Ao longo dos anos o nosso clube foi construindo uma matriz muito peculiar e impossível de ser replicada em qualquer outro e muitos o tem tentado, não só cá no país como lá fora, mas sem sucesso. Hoje em dia fala-se muito do jogador “à Porto”, este conceito não nasceu agora, demorou anos a ser construído, solidificado e muito importante reconhecido, não foi do dia para a noite levou o seu tempo.O que se espera do FC Porto para o resto da época é acima de tudo uma entrega e disponibilidade total em campo simplesmente, que ponham em prática a conceção anteriormente referida. O momento não é o mais fulgurante, as exibições são inconstantes de altos e baixos e também não é agora que vão melhorar, mas no fundo o que importa é ganhar.
Nem tudo se decide dentro das quatro linhas, a nomeação do árbitro do jogo com o Nacional causa alguma preocupação.
Amândio Rodrigues








Julgamos que a pouca racionalidade benfiquista estará relacionada com a forma deslumbrada como Jorge Jesus lida com as vitórias. Veja-se, por exemplo, como foram festejados os dois empates do Benfica frente ao pior Manchester United da última década (até o Basileia venceu os ingleses!). Esta diferente cultura e grau de exigência que se vive na Luz e no Dragão também ajuda a explicar a actual diferença entre os dois clubes. Senão vejamos: enquanto que o ‘FC Porto de Vítor Pereira’ é colocado em causa (é saudável a cultura de exigência que se vive no Dragão) por não ter conseguido ser convincente nos jogos exigentes que disputou esta época (venceu apenas três: frente a Sp. Braga, Shakhtar e Benfica), o ‘Benfica de Jesus’ é elogiado por golear os últimos classificados da nossa Liga. Mas tudo espremido, verificamos que o nosso maior rival cumpriu apenas os serviços mínimos: venceu o Sporting pela margem mínima e empatou com Sp. Braga e Manchester United. Este ‘Benfica de Jesus’ é como o Governo: é forte com os fracos e fraco com os fortes!
Agora o jogo. Confesso que fiquei algo surpreendido com a postura que o FC Porto apresentou na Luz. Totalmente diferente daquela que havia tido em Alvalade. De facto, para se ser campeão é preciso ser grande nos ‘jogos grandes’. O FC Porto foi. Grandíssimo!!! Numa época em que cometemos alguns erros estratégicos, não deixa de ser notável que consigamos liderar a Liga com 3 pontos de vantagem (na realidade são 4!) sobre o segundo classificado. Isto até é algo embaraçoso para quem sempre quis passar para a opinião pública a ideia de ter um futebol avassalador e vertiginoso. Enfim, aquelas ‘traulitadas’ habituais de Jorge Jesus que a turba benfiquista depressa interioriza! A verdade é que o Benfica começa a ver fugir-lhe pelos dedos da mão um campeonato que dava quase como garantido. O trauma, causado pelas duas derrotas da época passada, bateu forte! E nos últimos 10 anos, em jogos de campeonato disputados na Luz, o FC Porto venceu em 5 ocasiões, empatou 3 e perdeu apenas 2. Sinais dos tempos. Habituem-se!





Apesar da época atípica e algo turbulenta, o FC Porto tem conseguido manter alguma regularidade no campeonato (nos jogos disputados no Dragão consentiu apenas um empate). Como o Benfica apresenta um ‘score’ idêntico, é muito provável que o campeonato se venha a decidir nos jogos entre os 5 primeiros da classificação. Nessa luta particular, o calendário do FC Porto parece ser menos favorável: tem apenas um jogo no Dragão (com o Sporting) e visita o Benfica, o Sp. Braga e o Marítimo. Vale o que vale!






Agora, vamos lá ver como se vai apresentar o FC Porto, a nível físico, na 2ª mão dos 16 avos da Liga Europa. Tendo em conta que o jogo em Manchester é já na próxima quarta-feira e que o City não jogou neste fim-de-semana, não será surpreendente que o FC Porto se apresente um pouquinho desgastado. Mas a maior incógnita será a postura do FC Porto no jogo 2ª mão. Será que ainda vai conseguir discutir a eliminatória ou vai apenas tentar minorar os danos?