quarta-feira, 15 de julho de 2009

«Curiosidades FCP» - A edição de 1987 do 'Joan Gamper' (Parte III)

Depois de termos apresentado os 4 participantes na edição de 1987 do 'Joan Gamper', vamos agora recuperar a 1ª jornada (meias-finais) do torneio.
Os organizadores da prova optaram por colocar o campeão da Europa (FC Porto) no caminho da equipa da casa (Barcelona) logo no primeiro dia da prova, ficando a outra meia-final reservada a Ajax e Bayern de Munique. Os dois jogos disputaram-se no 'Camp Nou', a 18 de Agosto de 1987. Começaram por se defrontar Ajax e Bayern de Munique, dois clubes com quem o FC Porto se cruzou por duas vezes nesse ano (defrontámos o Bayern em Viena e no 'Joan Gamper', e cruzámo-nos com o Ajax no Torneio de Amesterdão e na Supertaça europeia).
Alemães e holandeses levaram a discussão da meia-final até ás grandes penalidades, depois do jogo ter terminado empatado (1-1) no fim dos 90 minutos.
Vamos recordar os «onzes» e os marcadores dessa partida:
Bayern de Munique: Jean-Marie Pfaff, Winklofer, Eder, Klaus Augenthaler, Pfluglher, Flick, Andreas Brehme, Lothar Matthaus, Kogl, Roland Wohlfart e Lunde.
Treinador: Jupp Heynckes
Ajax: Stanley Menzo, Danny Blind, Spelbos, Ian Wouters, Sonny Silloy, Johnny Bosman (Witschge aos 65'), Frank Rijkaard, Sorensen (Scholten aos 58'), Boeve, Dennis Bergkamp, (Aron Winter aos 60') e Neyer;
Treinador: Johan Cruyff
Golos: Johnny Bosman aos 18' e Roland Wohlfart aos 42'.
Penaltis: 4-2
O jornalista do 'El Mundo Deportivo' que assistiu à partida testemunhou a melhor exibição do Bayern de Munique, que, apesar de só ter garantido a presença na final através das grandes penalidades, foi mais forte que o Ajax durante os 90 minutos. Nos penaltis, valeu Pfaff, que deteve dois castigos máximos.
«Fue más equipo el Bayern y en la tanda de penalties consiguió una justa classificación gracias a su portero», escreveram os espanhóis no rescaldo da partida. Quanto ao Ajax, «solo Rijkaard y poco más», garante o 'El Mundo Deportivo', que lamentou a saída de Marco Van Basten do clube holandês: «Se marchó Van Basten al Milán».
Na conferência de imprensa após o jogo, Jupp Heynckes enalteceu as qualidades do seu guarda-redes na altura de defender grandes penalidades («Pfaff es perfecto a la hora de detener penas máximas»), enquanto que Johan Cruyff se mostrou evasivo quando questionado sobre a possibilidade de vir a orientar o 'Barça' («Mejor no hablar del tema»).
Depois do Ajax-Bayern, seguiu-se o prato principal da noite, o Barcelona-FC Porto. O FC Porto apresentou-se no 'Camp Nou' com um «onze» muito semelhante ao que defrontou o Bayern, em Viena. Tomislav Ivic procedeu apenas a 3 alterações: Eurico jogou no lugar de Inácio (foi suplente utilizado), Semedo no lugar de Quim e Gomes no lugar de Futre (transferido para o At. Madrid).
Quanto ao Barcelona, mantinha a dependência de Bernd Schuster, que chegou ao 'Joan Gamper' totalmente recuperado de uma lesão que o afastou dos relvados durante algum tempo. Depois das más exibições no Torneio de Amesterdão e no Torneio de Foggia, o FC Porto apresentou-se no 'Camp Nou' com outra atitude, acabando por vencer o 'Barça', de Terry Venables, por 2-1. Estava garantida a presença na final, que Ivic desejava quando falou aos jornalistas ainda no Aeroporto 'El Prat'. Dois meses depois de Viena, o FC Porto voltava a defrontar o Bayern. Aqui ficam os «onzes» e os marcadores da 2ª meia-final do 'Joan Gamper':
Barcelona: Zubizarreta, Cristobal, Migueli, Julio Alberto (Vinyals aos 80'), Víctor, Salva, Hughes (Carrasco aos 62'), Bernd Schuster, Roberto (Urbano aos 62'), Gary Lineker e Caldere;
Treinador: Terry Venables
FC Porto: Mlynarczyk, João Pinto, Eduardo Luís (Inácio aos 45'), Celso, Eurico, Semedo, Jaime Magalhães, Madjer, Fernando Gomes (Jorge Plácido aos 45'), Sousa (Jaime Pacheco aos 59') e André;
Treinador: Tomislav Ivic
Golos: 1-0 (Madjer, aos 12'). Cruzamento de João Pinto e Madjer, de cabeça, bateu Zubizarreta. 1-1 (Schuster, aos 28'). Depois de uma falta à entrada da área do FC Porto, Schuster, de livre directo, enganou Mlynarczyk. 1-2 (Jorge Plácido, aos 49'). Contra-ataque perfeito do FC Porto, com Madjer a solicitar Jorge Plácido que, com um remate fortíssimo, bateu Zubizarreta.
Além da vitória do FC Porto ter marcado a primeira derrota do 'Barça' na pré-época 1987/88, também permitiu que a equipa ganhasse confiança e começasse a acreditar em nova vitória sobre o Bayern de Munique. O 'El Mundo Deportivo' definiu bem aquilo que se passou no 'Camp Nou', com o título: «El Oporto se subio a la cabeza».
Depois de ter vencido as 4 edições anteriores do torneio, o 'Barça' ficava fora da final (foi apenas a 5ª vez em 22 edições do 'Joan Gamper'). Apesar de não considerarem o FC Porto favorito, os espanhóis foram obrigados a reconhecer a superioridade portista, acabando por considerar que o teste talvez tenha sido demasiado exigente para o 'Barça': «El Oporto daba la impresión de ser uma prueba demasiado dura para los hombres de Venables».
Para o 'El Mundo Deportivo', o FC Porto demonstrou porque venceu a final da Taça dos Clubes Campeões Europeus. «Madjer y Plácido ejecutaran a los azulgrana y demostraron por que el Oporto es campeón de Europa». Para o diário catalão, Madjer foi o melhor em campo, pois «el autor del famoso taconazo deleito a los aficionados con su fútbol de seda y fue la figura del partido».
Quanto à exibição do Barcelona, foi considerada inconstante pelo jornalista espanhol que acompanhou a partida. Para o diário catalão, até Schuster se deixou adormecer: «Schuster marco un golazo y luego sufrio un eclipse».
Na conferência de imprensa após o jogo, Tomislav Ivic não escondeu o contentamento pela passagem à final do torneio: «Estoy contento de jugar bien y dar espectáculo», afirmou o croata aos jornalistas.
Os espanhóis aproveitaram também para questionar o treinador do FC Porto sobre a valia do maior rival do 'Barça', o Real Madrid (que o FC Porto tinha encontrado no Torneio de Foggia), estabelecendo, ao mesmo tempo, um paralelismo com a rivalidade entre FC Porto e Benfica. Para Ivic, o Real Madrid, além de nessa altura ser mais forte que o Barcelona, também era a melhor equipa da Europa.
Para o técnico do Barcelona, o FC Porto continuava a ser uma grande equipa, mesmo depois de ter perdido Paulo Futre. O treinador inglês também se refugiou no facto do 'Barça' ter estado envovido no melhor 'Joan Gamper' de sempre: «no hay que duvidar que el cartel del torneo era muy fuerte».
No final, a imprensa espanhola também ouviu alguns dos intervenientes na partida. «Todos se rendieron al campeón»., titulava o 'El Mundo Deportivo'. Para Gary Lineker, o FC Porto «se ha mostrado como el autentico campeón de Europa».
Do lado do FC Porto, destaque para as afirmações de Fernando Gomes, que realçou o facto de agora poder defrontar o Bayern (Gomes falhou a final de Viena, devido a lesão), garantindo também que a vitória sobre o Barcelona não foi a vingança da eliminatória da Taça dos Clubes Campeões Europeus disputada dois anos antes (derrota do FC Porto, em 'Camp Nou', por 2-0, e vitória, insuficiente, nas Antas, por 3-1).
«Ya que no estuve en la final de Viena, ahora podré enfrentarme al Bayern Munich. En ningún momento, contra el 'Barça', pensamos en tomarmos la revancha de hace dos años», afirmou o Bi-bota d'Ouro.
Na próxima semana, recordaremos os jogos da final e de atribuição do 3º e 4º lugares: FC Porto-Bayern e Barcelona-Ajax.

(Continua)

1 comentário:

João Crespo disse...

Parabéns por (mais) esta recordação...

Acompanho este blog com atenção, embora nunca tenha antes comentado, mas vendo um post destes, cheio de qualidade e muito sentir portista estar tristemente a zeros em número de comentários não resisti a deixar um testemunho.

Ouço falar desta vitória desde miúdo, dela não me recordo pois tinha apenas 3 anos. Lembro-me de ver a Taça Juan Gamper no nosso museu junto à miniatura da TCE'87 e de ouvir dizer que este torneio (bem como o 2º lugar no Mundialito) confirmou o nosso estatuto de campeões da Europa, provando em definitivo que Viena não tinha sido um acaso.

Parabéns de novo e bem haja pelo trabalho. É sempre bom visitar sitios onde se sente o verdadeiro pulsar azul e branco, não se ficando por discussões estéreis sobre seguidismos ou não seguidismos, penalties ou afins. A nossa história faz-se destes momentos, estes felizes outros menos felizes e é de saudar este blog pela sua substância.

Fico à espera da parte IV!