quarta-feira, 14 de novembro de 2007

O novo «Dragãozinho»

Aproveitando a interrupção na Liga, devido aos compromissos das selecções, o "blog" vai abordar outros assuntos do quotidiano do mágico FC Porto, que têm tanta ou mais importância que os temas ligados ao futebol. Começamos hoje por abordar a construção do novo pavilhão do FC Porto (foto virtual em cima). Baptizado de Dragão Caixa (pra mim será sempre «Dragãozinho»), o novo projecto volta a ter como "pai" o Arquitecto Manuel Salgado que desenhou e projectou o lindíssimo Estádio do Dragão. O novo pavilhão será erguido ao lado do estádio, no espaço entre o Centro Comercial e a VCI, numa área disponível de 8300 m2.
A escolha do arquitecto parece consensual mas a lotação do recinto começa a levantar mais polémica. É que ficou estipulado no projecto um recinto que comporta apenas 2000 espectadores!
Durante as décadas de 80 e 90 era fantástica a empatia entre os jogadores das 3 modalidades (chegaram a ser 4 mas resolveram acabar com o voleibol!) que utilizavam o antigo pavilhão Américo de Sá, por vezes com assistências que rondavam as 5000 pessoas. Foi também ali, com um pavilhão por vezes superlotado, que o hóquei em patins garantiu os 6 (!) títulos internacionais que o FC Porto conquistou na modalidade. As modalidades amadoras não mereciam uma casa maior?
Na última AG do clube vários sócios levantaram essa questão mas a direcção do FC Porto defendeu-se com o argumento da beleza do projecto. Não duvidamos do bom gosto do arquitecto Manuel Salgado (sería impossível colocá-lo em causa depois de ver a majestosa obra arquitéctónica que é o Dragão!) mas também não duvidamos da legitimidade dos sócios em colocarem em causa um projecto caro (mas belo!) que contempla apenas 2000 pessoas.
O clube contraiu um empréstimo de 13 milhões de euros junto da CGD para colocar apenas 2000 pessoas no pavilhão em dias de jogos!?
Vão-se formar filas nas bilheteiras nos dias anteriores aos jogos?!
E o adepto comum, vai conseguir ter acesso ao «Dragãozinho»?
E em dias de jogos no Dragão, certamente que vão ficar muitos sócios de fora!
Não se devería ter acautelado esse aspecto? Afinal, não estamos a falar de uma obra para 50 ou mais anos?!

9 comentários:

Adriano Correia disse...

Amigo Ricardo Vara:


O «Dragão», sim senhor, é lindo e majestoso mas, não... é Estádio.

Digamos que... para a prática do futebol, possui um espaço relvado, marcado, duas balisas e... 50.000 cadeiras à volta.

Para sua utilização, o Clube ocupa
uns espaços para administrativos, vulgarmente designado por... sede.

Digamos que 30% é ocupado... para fins desportivos (futebolisticos) e os restantes 70% é tipo...centro comercial, rivalizando com o Dolce Vita, vizinho.

Faço-me entender ?

rzamith disse...

Sr. Adriano, aquilo que crítica no Porto estende-se a qualquer equipa a nível mundial com uma dimensão acima de um determinado patamar. Quer queiramos quer não, o futebol é o indústria. Preferia que o estádio fosse um simples repositório de cadeiras viradas para o relvado, e nada mais? Não compreendi essa visão.

Quanto ao "dragãozinho", compreendo totalmente a expectativa dos sócios. Afinal de contas, as modalidades devem ser acompanhadas, acarinhadas, e nunca saberemos se de um momento para o outro uma delas volta a ganhar a visibilidade de outros tempos. Temos por exemplo o Futsal, no qual me parece obrigatório haver uma forte aposta.
São investimentos futuros, e como tal parece-me incompreensível que se percam 4 milhões de euros num jogador como Farias (por exemplo), e não se invista esse mesmo valor para construir um pavilhão um pouco maior.

Saudações,
www.jogodearea.com

Carlos Filipe disse...

Ricardo:

Não vale a pena insistir num assunto que claramente ultrapassa o FCP. O PPA das Antas tinha previsto um pavilhão multiusos de maiores dimensões na zona do matadouro. A CMP fez o que fez e boicotou o projecto. O nosso clube teve que o construir em terrenos exclusivamente seus, logo era impossível construir outra coisa senão um pavilhão para 2.000 pessoas naquele local, e mesmo assim, com recurso a uma notável solução de engenharia.

O FCP terá, jogos em que poderia encher um pavilhão com cerca de 5 mil pessoas? Terá, mas tem que reconhecer que são muito poucos e que na maioria dos jogos o pavilhão de 2.000 pessoas chegará e sobrará.

O FCP também não teria jogos de futebol para encher um estádio para 90 mil pessoas? Claro, mas seriam muito poucos, como se vê, pois temos uma utilização média que não ultrapassa as 35 mil pessoas. Pense na mesma proporção para as modalidades amadoras e verá que em termos médios não terá no pavilhão mais de 800/1000 pessoas por jogo a ver hóquei, andebol e basquetebol.

Vamos pois ser realistas, é o pavilhão possível e não muito longe da realidade. Caso haja um jogo do título ou um jogo quente que se preveja um duplicar da lotação, então sempre existe ali ao lado o pav. de Gondomar.

Abraço

Adriano Correia disse...

Amigo Ricardo Vara:


É de ler e... ficar de boca aberta.

Os «novos tempos» não justificam tudo.

O amigo «provocou» o diálogo, eu expús a minha opinião, li outras que respeito, mas... é de arrepiar.


O amigo «rzamith» até perpectiva que as modalidades deixem de ganhar, mas, defende a «abertura» do... futsal.

Interessante como faz o «cálculo» do... «desenvestimento» em Farias esquecendo de dizer quem (e como) o contratou.

E, já agora, sobre o que se gasta em salários dos administradores da sad (a começar pelo presidente), não reflecte?

Porque refiro o presidente? Porque jámais me esquecerei que, em 1982, nas «sessões de esclarecimento» como candidato a... candidato a presidente do Clube o seu slogam era: «JAMAIS GANHAREI UM TOSTÃO AO SERVIÇO DO CLUBE».


O amigo «carlos filipe» quer fazer-nos lembrar o que aconteceu sobre a problemática do PPA. E, assim, a sensibilizar-nos para a compreensão
A mim não conseguiu.

Quanto ao «dragãozinho»... ginásio (perdão... pavilhão) de «só» 2007 lugares (e não 2000, pormenores), tem razão, se o seu comportamento e da generalidade dos adepto fôr o mesmo do presidente... aparece só no último jogo para ser campeão.

A sugerida utilização do Pavilhão de Gondomar... é de arrepiar. Como é de arrepiar a acomodação... pela construção do citado «dragãozinho»,
assim tipo, está ali um «remendo» vamos aproveitá-lo.

O amigo «carlos filipe», nota-se, nunca assistiu a qualquer jogo no extinto Pavilhão, que chegou a...
«rebentar pelas costuras». E tinha como lotação oficial o número de 6.000.

Como, até se calhar, não assistiu a nenhum dos jogos finais do «play off» último, do basquetebol, em que cada jogo atingiu o número de 4.000 espectadores no Pavilhão de Matosinhos. Aliás, no último (o do «petardo») apareceu o «nosso» presidente com a, na altura, sua nova namoradinha brasileira...

Enfim...


Um abraço para o amigo Ricardo Vara e saudações portistas para os citados.

Ricardo Vara disse...

Não posso deixar de concordar com o Adriano Correia. Enquanto que os investimentos no futebol aumentam quase exponencialmente (nos anos 90sería impensável o FC Porto contratar jogadores por 5 ou 6 milhões de euros!), nas modalidades ditas amadores acontece exactamente o contrário. Veja-se o caso do Andebol, em que a redução do orçamento foi drástica ao ponto de o FC Porto (eterno candidato ao título) dispor de estrangeiros de valor duvidoso que pouco vão acrescentar ao plantel de Carlos Resende (felizmente voltou o Eduardo Filipe!). Mas o mais lamentável é o que acontece com o ciclismo. Houve portistas a apoiar o Cândido Barbosa quando do "outro lado" estava o José Azevedo (outro portista) a defender as cores do Benfica! Estamos a falar de uma modalidade com grande tradição no FC Porto. Apesar de não me recordar dos saudosos tempos da equipa de ciclismo, os mais velhos garantem que a paixão e empatia dos adeptos pela equipa era muito forte. Primeiro o ciclismo e o voleibol depois o futsal!

Anónimo disse...

Amigo Ricardo Vara:


Parabéns pela demonstração de PORTISTA ESCLARECIDO que não exclusivamente... futeboleiro.

O que, nos «tempos que correm» é bastante perigoso.

Basta saber-se o que se passou na última Assembleia Geral do Clube quando alguém questionou o senhor presidente sobre a exiguidade do Ginásio (perdão... Pavilhão).

Embora sendo saudosista (no que respeita ao «nosso» Clube, claro está), não sou cégo e reconheço que os tempos são outros e que o puro amadorismo se foi...

Mas, tal não justifica que se tenha exterminado (de há 25 anos para cá... por coincidência) todo um ecletismo e património.

É verdadem, sim senhor. O Ciclismo e o Andebol de 11 «angariaram» para o Clube milhares e milhares de adeptos que estão hoje (que é o meu caso) a entrar nos 60 anos de idade.

Depois vieram (e ainda bem) as gloriosas conquistas do futebol, nacional e internacionalmente, que «angariaram» aqueles a que eu chamo... «adeptos fáceis» (com o devido respeito) que se tinham perdido nos anos 60/70.

Mas, já antes o futebol (sobretudo da «fase» Yustrich) tinha «puxado» milhares e milhares de adepto e sócios.

Foi o tempo dos verdadeiros ídolos em que os presidentes não tinham qualquer protagonismo.

Adeptos, no FUTEBOL, do Hernâni (para mim, sem dúvida,o melhor de sempre que vi), do Virgílio, do Acúrcio, do Miguel Arcanjo, do Pedroto, do Monteiro da Costa, do Carlos Duarte, do Virgílio, do Perdigão, do Jaburu, etc., etc. (estava eu a começar a minha
idolatração ao Clube).

Que «disputavam» com os adeptos do ANDEBOL, do Madureira, do Ferra, do Campos, do Fabião, do Pintado, do Dias, do Dr. Augusto, etc., etc. que ainda vi no velhinho campo da constituição.

E os adeptos do CICLISMO, do Onofre, dos Moreiras de Sá, do Dias dos Santos, do Emidio Pinto, do Carlos Carvalho, do Sousa Cardoso, do Mário Silva, do José Pacheco, do Joaquim Leão, etc., etc..

E, ainda, haviam os adeptos do HÓQUEI PATINS (Magalhães, Brito, Valentim, Ricardo, Leites, Branco, Cristiano, Moreira, etc., etc.) e até do HÓQUEI CAMPO (Amaral, Coelho, Daniel, Wenceslau, Capitão, etc., etc.).

Mas, meter isto nas cabeças dos...
«rzamiths» e «carlos filipes»?


Fico-me por aqui porque não aguento mais... de SAUDADES.

Um abraço do Adriano Correia

Carlos Filipe disse...

Caros anonimos e Correia:

Eu penso pela minha cabeça, não marro no discurso fácil e leviano.

No futuro vamos ver quem tem razão e se temos o pavillhão de 2 mil pessoas sempre cheio. Pelo menos vocês garantem que estão lá sempre batidos a ver jogos. Provavelmente t~em disponibilidade para isso, mas a maioria das pessoas não.

Quanto ao ecletismo, fazem lembrar os sportinguistas que tanto falaram nisso e agora népias, nem basquete, nem hóquei, nem andebol, porque acham que se devem concentrar no futebol onde ganham um cagagésimo de títulos dos que nós ganhamos.

Barriguinha cheia é o que eu vejo !!!

Anónimo disse...

Amigo Ricardo Vara:


Está a ver? É este o «resultado» da sua preocupação em que se discuta, reflectindo, a realidade do «nosso» Clube como... CLUBE.

É evidente que não vai estar, o ginásio (perdão... pavilhão), sempre cheio.

Que melhor exemplo querem, e que é seguido pelo presidente, que só aparece nos últimos jogos quando lhe cheira a... título ?

Domingo, em Santo Tirso, no jogo internacional de andebol, podem comprová-lo (mais que certa a sua ausência). Se fosse futebol... Eu lá estarei.

Há que ter a consciência que, nestes ultimos anos, (com o extermínio do património), o adepto comum perdeu hábitos.

Vai durar anos a «recuperá-los».

Da casa dos outros... enfim. O que quer dizer que, «com o mal do vizinho...».

No insinuado futuro, aquela a que não assistiremos, nenhum qualquer ginásio (perdão... pavilhão) vai ser necessário porque já não vão existir outras modalidades senão o... futebol.

Um abraço do Adriano Correia

Anónimo disse...

Amigos:


Desculpem... uma correcção.

O jôgo de andebol, internacional (FC Porto-Paris Handball) é afinal amanhã, 17, e não domingo.

Vai uma apostinha em como o nosso presidente não vai lá estar?

Bem podia ir que nada paga pela entrada, ao contrário da minha pessoa (e mais familia).

Vá lá, com bilhete mais barato... de sócios.

Com a despesa da gasolina e com o lanche. Se fosse no «Dragão»...

Um abraço do Adriano Correia