionar o Futebol com a importância que é devida à modalidade nº 1; - procurar manter e, se possível, melhorar o nível do Basquetebol e do Hóquei em Patins; -manter com todos os clubes e organismos as melhores relações, mas sempre em pé de igualdade, ou seja, sem subserviência para com os grandes clubes ou os donos do poder concentrados em Lisboa, e sem a arrogância e superioridade ridículas perante os pequenos clubes;
Inicialmente, foi difícil a este grupo convencer Pinto da Costa a encabeçar a lista, pois o actual Presidente da SAD do FC Porto só se mostrava disponível para integrar um futuro elenco directivo. Só depois de várias reuniões, e algumas desistências, foi possível convencer Pinto da Costa a avançar como nº1 da 'Lista B'. O passo seguinte foi a elaboração de uma lista com os objectivos a que Pinto da Costa se propunha, quase todos destinados a fortalecer a principal modalidade do clube, o Futebol:
- contratar José Maria Pedroto;
- fazer regressar ao FC Porto dois jogadores: Fernando Gomes e António Oliveira (nota: só Gomes regressaría, após duas épocas no Sp. Gijon);
- rebaixar o Estádio das Antas (em cima, na foto), aumentando-lhe a capacidade para mais 20 mil lugares;
- lutar por uma presença constante nas provas da UEFA e procurar atingir uma final europeia;
- vencer o campeonato nacional de Hóquei em Patins (nota: a primeira vitória do FC Porto no campeonato ocorreu em 1982/83);
- substituir o jornal 'O Porto' por uma revista mensal de grande qualidade;
- inserir publicidade nas camisolas (nota: o FC Porto foi o primeiro dos 3 grandes a ter patrocínio nas camisolas);
- criar uma sala de bingo;
Já depois de divulgados os objectivos da candidatura, Pinto da Costa foi confrontado com um convite para ser nº2 da lista liderada por Afonso Pinto de Magalhães. No entanto, a 'Lista A' não desejava o regresso de Pedroto ao clube e, naturalmente, não tinha o apoio da maior parte dos sócios. Assim, Afonso Pinto de Magalhães acabou por abdicar de ir a votos e entregar o seu apoio à 'Lista B'. Estava aberto o caminho para o regresso de Pinto da Costa ao clube, agora como Presidente.