
Rui Filipe Tavares de Bastos nasceu em Vale de Cambra (Distrito de Aveiro) a 8 de Março de 1968. Este antigo médio-centro do FC Porto era um jogador altruísta e que ao excelente porte físico aliava uma grande certeza no passe e um bom remate de meia-distância. No entanto, a sua maior virtude era a generosidade que colocava em campo.
Depois de ter iniciado o seu percurso juvenil no clube da terra, o Valecambrense, Rui Filipe chegaría ás camadas jovens do FC Porto na época 1984/85 (onde começou por ser utilizado como avançado!). Depois de concluída a formação juvenil, foi altura do antigo centro-campista do FC Porto ser emprestado ao Sp. Espinho (época 1989/90) e ao Gil Vicente (época 1990/91).
Com 23 anos, viu chegada altura de regressar ás Antas para a definitiva afirmação.

O jogador que chegou a vestir a camisola nº 10 do FC Porto ainda é hoje lembrado como o autor do primeiro golo do «Penta». Foi Rui Filipe o responsável pelo primeiro golo do primeiro campeonato da histórica sequência de 5 consecutivos que o FC Porto conquistou na década de 90.

Depois da estreia no campeonato nacional, e ainda no início da época, seguiu-se a disputa da Supertaça Cândido de Oliveira, frente ao Benfica, no Estádio da Luz. Foi nesse jogo que Rui Filipe marcou o último e mais belo golo da sua carreira. O antigo médio-centro do FC Porto inaugurou o marcador depois de, com uma finta de corpo, 'sentar' Michel Preud'Homme.
No entanto, esse jogo também acabaría por ter outro momento marcante: a expulsão de Rui Filipe, que o afastou do próximo jogo do campeonato, frente ao Beira-Mar (disputado, precisamente, no dia do seu falecimento). O jogo da Luz terminou empatado (1-1) e com 4 (!) expulsões (Secretário, Nelo, Rui Filipe e João Vieira Pinto), havendo necessidade dos jogadores cumprirem 1 jogo de suspensão na jornada seguinte do campeonato.
Além dos históricos golos que marcou ao Braga e ao Benfica, Rui Filipe também deixou a sua marca na célebre goleada (5-0) com que o FC Porto brindou o Werder Bremen, no 'Weserstadion'. O promissor médio-centro marcou, aos 11 minutos, o primeiro dos cinco golos do FC Porto nessa partida. Uma 'bomba' a 30 metros da baliza de Oliver Reck.
Ainda antes da afirmação definitiva no «onze» do FC Porto, Rui Filipe também foi chamado a representar a Selecção nacional em 6 ocasiões, estreando-se frente à Itália, numa partida disputada nos Estados Unidos, a 31 de Maio de 1992.
Em cima (da esq. p/ dta): Vítor Baía, Emerson, Zé Carlos, Rui Filipe, Aloísio e João Pinto;
Em baixo (da esq. p/ dta): Secretário, Folha, Paulinho Santos, André e Kostadinov;
Em baixo (da esq. p/ dta): Secretário, Folha, Paulinho Santos, André e Kostadinov;
1 comentário:
Caro amigo Ricardo Vara,
Um dia de imensa tristeza esse, que se prolongou nos dias, semanas e meses seguintes. Eu sou de Vale de Cambra e Rui Filipe era para mim uma espécie de herói. Quando o via no estádio, ou pela televisão, com a camisola do F. C. Porto vestida, eu me sentia ainda mais próximo da equipa. Um orgulho imenso. Nessa triste manhã de Domingo, em que a trágica notícia da sua morte me chegou, chorei, chorei, não consegui almoçar. Foi um choque, um duplo choque, por ser jogador do meu clube e por ser da minha cidade. Conheço as pessoas que estavam com ele no automóvel no dia do acidente e que escaparam. Assisti e participei na sua despedida. De cortar o coração. O nosso loirinho era um jogador à nossa imagem, à imagem do nosso F. C. Porto. Daqueles que antes quebrar do que torcer. Rui Filipe faz parte da nossa mística. Que Deus o tenha em Paz.
Um abraço,
Rogério Paulo Almeida
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