Até agora, os sorteios da Taça têm sido generosos para o FC Porto: foram 3 jogos frente a equipas de divisões inferiores. Ainda assim, o jogo frente ao Juv. Évora foi daqueles a que deu prazer assistir. O FC Porto jogou com desenvoltura e entusiasmo.
Após o jogo frente ao Benfica, referi aqui que Villas-Boas iniciava um novo ciclo que implicava gerir o deslumbramento e o sucesso do FC Porto 2010/11. Isso tem sido conseguido, mas deixo apenas um reparo: a invencibilidade não deve ser pretexto para colocar em causa a confortável vantagem que o FC Porto conquistou no campeonato. Com o CSKA, Villas-Boas devia fazer descansar mais de meia-equipa.
Quanto à Taça de Portugal, nos Quartos-de-final é provável que o FC Porto encontre um adversário forte. Para mim, qualquer um serve desde que o jogo seja no Dragão. Além do ‘factor casa’ ainda fazer alguma diferença em jogos da Taça de Portugal, isso também significava disputar 3 jogos consecutivos em casa (os Quartos-de-final jogam-se a 12 de Janeiro, ou seja, a meio de uma semana em que o FC Porto tem 2 jogos em casa para o campeonato, frente a Marítimo e Naval) e evitar campos enlameados, jogando no melhor relvado que existe no nosso país.
- a postura do FC Porto, que respeitou sempre o seu adversário e nunca desacelerou;
- James Rodriguez: o miúdo já é a melhor alternativa a Varela (será precipitado lançá-lo de novo a titular na sempre agreste Mata Real?);
- João Moutinho: a postura de sempre e o golo que tanto procurava ;
- mesmo não realizando uma exibição exuberante, Álvaro Pereira foi fundamental ao trazer equilíbrio e consistência táctica à equipa;
Negativo (-):
- o único ponto menos positivo no jogo de ontem terá sido o excessivo tempo de jogo que Villas-Boas deu a alguns habituais titulares (a Falcão e Moutinho, principalmente);


Três anos em Portugal e nunca foi campeão nacional. Porquê? Porque havia um senhor chamado Eusébio e uma equipa, o Benfica, que tinha o Simões e o Torres. Não ganhei o campeonato nacional e, mesmo assim, era tratado como uma estrela. Imagine se tivesse sido campeão no FC Porto. É um clube especial.
Quais são as suas memórias mais fortes do FC Porto e de Portugal? Olhe, antes de mais lembro-me de olhar para o contrato e ficar embasbacado. Em Portugal nunca ninguém tinha assinado um acordo tão longo e tão valioso. Senti que tinha de dar tudo de mim àquelas pessoas. Veja bem: no segundo ano fui eleito capitão de equipa pelos meus colegas. Foi um gesto lindo.
O seu último treinador foi o José Maria Pedroto. Gostou de trabalhar com ele? Que grande homem! Era muito enérgico, dava tudo o que tinha nos treinos e nos jogos. O senhor Pedroto era um homem de carácter, inteligente e manhoso. Conhecia todos os segredos do futebol. Comigo até era meigo, mas vi-o aos berros com outros jogadores várias vezes.


Em cima, recuperámos uma foto que regista a presença de Eurico na final da Taça dos Vencedores das Taças (FC Porto - Juventus), em Basileia. O antigo defesa-central do FC Porto atingiu nesse jogo um dos pontos mais altos da sua carreira, que prosseguiu em alta semanas depois com a presença no Campeonato da Europa ‘França 84’, sempre ao lado do amigo e inseparável companheiro de defesa Lima Pereira.
Em cima, recordámos alguns momentos da passagem de Aloísio por Barcelona: com Johan Cruyff no dia da sua apresentação (1ª foto) e ao lado do guarda-redes camaronês Thomas N’Kono, a promover para a imprensa espanhola um sempre escaldante derby catalão entre o Espanhol e o Barcelona (3ª foto). 
A certeza é que este futebol curto e de bola na relva encanta a crítica e o público. Um pequeno aparte: se Jesualdo Ferreira fez um trabalho fantástico com jogadores como Hulk, Falcão ou Álvaro Pereira, também é justo reconhecermos que Villas-Boas tem sabido potenciar as qualidades de jogadores como Sapunaru, Belluschi ou Maicon. E ainda não percebemos o motivo pelo qual o nosso maior rival continua a lamentar a saída de dois jogadores (Dí Maria e Ramires) quando o FC Porto perdeu dois alicerces do ‘tetra’: Bruno Alves e Raul Meireles. Que culpa tem o FC Porto que os seus adversários em Portugal não o consigam acompanhar?
É aí que entra a Liga Europa, que pode muito bem ser o estímulo que manterá o FC Porto desperto e alerta no campeonato. Aliás, quanto mais cedo chegar a fase de eliminatórias melhor. Este ‘super FC Porto’ vai precisar depressa de adversários europeus que o obriguem a crescer e a dar cada vez mais importância aos pequenos detalhes. Após este primeiro terço da época, abre-se agora um novo ciclo para o ‘FC Porto de Villas-Boas’. É a difícil fase de gestão do sucesso e das expectativas de quem só lá mais para a frente voltará a encontrar adversários que o coloquem verdadeiramente à prova.