quarta-feira, 30 de junho de 2010

E os reforços defensivos?

Se olharmos para aquilo que foram as últimas 5 épocas do FC Porto em termos defensivos, chegamos facilmente à conclusão que ‘muitos golos sofridos’ têm sido sinónimo de perda do título. A última época é o melhor exemplo: 26 golos sofridos tornaram-nos apenas a 3ª melhor defesa do campeonato (e em igualdade com o Sporting). Comparando, por exemplo, com a época do ‘tri’, essa marca constitui o dobro dos golos sofridos em 2007/08 (13 golos). Outra curiosidade: os muitos golos (20) sofridos em 2006/07 coincidiram com a menor vantagem pontual para o 2º classificado durante as épocas do ‘tetra’ (nessa época, o FC Porto foi campeão nacional com apenas 1 ponto de vantagem sobre o Sporting). Ou seja, a consistência defensiva deveria ser neste momento a maior preocupação do ‘FC Porto de Villas-Boas’.
Se de defesas-centrais estamos bem servidos, o mesmo já não acontece nas laterais. O próprio Álvaro Pereira, apesar de ser um jogador muito dinâmico e com grande disponibilidade física, tem revelado dificuldades no posicionamento defensivo e no ‘um-contra-um’.
Assim, até seria aconselhável que o FC Porto adquirisse outro lateral-esquerdo e Villas-Boas viesse a considerar a possibilidade de adiantar Álvaro Pereira no campo (na selecção do Uruguai tem sido utilizado como extremo-esquerdo e, nos últimos jogos do Mundial, como médio interior).
Na outra ala as reticências são ainda maiores, pois Fucile e Miguel Lopes nunca conseguiram dar consistência defensiva ao flanco direito. O lateral português até é um jogador agressivo e dedicado, mas pareceu sempre demasiado precipitado na hora de defender. Quanto a Fucile, as suas exibições no Mundial até estão a surpreender (principalmente a nível defensivo), tendo em conta o que foi a sua última época em Portugal. O ‘Fucile do FC Porto’ parece um jogador pouco motivado e que já não consegue acompanhar a exigência de jogar no FC Porto. E até se fala numa possível transferência… Ou seja, neste momento o FC Porto deveria começar por reforçar o seu plantel em termos defensivos. Villas-Boas confessou, aquando da sua apresentação, que iríamos ter um “FC Porto agressivo no mercado”. Isso tem sido evidente em termos ofensivos (confirmando-se as contratações de Kléber, Walter e do miúdo prodígio James Rodriguez (em cima, na foto), o FC Porto ficará com uma das frentes de ataque mais fortes das últimas épocas), mas os pilares das grandes equipas são sempre os seus sistemas e intérpretes defensivos. Para quando os reforços?

«Curiosidades FCP» - Os nossos ‘mundialistas’ no ‘Inglaterra 66’

Continuamos a recordar ex-jogadores do FC Porto presentes em Mundiais de Futebol. Hoje, recuperamos o ‘trio’ que nos representou no ‘Inglaterra 66’: Custódio Pinto (médio), Américo (guarda-redes) e Festa (defesa-direito).
Apesar de terem sido habituais titulares do FC Porto durante toda a época (1965/66) que antecedeu o Campeonato do Mundo, estes três jogadores acabaram por ser vítimas do maior estatuto que os jogadores dos grandes de Lisboa na altura ostentavam. Deste ‘trio’, só o lateral-direito Festa teve o privilégio de ser utilizado nessa edição do Mundial (Custódio Pinto e Américo nunca passaram do banco de suplentes).

A «foto do dia» - O ‘Barça’ de Vítor Baía, Fernando Couto e… Juan António Pizzi!

Hoje, na «foto do dia», recuperamos um «onze» do Barcelona, da época 1996/97 (o ‘Barça’ era orientado por Bobby Robson) onde podemos encontrar 3 jogadores que já vestiram a camisola do FC Porto: Vítor Baía, Fernando Couto e Juan António Pizzi.
O ponta-de-lança espanhol acaba por merecer maior destaque devido à breve e inconsequente passagem que teve pelo FC Porto. Na altura, Pizzi já tinha atingido os 32 anos e estava bem longe da forma que tinha exibido em Espanha, ao serviço de Tenerife, Valência e Barcelona. Ainda assim, e apesar de muito pouco utilizado, o ponta-de-lança espanhol ainda conseguiu apontar 3 golos na Liga portuguesa. Após a breve passagem pelo FC Porto, Pizzi regressaría à Argentina para representar o Rosário Central.
Em cima (da esq. p/ dta.): Vítor Baía, Popescu, Fernando Couto, Luís Henrique, Guardiola e Abelardo;
Em baixo (da esq. p/ dta.): Nadal, Guillermo Amor, Sergi, Pizzi e Luís Figo;

sexta-feira, 25 de junho de 2010

E que tal um ‘capitão’ colombiano?

Se Bruno Alves e Raúl Meireles (o jogador mais fresco da nossa Selecção, porque será?) deixarem o FC Porto, é muito provável que na próxima época o tema ‘braçadeira de capitão’ não gere consenso junto da família portista. Há muitos candidatos, mas nenhum deles apresenta ainda o estatuto e influência no balneário que jogadores como Jorge Costa, Pedro Emanuel ou Bruno Alves apresentavam quando foram nomeados ‘capitães’. Helton (tem o ‘handicap’ de ser guarda-redes), Rolando (é demasiado introvertido), Fernando (é demasiado jovem), Guarín (é um habitual suplente), Hulk (é demasiado impulsivo), Mariano Gonzalez (está lesionado e nem sempre é titular), Varela (também está lesionado, mas num futuro próximo será um forte candidato) e Ruben Micael (é o segundo preferido da nossa lista) são grandes candidatos à braçadeira.
No entanto, com o abandono de Nuno e confirmando-se as saídas dos nossos nº 2 e nº 3, o ‘Paixão pelo Porto’ gostaria que a braçadeira de ‘capitão’ fosse agora entregue a Radamel Falcao. Apesar de ter chegado ao FC Porto apenas em 2009, o ponta-de-lança colombiano absorveu de forma tão rápida a cultura do clube que neste momento é um sério candidato a suceder a Bruno Alves. Falcão tem tudo para ser carismático. Julgamos que o facto de ser estrangeiro não será um argumento suficientemente dissuasor para os que defendem um jogador português para essas funções. Isso não é condição essencial para se ser ‘capitão’ do FC Porto. Aliás, podíamos referir vários exemplos que contrariam essa tese. Recuperamos dois: Javier Zanetti (é argentino e ‘capitão’ do Inter há muitos anos) e Cesc Fabregas (é espanhol e ‘capitão’ do Arsenal).
Além disso, pode-se sempre reconhecer a importância de outro jogador atribuindo-lhe a agora prestigiante e influente camisola nº 2 (estou a pensar em Rolando ou Fernando, por exemplo). Fora do campo, o ‘capitão’ deve ser alguém que contribua para a harmonia no balneário e que tenha a sensibilidade para compreender que, por vezes, os interesses do clube se sobrepõem aos interesses individuais, enquanto que, dentro do campo, o ‘capitão’ deve ser o primeiro a dar o exemplo quando as coisas correm menos bem e conseguir contagiar os colegas com a sua entrega e espírito de sacrifício. Falcão cumpre estes requisitos!

A «foto do dia» - Virgílio, Pinho e Osvaldo Cambalacho

Voltamos a recuar à histórica época de 1955/56 para recordarmos 3 homens que foram fundamentais na consistência defensiva que o FC Porto revelou ao longo daquele campeonato (o FC Porto foi a melhor defesa da prova).
Virgílio, Pinho e Osvaldo Cambalacho são os 3 jogadores da foto. Um guarda-redes e dois dos três defesas (Miguel Arcanjo é o único ausente na foto) que nessa altura formavam a defesa do FC Porto. Virgílio e Osvaldo Cambalacho foram mesmo dos jogadores mais utilizados (participaram em 26 jogos) por Dorival Yustrich no percurso que nos levou a um título que marcou o final do nosso primeiro grande jejum no que à conquista de campeonatos diz respeito. Foram 16 anos, entre o campeonato conquistado com Mihaly Siska, em 1940, até ao título com Yustrich, em 1956.

«Curiosidades FCP» - João Pinto no 'México 86'

Continuamos a trazer aqui fotos de alguns nossos ‘mundialistas’ presentes em edições anteriores do Mundial de Futebol. Hoje, recuperamos uma foto (autografada pelo próprio!) de João Pinto com a camisola da Selecção e recordamos a sua presença no ‘México 86’.
Apesar de na altura ser titularíssimo no «onze» do FC Porto, e de ter sido fundamental na caminhada que, dois anos antes, nos levou à final da Taça dos Vencedores das Taças, João Pinto acabaria por não ser utilizado no Mundial do México. Algo surpreendentemente, José Torres optou por utilizar nos três jogos (frente a Inglaterra, Polónia e Marrocos) da fase de grupos um quarteto defensivo formado por Álvaro, Oliveira, Frederico e Inácio.
Ainda assim, o nosso mítico ‘capitão’ seria, durante muitos anos, o jogador do FC Porto que mais vezes vestiu a camisola da Selecção.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Villas-Boas devia assumir ‘dossier contratações’

No final da época passada houve um desabafo de Jesualdo Ferreira que nos deixou intrigados e que não terá sido apenas um ‘mea culpa’ na época menos conseguida do FC Porto. «Este ano não fomos tão competentes», confessou o ex-treinador do FC Porto ao fazer um balanço da época 2009/10. Nesse desabafo, pareceu estar implícito apenas um parcial assumir de responsabilidades. Julgamos que, entre outras coisas, se estaria a referir à constituição do plantel, pois Jesualdo Ferreira pareceu sempre condicionado quando lhe pediam para abordar o tema das contratações e das dispensas. Ou seja, ficou sempre implícito que o ex-treinador do FC Porto nunca foi o maior responsável pelas contratações que a SAD realizou. Isso deu-lhe a cobertura de Pinto da Costa nos períodos mais difícieis, mas também o fragilizou na altura de assumir as suas preferências (estamos a recordar-nos de uma entrevista de Pinto da Costa que, no final da época, deixou um “recado” a Jesualdo quando confessou que Prediger, um jogador proposto pela SAD, teve poucas oportunidades). Nesse sentido, seria interessante ver André Villas-Boas assumir o risco por todas as escolhas do plantel 2010/11.
Só reforçando os poderes do treinador poderemos ter um FC Porto com total harmonia entre jogadores, técnicos e dirigentes.
Uma nota importante: Villas-Boas conhece a história e a cultura do clube. Assim, a SAD do FC Porto não corre o risco de ter de satisfazer alguns caprichos ao dar demasiados poderes ao treinador para escolher os reforços. No passado, já houve experiências com outros técnicos (estamos, por exemplo, a recordar-nos de Luigi Del Neri, que queria reforçar o plantel com jogadores italianos) que exigiram jogadores de perfil e nacionalidades que pouco têm a ver com o ADN e a história recente do FC Porto. Villas-Boas não cometerá esse erro! A chegada de Souza (em cima, na foto) parece pressupor que o FC Porto vai finalmente deixar de adquirir jogadores no sempre imprevisível campeonato argentino e vai voltar a privilegiar o mercado português e brasileiro (e também seria interessante voltarmos ao mercado de Leste, que nos trouxe boas surpresas nos anos 90).
No entanto, Villas-Boas tem que começar primeiro por abdicar de alguns “caprichos argentinos” que a SAD do FC Porto nos impingiu nas últimas épocas. Se vamos privilegiar a “posse e a criatividade”, podemos começar por emagrecer a ‘armada argentina’ (Diego Valeri, Tomás Costa, Sebastian Prediger, Mariano Gonzalez,…).

«Curiosidades FCP» - O ‘outro’ Gomes

Apesar de ser inevitável associarmos o nome ‘Gomes’ ao nosso Bi-Bota d’Ouro, houve outro ‘Gomes’ que vestiu a camisola do FC Porto antes do eterno nº 9 chegar ao clube. Falamos de Eduardo de Oliveira Gomes (na foto), um extremo-direito nascido em Matosinhos e formado nas escolas do Leixões.
A primeira passagem de José Maria Pedroto pelo FC Porto como treinador coincidiu com a melhor fase na carreira de Gomes. Foi com o ‘Mestre’ na orientação da equipa que Gomes foi utilizado com maior regularidade no «onze», chegando mesmo a ser nomeado ‘capitão’ na época 1968/69. Por essa altura, era utilizado como extremo-direito (Nóbrega dava profundidade à ala do lado contrário), partilhando o meio-campo do FC Porto com, entre outros, Pavão, Custódio Pinto e Nóbrega.

A «foto do dia» - O bilhete do FC Porto - AC Milan, Taça dos Clubes Campeões Europeus 1979/80

Continuamos a recordar algumas raridades da valiosa ‘memorabilia’ do nosso FC Porto. Hoje, recordamos a célebre eliminatória da TCE que o FC Porto disputou frente ao AC Milan, em 1979, recuperando o bilhete que deu acesso ao jogo da 1ª mão, disputado nas Antas a 19 de Setembro de 1979. Um ingresso que custou apenas 150$ (150 escudos) e que deu acesso à antiga bancada ‘Geral’, desactivada aquando do rebaixamento do relvado.
Apesar do 0-0 da 1ª mão, o FC Porto seguiria em frente na eliminatória ao vencer em Milão, 15 dias depois, por 0-1 (golo de Duda, aos 60 minutos). O mítico AC Milan, de Nils Liedholm (Treinador), Enrico Albertosi, Franco Baresi (tinha apenas 19 anos!), Walter Novellino, Gianni Rivera, Fabio Capello e Alberto Bigon, entre outros, soçobrou perante o ‘FC Porto de Pedroto’.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

E quem sai?

Apesar da natural ansiedade que as novas contratações do FC Porto já estão a provocar, neste momento talvez seja mais importante começar por garantir a saída de alguns jogadores que, apesar do seu inquestionável valor, possam contribuir para arrefecer o natural entusiasmo que a chegada de André Villas-Boas provocou nos adeptos e na própria estrutura do FC Porto. Era importante que esse ‘élan’ não se perdesse com a permanência no plantel de alguns “acomodados”!
Helton, Fucile, Cristian Rodriguez e Fernando (este último por razões diferentes) são as apostas do ‘Paixão pelo Porto’ para acompanhar as previsíveis (no caso do nosso nº 2) e desejadas (no caso do nosso nº 3) saídas de Bruno Alves e Raúl Meireles (esperemos que nem vá com a equipa para estágio!).
Com a chegada de André Villas-Boas, e com um novo modelo de jogo que privilegia a criatividade e a posse de bola, até não seria surpreendente que um jogador como Fernando também abandonasse o FC Porto. Sería interessante ver o ‘FC Porto de Villas-Boas’ jogar com um nº6 com outras características, um jogador com melhor certeza no passe e que fosse o primeiro a garantir qualidade na transição ofensiva.
O próprio Helton, apesar de ser um guarda-redes de ‘top’, parece atravessar uma fase da carreira em que o seu entusiasmo e níveis de concentração talvez já não estejam a acompanhar a ambição e exigência do FC Porto. Basta comparar com a postura de Beto quando a este lhe é atribuída a titularidade…
É claro que fazer uma autêntica revolução no plantel pode não ser positivo. No entanto, este parece ser o melhor momento para um ‘virar de página’ no que à constituição do plantel diz respeito. Aliás, o comunicado da SAD do FC Porto, aquando da despedida de Jesualdo Ferreira, parecia pressupor isso mesmo. Ou seja, ao indicar que pretende um novo modelo para o Futebol, a SAD do FC Porto deveria aproveitar para impor ao plantel o mesmo critério que aplicou na escolha do novo treinador: o rejuvenescimento e a mudança de métodos.
Começa a haver ali muita gente com tiques e hábitos pouco recomendáveis para quem se propõe conquistar um lugar (1º) que tem sido nosso e que não vai ser nada fácil de recuperar já na próxima época.

«Curiosidades FCP» - Mlynarczyk nos Mundiais

Continuamos a recordar alguns dos nossos antigos ‘mundialistas’. Hoje, recuperamos uma foto de Mlynarczyk com a camisola da Polónia. Este ex-guarda-redes do FC Porto esteve presente em dois Campeonatos do Mundo: ‘Espanha 82’ e ‘México 86’. O ‘Mly’ foi, em ambas as ocasiões, o titular da baliza polaca.
Apesar de em 1986 a Polónia ter realizado uma prova relativamente discreta (venceu Portugal na fase de grupos, mas foi eliminada nos Oitavos-de-final, pelo Brasil), em 1982 igualou a sua melhor classificação de sempre em Campeonatos do Mundo: 3º lugar. Nessa edição do Mundial, a selecção de Mlynarczyk (tinha 28 anos e jogava no Widzew Lodz) só foi derrotada pela Itália, nas meias-finais da prova (2-0, com dois golos de Paolo Rossi).

A «foto do dia» - FC Porto 1977/78

Hoje recuperamos mais uma foto de um «onze» do FC Porto relativo à célebre e excitante época de 1977/78. Neste «onze» merecem destaque as ausências de Octávio Machado e Fernando Gomes (substituídos por Celso e Seninho), que nessa época foram dos jogadores mais utilizados por José Maria Pedroto na caminhada que nos levou ao título.
Em cima (da esq. p/ dta): Gabriel, Alfredo Murça, Simões, Freitas, Celso e Fonseca;
Em baixo (da esq. p/ dta): Ademir, Rodolfo, Duda, Seninho e António Oliveira;

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Jogar ‘à portuguesa’

É demasiado jovem? É. Tem pouca experiência? Tem. É uma aposta arriscada? É. O FC Porto tem-se dado mal com este tipo de apostas? Não! Artur Jorge e José Mourinho que o digam, pois passaram de técnicos de equipas do meio da tabela - Portimonense e U. Leiria, respectivamente – a treinadores campeões europeus.
"A cultura do futebol português aprecia a excelência técnica, a criatividade e a posse. A nossa ideia de jogo de qualidade e futebol espectáculo baseia-se nesses três itens e que se traduzem em equipas como a Holanda, o Barcelona ou o FC Porto de 2002/03, que venceu a Taça UEFA" confessou recentemente Villas-Boas à imprensa portuguesa. Não podemos estar mais de acordo, pois esses princípios são claramente coincidentes com a forma de sucesso que o FC Porto aplicou aquando das suas conquistas internacionais.
Confirmando-se a sua contratação, será muito importante que Villas-Boas insista neste discurso nos primeiros tempos como treinador do FC Porto. É necessário passar essa mensagem à equipa, pois estas coisas têm grande influência na forma como os jogadores vão abordar os jogos.
É inevitável não ver aqui uma ruptura com os modelos de jogo que os dois últimos treinadores do FC Porto (Co Adriaanse e Jesualdo Ferreira) privilegiavam. Não vamos ter a ousadia de dizer que, com este discurso, Villas-Boas já entra a ganhar, mas é um facto que o futuro treinador do FC Porto começa por “tocar” os adeptos precisamente no ponto que os mantinha mais afastados de Jesualdo: a pouca empatia com o modelo de jogo que o FC Porto utilizava.
Uma conclusão: pela curta passagem de Villas-Boas pela Académica, já deu para perceber que o FC Porto vai ser uma equipa bem posicionada em campo e muito forte tacticamente. Agora juntem-lhe o discurso da ‘criatividade e da posse’. Promete!

A «foto do dia» - Branco

Hoje, na «foto do dia», recordamos o jogador do FC Porto que esteve presente em maior número (3) de edições do campeonato do Mundo, o brasileiro Branco.
A precisão e força que imprimia ao bater livres directos, que constituíram a sua imagem de marca na passagem pelo FC Porto, revelaram-se fundamentais no Mundial dos Estados Unidos, em 1994. Nessa edição da competição, Branco foi o autor do decisivo golo na épica vitória (3-2) do Brasil frente à Holanda, nos Quartos-de-final da prova.
Ao serviço da Selecção do Brasil, Branco venceu duas competições: a Copa América, em 1989, e o Campeonato do Mundo, em 1994.

«Curiosidades FCP» - A breve passagem de Ettore Puricelli

Em vésperas do FC Porto anunciar o nome do novo treinador, recordamos um técnico estrangeiro que orientou o FC Porto no início da época 1959/60, Ettore Puricelli.
Este técnico italiano (nasceu no Uruguai mas adquiriu nacionalidade italiana) sucedeu a Béla Guttmann após a conquista do título em 1958/59. No entanto, e apesar de ser um técnico muito conceituado no seu país, Puricelli acabaria por ter apenas uma breve passagem pela Antas (alguns meses depois de ter chegado foi substituído pelo eslovaco Ferdinand Daucík).
Exceptuando o breve período em que orientou o FC Porto, Puricelli construiu toda a sua carreira de treinador em Itália, onde orientou, entre outros, o Palermo, o AC Milan e o Foggia.
Em cima, recuperámos duas fotos deste antigo treinador do FC Porto. Na primeira, surge com a camisola do AC Milan, clube que representou enquanto jogador no final da década de 40; e na segunda, já como técnico no futebol italiano.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Um FC Porto de ‘tracção à frente’

Apesar do FC Porto ter terminado a época com um «onze» bem mais harmonioso do que aquele que Jesualdo vinha utilizando no início de 2009/10, a verdade é que o início da próxima temporada pode trazer dificuldades no encontrar de uma base que sirva de alicerce ao FC Porto 2010/11, principalmente a nível defensivo. Dois factores vão contribuir para a incerteza no que a um novo «onze» diz respeito: estamos em ano de Mundial e em vésperas de chegada de novo treinador. Isso pode condicionar muito o início de época do FC Porto. Senão vejamos: além de ter 4 defesas (Fucile, Rolando, Bruno Alves e Álvaro Pereira) habituais titulares no Campeonato do Mundo, o novo treinador do FC Porto também vai ter que enfrentar a mais que provável saída do plantel de 2 ou 3 jogadores (Fucile? Bruno Alves? Raúl Meireles? Helton?...) que ocupam posições mais recuadas do campo.
Neste momento, é no meio-campo e no ataque que estão as bases do FC Porto 2010/11. Jogadores como Rúben Micael, Varela, Belluschi, Hulk e Falcão (esperemos que não surja por aí nenhuma proposta irrecusável pelos dois últimos…) são as maiores garantias para um FC Porto forte em 2010/11. O problema, como a grande maioria dos treinadores gosta de salientar, é que as grandes equipas se começam a construir lá atrás. Vamos lá ver se Maicon, Miguel Lopes, Nuno André Coelho e os novos reforços são soluções válidas para uma pré-época algo atípica (se Portugal e Uruguai atingirem uma fase adiantada do Campeonato do Mundo, o FC Porto pode ver-se privado dos seus 4 defesas durante o estágio e os jogos de preparação).
Sendo o primeiro jogo oficial da época já no dia 7 de Agosto (Supertaça, frente ao Benfica) e tendo os jogadores direito a 30 dias de férias, é fácil concluir que não será fácil apresentar uma forte solidez defensiva logo nos primeiros jogos da época (uma boa notícia: o nosso maior rival tem mais jogadores presentes no Mundial). Assim, é muito provável que o novo treinador tenha que improvisar e testar rapidamente um novo quarteto defensivo já nos jogos de preparação, pois os ‘mundialistas’ vão chegar mais tarde ao estágio (os que permanecerem no FC Porto, claro!). Para já, o FC Porto 2010/11 começa por ser de ‘tracção à frente’. Não é um boa forma de começar, mas é o que as circunstâncias permitem!

«Curiosidades FCP» - O «Anjo Branco»

Hoje, nas «Curiosidades FCP», vamos recordar um dos mais célebres defesas-centrais portistas da década de 50, Miguel Arcanjo.
Apesar de se ter sagrado campeão nacional pelo FC Porto em duas ocasiões (1955/56 e 1958/59), foi no regresso do clube aos títulos, em 1955/56, que Miguel Arcanjo ficou na memória de todos os que naquela altura acompanhavam o FC Porto. O trio defensivo (Dorival Yustrich, o técnico de então, jogava apenas com 3 defesas!) que formou com Virgílio e Osvaldo Cambalacho foi um dos mais fortes e consistentes da história do clube.
A alcunha de «Anjo Branco» foi-lhe atribuída por jornalistas franceses depois de ter realizado uma excelente exibição ao serviço da Selecção Militar num amigável frente à França, disputado em Paris.
Apesar dos poucos jogos que realizou com a camisola principal da Selecção, Arcanjo ainda esteve presente na fase de qualificação para o histórico Mundial de 1966.
Recentemente, este antigo defesa-central do FC Porto foi homenageado em Luanda, no decorrer de uma cerimónia que antecedeu a abertura da CAN 2010.

A «foto do dia» - André

Hoje recuperamos uma foto de André com a camisola do Varzim. Apesar de ter representado o FC Porto durante várias épocas consecutivas, foi no clube da Póvoa que este mítico médio-defensivo realizou a sua formação.
André já tinha 26 anos quando chegou ao FC Porto (foi contratado no início da época 1984/85). No entanto, a sua empatia com o clube foi tão grande que lá permaneceu até hoje.
Uma curiosidade: 3 anos depois da chegada de André, o FC Porto voltaria à Póvoa para recrutar outro dos seus símbolos das décadas de 80 e 90, Rui Barros.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Privilegiar a posse de bola

Agora que a saída de Jesualdo Ferreira parece um facto consumado, é altura de anteciparmos um novo período no Futebol do FC Porto. Depois de um ciclo algo atípico (no que a princípios de jogo diz respeito), mas vitorioso, com Co Adriaanse e Jesualdo Ferreira, que treinador e modelo deve o FC Porto agora privilegiar?
Neste momento, mais do que a nacionalidade ou sistema de jogo, há algo a condicionar a escolha do próximo treinador: o facto de Jorge Jesus continuar a ser técnico do Benfica. É esse facto que mais vai influenciar e condicionar Pinto da Costa na escolha do novo treinador do FC Porto. Além de ser fundamental conhecer as manhas e a actual conjuntura do futebol português, o novo treinador do FC Porto deve estar consciente da força do actual ‘Benfica de Jesus’ e da importância que o actual treinador do Benfica teve no reavivar da luta entre FC Porto e Benfica pela hegemonia do futebol português. Um técnico estrangeiro dificilmente terá essa sensibilidade.
Assim, não se entendem as reservas que muitos portistas colocam ao nome de Paulo Bento. Além de conhecer o nosso futebol (condição essencial para um treinador do FC Porto superar o actual ‘Benfica de Jesus’), o ex-técnico do Sporting privilegia um sistema de jogo ‘à portuguesa’, com posse de bola e criatividade. Apesar de sempre ter disposto de ‘orçamentos de clube de Liga Europa’ e de uma estrutura frágil no Departamento de Futebol do Sporting, Paulo Bento conseguiu sempre (com excepção da última época em que esteve em Alvalade, em que o desgaste e o reduzido orçamento o condicionaram) colocar a sua equipa a discutir títulos e a praticar um futebol apoiado, em que a ‘componente criatividade’ sempre foi mais importante do que a ‘componente física’. Além disso, é um treinador frontal e leal com os seus jogadores. Que mais tem a provar para poder treinar o FC Porto?
Quanto a Jesualdo Ferreira, e apesar dos 6 troféus conquistados, deixou sempre os adeptos pouco agradados com a forma como a equipa abordava os jogos. De facto, não faz muito sentido utilizar um sistema de jogo quase anglo-saxónico, com grande preponderância física e de transições rápidas, quando a história do FC Porto foi construída com treinadores que sempre privilegiaram o clássico ‘futebol à portuguesa’. Aliás, se olharmos para as épocas em que o FC Porto conquistou títulos internacionais, verificamos que essas equipas (de Artur Jorge, Tomislav Ivic e José Mourinho) praticavam um tipo de jogo tipicamente latino, com posse de bola e futebol apoiado. É essa a matriz do melhor FC Porto europeu!

A «foto do dia» - Rivelino e Cubillas

Continuamos a recuperar fotos de ex-jogadores do FC Porto que estiveram presentes em edições do Campeonato do Mundo. Hoje, o destaque vai para Teofillo Cubillas, que nesta foto surge ao lado do craque brasileiro Roberto Rivelino.
As selecções que ambos representavam, Brasil e Perú, cruzaram-se nas eliminatórias de acesso à fase final do Campeonato do Mundo ‘Argentina 78’. Nessa edição do Mundial, Cubillas seria segundo classificado na lista dos melhores marcadores da prova. O conceituado Mario Kempes (Argentina) foi o único a superar em golos o ex-nº 10 do FC Porto.

«Curiosidades FCP» - A transferência de Fernando Couto para o Parma

Num momento em que se fala insistentemente na saída de Bruno Alves para outro clube, recordamos a primeira transferência de um defesa-central português do FC Porto para o estrangeiro. Tudo começou com Fernando Couto. O ex-nº 5 do FC Porto foi o primeiro defesa-central português a ser transaccionado por uma soma pouco usual para a época: 3 milhões de euros. Ainda assim, um valor bastante mais baixo do que aquele que o FC Porto arrecadou recentemente com as transferências de Pepe e Ricardo Carvalho, 30 milhões de euros.
Fernando Couto deixou o FC Porto em 1994/95, depois de duas épocas em que formou com Aloísio uma das duplas de defesas-centrais mais eficazes e consistentes da história do FC Porto.
Em cima, recuperámos duas fotos de Fernando Couto nos seus primeiros tempos ao serviço do Parma (a farta cabeleira era a sua imagem de marca!).
Depois de Fernando Couto, seguiram-se mais 3 transferências milionárias de defesas-centrais do FC Porto: Jorge Andrade (18 milhões), Ricardo Carvalho (30 milhões) e Pepe (30 milhões).

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Velhos hábitos!

Frente ao melhor FC Porto da época (que pena o final da temporada ter coincidido com a fase em que estávamos a desfrutar do melhor futebol que o FC Porto praticou), num relvado em bom estado e com as medidas oficiais, seria quase um milagre o Desp. Chaves levar a Taça para Trás-os-Montes. Nestas circunstâncias, tudo o que não passasse por uma goleada já seria positivo para o Desportivo. Algo surpreendentemente, os flavienses conseguiram evitar a goleada e até fizeram melhor que o Benfica (3-1)! Ainda assim, a postura do FC Porto terá contribuído mais para a reduzida vantagem no marcador. Esperava-se mais de quem tanta dinâmica colocou em campo nos últimos jogos.
Tal como já tinha acontecido na final da Taça de Portugal da época passada (vitória por 1-0, sobre o Paços de Ferreira), em que se apresentou cansado e em plena ressaca dos festejos do «tetra», o FC Porto voltou a abordar o jogo com pouca alegria e entusiasmo. Houve demasiada sobranceria (normal quando se defronta o adversário mais modesto que já encontrámos numa final e que chegou ao Jamor com a auto-estima enfraquecida depois de ver confirmada a despromoção?). Ainda assim, fica uma palavra elogiosa para o Desp. Chaves, que nalguns momentos colocou dificuldades ao FC Porto (principalmente a nível táctico e de posicionamento em campo). Nada mau para quem desceu à II Divisão!
Com mais esta vitória, o FC Porto continua a quebrar barreiras, pois a Taça de Portugal era o único troféu que, até hoje, o Sporting conquistara mais vezes do que o FC Porto. Neste momento, o nosso 2º maior rival prepara-se para ser ultrapassado em todos as competições (a Taça das Taças, conquistada pelo Sporting em 1963/64, já foi extinta!). Aliás, no que a conquista de títulos diz respeito, o Sporting há muito que ficou para trás: o FC Porto contabiliza 65 títulos em todas as competições, enquanto que o Sporting se fica pelos 45. Próximo objectivo do FC Porto: ultrapassar o Benfica (67)! Novo duelo entre ambos está já marcado para Agosto, na Supertaça Cândido de Oliveira.
Positivo (+):
- o velho hábito do FC Porto de não terminar a época sem vencer pelo menos um troféu;
- os “golos colombianos”;
- Fernando, Hulk, Guarín e Falcão, os poucos a levarem as coisas mais a sério;
- o final de época do FC Porto, que coincide com o período de maior sequência de vitórias da equipa;
Negativo (-):
- esperava-se uma maior margem de golos na vitória do FC Porto;
- o ritmo de treino que a equipa impôs na 2ª parte;
- a postura de Raul Meireles (será que o rapaz ainda se auto-intitula o ‘sucessor de Pedro Emanuel’?);
- os golos que Hulk desperdiçou na 1ª parte;
- a displicência de Bruno Alves no lance do golo do Desp. Chaves;
- o excesso de confiança do quarteto defensivo do FC Porto;

«Curiosidades FCP» - O FC Porto no ‘México 86’

Com o início do Campeonato do Mundo da África do Sul cada vez mais próximo, vamos continuar a recordar jogadores do FC Porto que estiveram presentes em edições anteriores da competição. Hoje, recuperamos os «cromos» dos jogadores do FC Porto que, ao serviço da nossa Selecção, estiveram presentes no ‘México 86’. Nesta lista, decidimos também incluir jogadores que chegaram ao FC Porto após o final da prova (Sousa e Jaime Pacheco, que trocaram o Sporting pelo FC Porto no Verão de 1986).
Nota: apesar de também terem sido convocados para o ‘México 86’, Jaime Magalhães e Bandeirinha (também chegou ao FC Porto no início da época 1986/87, vindo da Académica) não tiveram direito a «cromo» nesta colecção da ‘Panini’.

A «foto do dia» - O bilhete do FC Porto - Feyenoord, pré-eliminatória da Liga dos Campeões 1993/94

Continuamos a recuperar ingressos de jogos europeus do FC Porto. Hoje, recordamos o épico confronto entre o FC Porto e o Feyenoord, na pré-eliminatória da ‘Champions’ 1993/94, com o bilhete do jogo das Antas, relativo à 1ª mão da eliminatória.
Nesse jogo, e apesar do autêntico assalto que o FC Porto realizou à baliza de Ed de Goey, o 0-0 manteve-se quase até final. Foi o actual treinador do Sp. Braga, Domingos, que nos deu uma preciosa vantagem para a 2ª mão com um golo marcado aos… 89 minutos!
15 dias depois, o FC Porto conseguiu sair ileso da ‘Banheira de Roterdão’. Um empate (0-0) permitiu-nos aceder à fase de grupos da prova.